Blog DescomplicaInscreva-se
Imagem do artigo

Emprego melhora, mas desigualdade deixa mulheres, negros e o Norte pra trás

Mercado de trabalho melhora em 2025, com queda do desemprego, mas desigualdade e informalidade ainda limitam renda e oportunidades.

Atualizado em

Emprego melhora, mas desigualdade deixa mulheres, negros e o Norte pra trás

Os dados mais recentes sobre o mercado de trabalho mostram uma melhora generalizada em 2025: a taxa de desocupação caiu em boa parte do país e várias unidades federativas registraram mínimas históricas. No entanto, essa evolução positiva esconde desigualdades profundas que permanecem estruturalmente enraizadas, afetando de forma desproporcional mulheres, pessoas pretas e pardas e regiões como Norte e Nordeste.

Quais são os sinais de melhora?

Em 2025 houve queda da taxa de desemprego em diversas unidades da federação, com destaque para estados do Sul e Centro-Oeste, que apresentaram as menores taxas. Vinte estados atingiram a menor taxa anual de desocupação desde o início das séries históricas pesquisadas. Esse movimento foi impulsionado pelo aumento do rendimento real e por maior dinamismo em alguns setores econômicos.

Quem fica para trás?

Apesar da recuperação, a melhora não foi uniforme. A taxa de desocupação das mulheres foi de 6,2%, acima da média nacional, enquanto entre os homens ficou em 4,2%. Por cor ou raça, a desocupação foi menor entre brancos (4%) e maior entre pretos (6,1%) e pardos (5,9%). Esses números indicam que fatores de desigualdade social e discriminação ainda pesam fortemente nas oportunidades de trabalho.

Educação e empregabilidade

O grau de instrução segue sendo uma variável determinante para a inserção no mercado de trabalho. Pessoas com ensino médio incompleto registraram a maior taxa de desocupação (8,7%), enquanto quem tem nível superior completo apresentou a menor taxa (2,7%). Mesmo ter iniciado o ensino superior, sem concluir, resultou em taxa superior (5,6%) à de quem concluiu, apontando que a qualificação completa ainda faz diferença significativa em termos de empregabilidade.

Renda e disparidade regional

O rendimento médio habitual cresceu 5% em 2025, chegando a R$ 3.613 em dezembro. No entanto, a distribuição regional é bastante desigual. O Distrito Federal registrou os maiores rendimentos, puxando a média nacional para cima, enquanto estados do Nordeste como Maranhão, Bahia e Ceará apresentaram os menores valores médios. Essa disparidade regional traduz desigualdade de oportunidades e de produtividade entre as diferentes partes do país.

Informalidade e subutilização: problemas persistentes

Embora a queda da desocupação seja positiva, ela não eliminou problemas estruturais. Norte e Nordeste mantêm níveis elevados de informalidade e subutilização da força de trabalho — situações que se relacionam com ocupações de baixa produtividade e menores rendimentos. A informalidade reduz a proteção social e tende a perpetuar ciclos de baixa renda, afetando especialmente os grupos mais vulneráveis.

Impactos e implicações para políticas públicas

Os dados revelam que políticas de emprego e renda precisam ir além de medidas macroeconômicas que incentivem a criação de vagas. É fundamental priorizar:

  • Programas de inclusão e qualificação profissional voltados a mulheres e jovens em situação de vulnerabilidade, para reduzir barreiras de entrada no mercado formal;
  • Iniciativas regionais que promovam investimento produtivo no Norte e Nordeste, com foco em aumentar produtividade e gerar empregos de maior qualidade;
  • Políticas de combate à discriminação e promoção da igualdade racial no acesso ao emprego e na progressão salarial;
  • Incentivos à formalização que tornem o trabalho formal mais atrativo e viável para pequenos empreendedores e trabalhadores informais.

O papel do setor educacional e das empresas

Universidades, instituições de ensino e empresas têm papel central na redução dessas desigualdades. Investimentos em formação técnica e superior, programas de trainees inclusivos, estágios que alcancem alunos de diferentes perfis socioeconômicos e iniciativas de reconversão profissional podem melhorar a correspondência entre vagas disponíveis e competências da força de trabalho.

Conclusão

A melhora do mercado de trabalho em 2025 é um ponto positivo, mas não pode esconder que a distribuição dos ganhos é desigual. Mulheres, pessoas pretas e pardas e regiões historicamente menos favorecidas ainda enfrentam obstáculos significativos para acessar empregos de qualidade e rendimentos mais altos. Para transformar a queda do desemprego em progresso social efetivo, é preciso combinar crescimento econômico com políticas públicas e ações privada e educacional focadas em inclusão, formação e redução das desigualdades.

Se você quer aprimorar seu currículo e aumentar suas chances no mercado de trabalho, a Descomplica oferece cursos e trilhas de formação que podem ajudar a desenvolver competências demandadas pelo mercado. Conheça as opções e avance na sua carreira.

Fonte:Fonte

Newsletter Descomplica