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Brasil explode em TI: +18,5% em 2025 e AI vira infraestrutura

Estudo da ABES revela que o mercado de TI no Brasil cresceu 18,5% em 2025 e entra em fase de maior maturidade focada em eficiência.

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Brasil explode em TI: +18,5% em 2025 e AI vira infraestrutura

O mercado de tecnologia brasileiro viveu um 2025 de crescimento acima do esperado e agora entra numa fase diferente: continua crescendo, mas com prioridade em eficiência, integração e retorno mensurável. O estudo da ABES, com dados da IDC, aponta que o setor alcançou cerca de US$ 67,8 bilhões em 2025, crescimento de 18,5% sobre 2024. Para 2026 a projeção é mais moderada, indicando uma transição de expansão por volume para uma etapa de maturidade.

Crescimento em números e significado

Em termos práticos, os números mostram duas coisas simultâneas: o Brasil consolidou sua relevância global ao manter a 10ª posição no ranking mundial de investimentos em TI e ampliou sua participação regional na América Latina (de 34,7% para 38,4%). Ao mesmo tempo, a queda esperada na taxa de crescimento para 2026 (5,3%) reflete uma mudança de prioridade — de investir de forma ampla para selecionar investimentos que entreguem retorno real.

Isso significa que projetos experimentais e provas de conceito vão precisar provar impacto financeiro e operacional para evoluírem para produção. Fornecedores que apresentarem métricas claras e empresas que exigirem KPIs terão vantagem competitiva.

IA como infraestrutura: o que muda na prática

Quando a inteligência artificial deixa de ser apenas uma tendência e passa a ser tratada como infraestrutura, ela passa a integrar o núcleo das operações de negócio. Não é mais um piloto: é componente permanente das aplicações e processos.

  • Operação em escala: modelos em produção exigem MLOps, pipelines de dados robustos e monitoramento contínuo de desempenho.
  • Infraestrutura específica: demanda por GPUs/TPUs, armazenamento otimizado e redes de baixa latência aumenta.
  • Dados e governança: qualidade de dados, catalogação e políticas de privacidade tornam-se requisitos críticos.

Tratar IA como infraestrutura também altera o planejamento de custos: parte maior do orçamento vai para computação, armazenamento e conectividade, e espera-se retorno operacional direto (automação, ganho de produtividade, novas receitas).

Nuvem, data centers e modelos híbridos

O avanço da IA intensifica a necessidade por uma infraestrutura heterogênea. A nuvem continua essencial, mas a arquitetura que ganha força é a híbrida: combinação de nuvens públicas, privadas e recursos on-premises ou em colocation.

  • Elasticidade na cloud pública: útil para picos de treinamento e inferência.
  • On-premises e colocation: importantes para latência, soberania de dados e cargas sensíveis.
  • Managed services: provedores especializados oferecem operação, governança e otimização de custos, reduzindo a barreira técnica para muitas empresas.

Para as organizações isso significa mais atenção à arquitetura multi-cloud, observabilidade e otimização de custos na nuvem, além da necessidade de integrar infraestrutura física e serviços gerenciados.

Segurança e governança: Zero Trust e detecção contínua

Com a maior integração de tecnologia e dados, a cibersegurança passa a ser pilar estratégico. O estudo indica que segurança já era prioridade para uma parcela significativa das empresas e agora avança para modelos de gestão contínua de risco.

  • Zero Trust: adota a lógica de não confiar implicitamente em nenhum componente; exige autenticação contínua, segmentação e controles rigorosos.
  • IA aplicada à segurança: automação de detecção de anomalias, resposta orquestrada a incidentes e previsão de vulnerabilidades.
  • Segurança como código: integração de políticas de segurança no ciclo de desenvolvimento e operação.

Essas práticas reduzem o tempo de resposta a incidentes e elevam a resiliência, mas também demandam investimentos em processos, pessoas e governança.

Composição dos investimentos: hardware, software e serviços

O levantamento mostra que, em 2025, hardware representou 47,9% dos investimentos, seguido por software (32,1%) e serviços (20%). Esse peso do hardware reflete a fase de consolidação de infraestrutura no Brasil — data centers, servidores e redes ainda são fundamentais.

Por outro lado, a tendência é de crescimento relativo de software e serviços à medida que a infraestrutura física se estabiliza. Plataformas, SaaS, serviços gerenciados e consultoria de integração tendem a ganhar participação na formação de valor.

Impacto para profissionais e empresas

Para profissionais de tecnologia, a demanda muda — habilidades em engenharia de dados, MLOps, infraestrutura de IA, cloud engineering, segurança e observabilidade estarão em alta. Mais do que habilidade técnica, a capacidade de demonstrar impacto em métricas de negócio (ROI, KPIs) será diferencial.

Para empresas, o desafio é priorizar projetos com retorno mensurável e estruturar governança de dados e modelos. Modelos de consumo flexíveis (SaaS, serviços gerenciados) e parcerias estratégicas com provedores serão caminhos comuns para reduzir complexidade operacional.

Conclusão

O Brasil não apenas cresceu em 2025 — ele evoluiu para uma nova etapa. A prioridade agora é transformar investimento em resultado: IA como infraestrutura, nuvem híbrida consolidada, segurança como governance e um reposicionamento da carteira de investimentos do hardware para software e serviços. Esse cenário cria oportunidades para quem souber entregar valor mensurável e operar com disciplina.

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