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IA pressiona data centers: Pecém, R$12 bi e o desafio de energia e água

data centers sustentam a economia digital: entenda desafios de energia, água e regulação no projeto de Pecem e no Brasil.

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IA pressiona data centers: Pecém, R$12 bi e o desafio de energia e água

Por dentro dos data centers

A corrida pela inteligência artificial e pela nuvem transformou galpões de servidores em infraestrutura estratégica — ativos tão relevantes quanto estradas ou portos. Neste artigo, você vai entender por que data centers viraram o coração físico da economia digital, quais são os gargalos para crescer no Brasil e que soluções tecnológicas e regulatórias estão em jogo.

Crescimento global e no Brasil

Data centers alimentam tudo que fazemos online: buscas, streaming, transações bancárias e, cada vez mais, modelos de IA generativa que exigem processamento massivo. No mundo, polos tradicionais (Virginia do Norte, Londres, Frankfurt, Amsterdã) já operam perto do limite, empurrando investimentos para novas regiões.

Na América Latina, a capacidade instalada de colocation soma cerca de 1,1 gigawatt (GW) — um avanço de 16% desde 2019 — com 683 MW em construção e um pipeline superior a 3,8 GW. No Brasil há, segundo relatório da consultoria Newmark, 183 data centers em operação e 18 pontos de ancoragem de cabos submarinos (a maioria em Fortaleza), que conectam o País às rotas internacionais de tráfego de dados.

O eixo paulista (Campinas, Barueri, Santana de Parnaíba, Vinhedo) segue sendo o principal hub, pela proximidade com clientes e a densidade de fibra óptica. Mas surgem polos com vantagens específicas: Fortaleza por cabos submarinos; Sul e Nordeste por oferta de energia renovável e tarifas competitivas.

Omnia e o projeto de Pecém: escala e ambição

Um projeto símbolo desse movimento é a plataforma Omnia, do Pátria Investimentos, que começou a erguer um data center em Pecém (CE) com capacidade inicial de 200 MW e potencial para 1 GW — e previsão de investimento de cerca de R$ 12 bilhões. A proposta promete operação abastecida por fontes renováveis e foco em exportação de serviços digitais.

Grande centros como esse podem transformar regiões: atraem provedores de nuvem, empresas de conteúdo e geram demanda por mão de obra especializada em redes, energia e refrigeração.

O que é Colocation e Hyperscale (explicando o básico)

  • Colocation: empresas alugam espaço, racks e energia em um data center para abrigar seus próprios servidores. Serve bem para quem quer controle sobre hardware sem investir em prédio e infraestrutura crítica.
  • Hyperscale: instalações gigantes projetadas para escalar horizontalmente — milhares de servidores, rede de alta capacidade e automação. São usadas por grandes provedores de nuvem e empresas de IA que precisam crescer rápido e processar enormes volumes de dados.

Energia: o principal gargalo

Grandes complexos de IA podem consumir mais de 100 MW — energia suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 300 mil habitantes. Em locais consolidados no exterior, data centers já respondem por 5% a 10% do consumo elétrico total, pressionando redes e exigindo investimentos em transmissão e geração.

No Brasil, a matriz elétrica é relativamente limpa (alto percentual de renováveis), o que é atrativo para investidores. O problema aparece na prática: liberar acesso à rede, obter conexão com subestações e negociar capacidade pode ser lento e tecnicamente complexo. Sem garantias de fornecimento firme, projetos grandes ficam vulneráveis.

Soluções em discussão incluem contratos de fornecimento de longo prazo (PPAs) com geradores renováveis, microgrids locais, baterias para suavizar picos de demanda e planejamento integrado entre operadores de rede e empreendedores.

Água e refrigeração: por que importa

Um grande data center tradicional pode usar entre 1 milhão e 5 milhões de litros de água por dia quando recorre a sistemas evaporativos (torres de resfriamento). Isso provoca conflitos em regiões com restrição hídrica e aumenta a necessidade de alternativas.

Tecnologias para reduzir o impacto incluem resfriamento em circuito fechado, refrigeração líquida direta (direct-to-chip) e free cooling (resfriamento por ar externo). Essas soluções aumentam a eficiência térmica e reduzem o consumo de água, embora elevem o custo inicial do projeto.

No projeto de Pecém, a Omnia optou por circuito fechado e projeta consumo máximo de cerca de 20 metros cúbicos (20.000 litros) por dia — muito abaixo da média tradicional. Desse total, 3 m³ seriam para refrigeração direta; os demais para uso predial. O exemplo mostra como design e tecnologia podem diminuir o impacto hídrico, mas elevam o CAPEX.

Regulação, tributos e incentivo: o marco necessário

Licenciamento ambiental, regras de zoneamento e autorização para subestações e geradores emergenciais são itens que determinam a viabilidade de um data center. A falta de clareza e a morosidade afastam investidores.

No Brasil, houve movimento regulatório recente: a Política Nacional de Data Centers e o Regime Especial de Tributação (Redata) foram propostos para reduzir encargos mediante contrapartidas ambientais e investimentos em P&D. A proposta original saiu como Medida Provisória nº 1.318/2025 e depois foi reapresentada como Projeto de Lei nº 278/2026, em tramitação.

Tecnologia, custos e trade-offs

Escolher entre custo operacional e custo de capital é um dilema recorrente. Soluções de baixo consumo de água e alta eficiência energética geralmente aumentam o investimento inicial, mas reduzem despesas operacionais (OPEX) e riscos reputacionais no longo prazo.

Além disso, estratégia de conexão (fibra, cabos submarinos, pontos de presença) afeta latência e mercado atendido. Fortaleza e São Paulo aparecem como pontos estratégicos por motivos distintos: interconexão internacional versus densidade de demanda.

Conclusão

O crescimento dos data centers no Brasil é real e acelerado: há espaço para projetos bilionários, mas a equação técnica, ambiental e regulatória precisa bater. Energia limpa, designs que reduzam consumo de água e regras claras são requisitos para que investimentos como o de Pecém se multipliquem.

Quer ficar por dentro das transformações que movem a economia digital e preparar sua carreira para essas oportunidades? Acompanhe o conteúdo da Descomplica — a gente descomplica o tema e mostra o que importa para você se atualizar.

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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn