Embedded insurance vai vender sem vendedor: a tech que muda os seguros
Em entrevista ao podcast Brick by Brick, Emmanuel Pelège, CEO da BNP Paribas Cardif no Brasil, traçou um panorama claro sobre como o mercado de seguros está se transformando. Pelège retomou a trajetória da Cardif no país, destacou o papel das parcerias B2B2C e affinity na expansão do negócio e enfatizou que o avanço do embedded insurance, apoiado por tecnologia e dados, vai redesenhar a forma como produtos de risco são oferecidos ao consumidor.
Cardif no Brasil: crescimento apoiado em parcerias
Parte do grupo BNP Paribas, a Cardif construiu sua operação no Brasil ao longo de mais de duas décadas. Segundo o executivo, a subsidiária brasileira alcançou cerca de R$ 4 bilhões em faturamento em 2024, com prêmios mensais da ordem de R$ 350 milhões. Mais do que números, esse crescimento reflete um modelo de negócios centrado em parcerias estratégicas: canais affinity e formatos B2B2C onde a seguradora atua em conjunto com bancos, plataformas digitais e parceiros corporativos.
Pelège ressalta que essas parcerias exigem confiança e alinhamento de visão. Cada parceiro traz uma jornada do cliente distinta e, portanto, demanda uma proposta de valor adaptada. Para executivos e gestores, isso significa priorizar governança, integração técnica e clareza sobre responsabilidades entre os parceiros.
O que é embedded insurance e por que importa
Embedded insurance consiste em incorporar a oferta de seguro diretamente na jornada de compra do cliente dentro de uma plataforma digital — seja no momento da aquisição de um produto, na contratação de um serviço ou na finalização de uma transação financeira. A grande diferença em relação ao modelo tradicional é que o seguro deixa de ser um produto buscado ativamente pelo consumidor e passa a ser uma opção contextual, relevante e muitas vezes pré-selecionada.
Para empresas que vendem produtos digitais, marketplaces e instituições financeiras, isso cria uma oportunidade de monetização e fidelização. Para seguradoras, é um canal de escala que exige, no entanto, produto e tecnologia alinhados à simplicidade que o ambiente digital demanda.
Tecnologia, produtos simples e experiência do usuário
Pelège destaca que, no ambiente digital, não há um vendedor para detalhar o produto. Por isso, o seguro precisa ser:
- Simples e transparente: linguagem clara, coberturas objetivas e fácil compreensão dos benefícios;
- Bem integrado à jornada: oferta contextual no momento certo, com underwriting e compra em poucos passos;
- Suportado por tecnologia robusta: APIs, integração em tempo real e automação de processo para reduzir atrito;
- Guiado por dados e IA: personalização de ofertas, precificação dinâmica e detecção de fraudes com maior eficiência.
Na prática, isso implica investimento em plataformas digitais, capacidade de orquestrar APIs entre parceiros e seguradora, e foco em UX para que o cliente atinja a conversão sem precisar de suporte presencial.
O papel da inteligência artificial e dos dados
Segundo Pelège, o uso de dados e IA é central para personalizar ofertas e melhorar eficiência operacional. Modelos preditivos podem identificar perfis mais propensos a aceitar cobertura, ajustar preços de forma mais precisa e automatizar análise de sinistros. Mas essa vantagem exige governança de dados, respeito às regras locais e investimento em capacidades analíticas.
Além disso, a estratégia global precisa conciliar aprendizado centralizado do grupo com adaptação local: cada mercado tem regras, comportamento do cliente e parceiros específicos que exigem lideranças locais e decisões contextualizadas.
Implicações para empresas e profissionais
Para executivos de fintechs, varejo e bancos, as principais implicações são:
- Planejar integração técnica desde o início, com APIs bem definidas e SLAs claros;
- Desenvolver produtos modulares, fáceis de explicar em poucas palavras;
- Estabelecer métricas compartilhadas com parceiros para medir conversão, churn e satisfação;
- Investir em governança de dados e em modelos que equilibrem personalização e conformidade regulatória.
Para profissionais que atuam em seguros e gestão, há uma janela de oportunidade para ampliar habilidades em tecnologia, dados e parcerias comerciais — competências que passam a ser centrais para a distribuição moderna de seguros.
Como começar a aplicar embedded insurance
Passos práticos para organizações que querem explorar o tema:
- Mapear jornadas: identificar pontos de contato onde o seguro agrega valor ao cliente;
- Pilotar ofertas simples: começar com coberturas limitadas e testes A/B para entender aceitação;
- Construir integração técnica: APIs, sandbox para parceiros e automação do processo de venda e sinistro;
- Estabelecer acordos comerciais claros: remuneração, responsabilidades e métricas de sucesso entre as partes;
- Escalar com dados: usar os primeiros resultados para treinar modelos e otimizar campanhas e pricing.
Conclusão
O relato de Emmanuel Pelège deixa claro que o futuro dos seguros passa pela integração com plataformas digitais, por produtos mais simples e por uso intensivo de dados e IA. Embedded insurance não é apenas uma tendência tecnológica: é uma mudança de lógica na forma como o produto é apresentado e capturado — e isso exige transformação em produto, tecnologia e cultura de parceria.
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