Editoras decolam com software livre: Liber e Publitik mostram o futuro
Editoras reinventam processos com código aberto
O mercado editorial brasileiro tem um problema antigo: muitas casas dependem de planilhas, sistemas proprietários caros ou soluções fragmentadas que não conversam entre si. O episódio #436 do Podcast do PublishNews trouxe uma conversa prática sobre como o software livre e o código aberto estão oferecendo alternativas reais — com exemplos concretos como o Liber e o Publitik — para recuperar autonomia, reduzir custos e acelerar inovação.
O que é software livre e por que importa
Software livre não é só “grátis”. É um modelo de desenvolvimento em que o código-fonte fica disponível para ser usado, estudado, modificado e distribuído. Historicamente, esse movimento ganhou força nas décadas de 1980 e 1990 e hoje sustenta grande parte da infraestrutura digital: estudos apontam que mais de 90% das aplicações modernas usam componentes open source.
Para editoras, isso traz três vantagens claras:
- Autonomia: você não fica preso a um fornecedor; pode adaptar o sistema às suas regras de negócio.
- Transparência e continuidade: o código aberto facilita auditoria e reduz o risco de uma solução desaparecer porque o fornecedor fechou.
- Custo e colaboração: custos de licenciamento podem cair e esforços de desenvolvimento podem ser compartilhados por várias casas.
Termos práticos: ERP (Enterprise Resource Planning) é um sistema integrado de gestão — no caso das editoras, abrange desde consignação e estoque até direitos autorais, catálogo e emissão de notas fiscais. Odoo Community é uma versão open source de um ERP muito usado, citada como base do Liber.
Liber: o ERP open source das editoras
O Liber nasceu na Editora Hedra a partir da necessidade real de ajustar processos que soluções prontas não cobriam. A equipe usou o Odoo Community desde 2016 e, ao atender várias pequenas editoras via o EdLab Press, percebeu que o sistema precisava escalar e se adaptar a operações diferentes. Assim surgiu o Liber — um sistema de gestão (ERP) concebido para a realidade editorial brasileira e lançado em código aberto. Conheça: Liber.
O que o Liber propõe:
- Um ERP customizável para fluxo editorial: consignação, direitos autorais, catálogo, faturamento.
- Código aberto, para que outras editoras possam adotar, adaptar e contribuir.
- Um caminho colaborativo: a ideia é que várias casas utilizem a mesma base e melhorem recursos para todos — como disse Jorge Sallum, a intenção é “ir a um café e discutir o que poderia ser melhor”.
Vantagens práticas para pequenas e médias editoras incluem reduzir retrabalho, consolidar dados (evitando planilhas soltas) e permitir integrações com marketplaces, distribuidoras e sistemas de pagamento por meio de APIs. Limitações e cuidados: manter código, garantir segurança e oferecer suporte exige investimento; por isso modelos híbridos são comuns, com núcleo open source e serviços pagos de implementação e suporte.
Publitik: informação e transparência para o mercado
O Publitik surge como uma plataforma de informações construída também com princípios de abertura e colaboração. Enquanto o Liber cuida da operação das editoras, o Publitik mira a camada de informação do mercado — dados, rankings, sinais de venda e comunicação entre agentes. Veja: Publitik.
Plataformas assim aumentam a eficiência do ecossistema: dados padronizados melhoram tomada de decisão, visibilidade de catálogo e analisabilidade do mercado. A integração entre sistemas de gestão (ERP) e plataformas de mercado/metadata é um passo natural.
Desafios reais: governança, segurança e sustentabilidade
Nem tudo é mágica. Adotar software livre exige planejamento e infraestrutura de apoio:
- Governança do projeto: é preciso definir quem mantém o código, como são priorizadas as melhorias e como lidar com contribuições externas.
- Segurança e conformidade: código aberto não é automaticamente seguro. Atualizações, testes e boas práticas de DevOps continuam essenciais.
- Sustentabilidade financeira: projetos open source costumam adotar modelos como suporte pago, hospedagem SaaS, consultoria ou parcerias institucionais para se manter.
Para o mercado editorial brasileiro, outro ponto crítico é a padronização de interoperabilidade — garantir que ERPs, plataformas de dados e lojas conversem usando padrões e APIs bem definidas.
Como começar: checklist prático para editoras
- Mapear processos-chave (consignação, direitos, catálogo, financeiro).
- Avaliar dados atuais: estão em planilhas? em sistemas legados? qual o formato?
- Testar uma instância do Liber ou outra solução open source para um setor-piloto.
- Definir governança: quem cuida das atualizações, quem testa e quem entra em contato com a comunidade.
- Planejar integrações: APIs, exportação ONIX, rotinas de faturamento e ETL para relatórios.
- Estudar modelos de sustentabilidade: suporte pago, hospedagem ou contratação de consultoria.
Conclusão
O caso do Liber e do Publitik mostra que o caminho do código aberto no mercado editorial não é uma teoria distante — é prática em curso. Há ganhos reais em autonomia, redução de custos e colaboração, mas também exigências de governança e recursos técnicos. Se sua editora quer sair das planilhas e ganhar escala, começar por um piloto com software livre é uma alternativa sensata.
Quer se aprofundar? Na Descomplica a gente tira o complicado do caminho: acompanhe nossos conteúdos sobre tecnologia e inovação para entender como transformar processos editoriais com software livre. Ouça o episódio completo do Podcast do PublishNews para ouvir a conversa na íntegra e ver exemplos práticos do Liber e do Publitik.
Fonte:Fonte
Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn
