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Geração Z: a mais preparada da história — e a mais subempregada

Geração Z é altamente qualificada, mas muitos jovens aceitam vagas abaixo da sua formação no mercado de trabalho.

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Geração Z: a mais preparada da história — e a mais subempregada

A Geração Z chegou ao mercado com níveis de instrução mais altos do que gerações anteriores, mas muitos jovens acabam aceitando vagas abaixo da sua qualificação. Esse desalinhamento entre formação e oportunidade — frequentemente chamado de overqualification ou subemprego — gera frustração individual e desperdício de capital humano para empresas e para a economia.

O que significa subemprego e overqualification

Subemprego refere-se a situações em que a ocupação não exige o mesmo nível de qualificação que o trabalhador possui. Overqualification descreve quando a educação ou experiência do profissional excede o que o cargo demanda. Ambos os fenômenos resultam em subutilização de competências e podem afetar desempenho, motivação e carreiras no longo prazo.

Causas principais

  • Expansão da educação formal: a oferta de cursos técnicos e de graduação cresceu, formando mais jovens com base teórica, mas nem sempre existem vagas com requisitos alinhados.
  • Requisitos irreais de experiência: muitas vagas pedem experiência prévia mesmo para posições de entrada, criando um círculo vicioso para recém-formados.
  • Inflação de credenciais: cargos que antes pediam ensino médio agora exigem diploma ou certificações adicionais, saturando o mercado e elevando a competição.
  • Desajuste entre formação e demanda: currículos acadêmicos podem ficar defasados em relação às tecnologias e competências exigidas pelo mercado.
  • Condições macroeconômicas: crescimento econômico lento, automação e aumento do trabalho informal reduzem o número de vagas de qualidade.

Consequências para jovens e empresas

Para o jovem, aceitar uma vaga abaixo do nível de qualificação tende a reduzir ganhos futuros, atrasar progressão de carreira e aumentar insatisfação. Para as empresas e a economia, há desperdício de capital humano: talentos são subutilizados, produtividade pode cair e a rotatividade aumenta. Socialmente, níveis elevados de frustração entre jovens podem levar à migração de talentos, empreendedorismo de necessidade e aumento do desemprego oculto.

O que as empresas (RH) devem fazer — práticas concretas

  • Revisar critérios de seleção: priorizar habilidades demonstradas (portfólios, projetos, avaliações práticas) em vez de focar apenas em diplomas e anos de experiência.
  • Contratação por competências: adotar provas práticas, desafios e entrevistas por competências para avaliar potencial real de entrega.
  • Programas estruturados de trainees e estágios: oferecer mentoria, metas claras e rotação entre áreas para desenvolver recém-formados internamente.
  • Investir em upskilling e reskilling: formar colaboradores internamente para suprir lacunas técnicas e comportamentais em vez de procurar candidatos “prontos”.
  • Carreiras flexíveis: mapear trajetórias que permitam crescimento mesmo a partir de posições iniciais consideradas abaixo do nível de formação.

Boas práticas de contratação

  • Adotar blind hiring em etapas iniciais para reduzir vieses relacionados a instituições ou idade.
  • Oferecer contratos de curto prazo ou provas de conceito (3–6 meses) para avaliar fit antes de comprometer uma vaga sênior.
  • Formalizar parcerias com universidades para alinhar currículos às necessidades reais do setor e receber talentos com experiência prática.

O que jovens profissionais podem fazer — guia prático

  • Construa evidências: desenvolva portfólios, projetos pessoais, contribuições em código, pesquisas ou trabalhos voluntários que mostrem resultados concretos.
  • Priorize aprendizagens acionáveis: cursos curtos, microcredentials e bootcamps que ensinem ferramentas e entregáveis práticos ajudam a reduzir o gap entre teoria e mercado.
  • Networking estratégico: participe de estágios, programas de mentoria, meetups e hackathons para se aproximar de oportunidades reais.
  • Mostre impacto: em entrevistas, fale de resultados, métricas e problemas resolvidos — isso pesa mais que simplesmente listar anos de experiência.
  • Seja flexível, mas com plano: aceitar uma vaga de entrada pode fazer sentido se houver horizonte claro de desenvolvimento e promoções.

Exemplos e modelos de sucesso

Programas de apprenticeship que combinam formação e trabalho, projetos acadêmicos em parceria com empresas e trainees com rotação por áreas são modelos que mostram bons resultados. Empresas que investem em trilhas internas de desenvolvimento retêm talentos com mais eficiência e reduzem a necessidade de buscar candidatos já “prontos” no mercado.

Conclusão

A Geração Z trouxe para o mercado um capital humano mais qualificado, mas o sistema de seleção, formação e contratação ainda precisa se adaptar. Revisar processos de RH, investir em aprendizagem contínua e firmar parcerias entre empresas e instituições de ensino transforma excesso de qualificação em vantagem competitiva. Para profissionais de RH e jovens que querem reduzir o gap entre formação e oportunidade, estratégias práticas e ações concretas podem fazer a diferença.

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