ERS-437 ganha R$130M e vira rota mais segura na Serra — 16,6 km requalificados
Obra e escopo
A requalificação de 16,6 km da ERS-437, na Serra gaúcha, avança com um aporte superior a R$ 130 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Dividida em dois lotes, entre Vila Flores, Rio da Prata e o distrito de Santana (Antônio Prado), a obra combina pavimentação, 19 contenções e dispositivos de drenagem com o objetivo de aumentar a resiliência da via frente a eventos meteorológicos extremos.
Detalhes por trecho
No primeiro lote, de 9,2 km entre Vila Flores e Rio da Prata (investimento de R$ 61,8 milhões), parte do calçamento em paralelepípedos será preservada entre o km 0,7 e o km 4 por condicionante da licença ambiental, protegendo o entorno da Capela Nossa Senhora do Caravaggio. Também estão previstas três contenções — duas em muro de gabião e uma em solo grampeado — além da implantação de revestimento asfáltico entre o km 4 e o km 9,2.
Serviços já executados incluem regularização do subleito, implantação de sub-base em macadame, construção de bueiros, cortes em rocha e terraplenagem; em curso estão drenagem, perfuração, desmonte de rochas e a contenção em solo grampeado.
Pavimentação e proteção até Santana
No segundo lote, de 7,4 km entre Rio da Prata e o distrito de Santana, o investimento soma R$ 68,3 milhões e prevê 16 contenções, a instalação de 45 bueiros (diâmetro mínimo de 600 mm), alteamento da rodovia entre o km 10,8 e o km 11,76 e o enrocamento no lado direito da pista para proteger contra cheias do Rio das Antas.
Entre os serviços concluídos estão terraplenagem, execução de bueiros e implantação de drenos e muros de gabião. Em andamento permanecem corte e aterro em rocha, escavação de galeria, concretagem de bueiro, montagem de gabiões, execução de drenos, remanejamento de postes e transplante de xaxins, etapa prévia à supressão vegetal autorizada pelo licenciamento ambiental.
Técnicas usadas e significado
Gabião: estruturas em malha metálica preenchidas com pedras que estabilizam taludes e permitem drenagem, reduzindo pressão hídrica contra o talude.
Solo grampeado: ancoragens metálicas inseridas no maciço de solo para aumentar a coesão e a resistência do talude sem grandes muros de concreto.
Enrocamento: deposição de pedras de grande porte para proteger margens e taludes contra erosão por correntezas.
Bueiros e drenos: condutos que garantem o escoamento adequado da água superficial e subsuperficial, essenciais para evitar erosão e perda de base do pavimento.
Subleito e macadame: a regularização do subleito e a implantação de sub-base em macadame melhoram a capacidade de suporte e a drenagem, aumentando a vida útil do revestimento.
Impactos práticos
As intervenções aumentam a segurança viária ao reduzir risco de deslizamentos e pontos de alagamento, diminuem interrupções de tráfego em eventos extremos, e reduzem custos logísticos para produtores e comerciantes da região. A manutenção do calçamento em paralelepípedos preserva valor histórico e pode fortalecer o turismo local.
Além disso, obras desse porte geram empregos na fase de execução e tendem a valorizar imóveis e negócios locais pela melhora na acessibilidade e confiabilidade da via.
Licenciamento e cuidado ambiental
O projeto seguiu condicionantes do licenciamento ambiental, com ações como transplante de xaxins e preservação de trechos patrimoniais. Essas medidas procuram conciliar intervenção técnica e proteção ambiental e cultural, reduzindo impactos e atendendo exigências legais.
Conclusão
A requalificação da ERS-437 mostra como um projeto técnico, com investimentos e atenção ao licenciamento, pode transformar uma via vulnerável em uma rota mais resiliente e segura. Com técnicas de contenção, drenagem e proteção contra cheias, a rodovia ganha maior durabilidade e confiabilidade para moradores, logística e turismo.
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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn
