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Licitações 2.0: 29 orientações que prometem blindar contratos públicos

Documento com 29 orientações para aprimorar as contratações públicas: governança, planejamento, controles e tecnologia.

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Licitações 2.0: 29 orientações que prometem blindar contratos públicos

A Atricon e o Instituto Rui Barbosa divulgaram uma Nota Técnica com 29 enunciados e recomendações para aperfeiçoar as contratações públicas à luz da Lei nº 14.133/2021. O documento organiza diretrizes em quatro eixos — governança, planejamento, fortalecimento dos controles e adoção de recursos tecnológicos — com foco em aumentar a segurança jurídica, a eficiência e a transparência nas compras públicas.

Governança das contratações

Governança trata de quem decide, como essas decisões são tomadas e quem responde por elas. A Nota Técnica reforça a necessidade de atuação efetiva da alta administração, com direção, supervisão e controle preventivo. Isso exige políticas claras, papéis definidos e mecanismos que preservem a continuidade administrativa.

  • Estabilidade e qualificação das equipes: reduzir a rotatividade para preservar conhecimento técnico e melhorar decisões;
  • Integração entre áreas: jurídico, controle interno e unidades requisitantes devem atuar de forma articulada desde o planejamento;
  • Normativos e manuais: padronização de procedimentos para reduzir interpretações divergentes;
  • Instâncias técnico-consultivas: apoio em decisões complexas e critérios objetivos para designações.

Sem governança robusta, processos ficam fragmentados, aumentando riscos de irregularidades, litígios e paralisações contratuais. As recomendações visam criar estruturas institucionais com atribuições claras e capacitação contínua.

Planejamento das contratações

Planejar significa alinhar contratações às necessidades reais da administração e ao ciclo orçamentário. A Lei 14.133/2021 já exige planejamento técnico e justificado, e a Nota Técnica detalha práticas para tornar esse requisito operacional.

  • Reabertura de prazos: se alteração no edital impacta a competitividade, os prazos devem ser reabertos para preservar isonomia;
  • Adesão a atas de registro de preços: exigir demonstração de vantagem econômica para justificar adesões;
  • Definição de regimes e critérios de medição: evitar divergências na entrega, fiscalização e pagamento.

Recomenda-se o fortalecimento da cultura de planejamento com apoio da alta administração, criação de unidades especializadas, checklists de conformidade e ferramentas eletrônicas que integrem o Plano de Contratações Anual ao orçamento, reduzindo retrabalhos e aditivos.

Fortalecimento dos controles

O documento indica a adoção do Modelo das Três Linhas de Defesa para segregar responsabilidades e qualificar o controle nas contratações. Isso implica independência técnica, formalização de procedimentos e critérios objetivos para revisões e penalidades.

  • Primeira linha: gestão operacional que executa os contratos;
  • Segunda linha: áreas de risco, compliance e suporte ao monitoramento;
  • Terceira linha: auditoria interna e controle independente que avalia e garante.

A Nota destaca também a necessidade de formalizar alterações contratuais, comprovar capacidade técnica em subcontratações e instaurar processos administrativos para responsabilização, mesmo quando não há prejuízo direto ao erário — medidas que fortalecem a cultura de accountability.

Recursos tecnológicos e gestão de dados

Tecnologia deve ser entendida como instrumento de gestão de dados, integração de sistemas e rastreabilidade. A Nota recomenda preferência por licitações eletrônicas e a adoção de plataformas interoperáveis, com critérios claros de segurança, auditabilidade e proteção de dados.

  • Transparência: registros eletrônicos auditáveis aumentam publicidade e controle;
  • Competitividade: sistemas eletrônicos ampliam o alcance e atraem mais fornecedores;
  • Integração de dados: interoperabilidade reduz inconsistências e evita retrabalho.

As recomendações incluem estudar tecnicamente cada contratação de solução digital, capacitar usuários, estruturar equipes de TI e usar ferramentas de inteligência de dados para monitoramento e detecção precoce de riscos e irregularidades.

Como transformar recomendações em ação

Para que as orientações não fiquem apenas no papel, a Nota sugere passos práticos:

  • Diagnóstico institucional: identificar lacunas em governança, competências e tecnologia;
  • Plano de capacitação: treinar equipes em planejamento, gestão contratual e uso de sistemas;
  • Normativos internos e checklists: traduzir enunciados em procedimentos executáveis;
  • Pilotos tecnológicos: iniciar por módulos críticos antes de migrar sistemas por completo;
  • Monitoramento contínuo: estabelecer métricas e auditorias periódicas para ajustar práticas.

Esses passos ajudam a institucionalizar mudanças, garantir aprendizado organizacional e reduzir a execução fragmentada das recomendações.

Conclusão

A Nota Técnica da Atricon e do IRB, com 29 enunciados distribuídos em quatro eixos, funciona como um manual prático para operacionalizar a Lei 14.133/2021. Ao reforçar governança, planejamento, controles e uso de tecnologia, o documento orienta gestores a reduzir riscos, aprimorar a eficiência e aumentar a segurança jurídica nas contratações públicas.

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