Referências sem confusão
Em provas de inglês, especialmente no ENEM, uma habilidade que faz muita diferença é perceber a quem ou ao que uma palavra se refere dentro do texto. Isso vale para pronomes como it, they, this, that, mas também para expressões como the issue, the trend ou the result, que retomam ideias já apresentadas. Quando o aluno entende essas retomadas, consegue ler com mais segurança sem depender de tradução palavra por palavra.
Esse tipo de leitura dialoga com a ideia de coerência e coesão textual. A gramática, nesse caso, não aparece como lista de regras isoladas, mas como apoio para a compreensão global. O INEP, na matriz de referência do ENEM, valoriza justamente a capacidade de interpretar sentidos em diferentes gêneros textuais, o que inclui reconhecer relações entre partes do texto e acompanhar como as ideias se conectam.
Um exemplo simples ajuda a visualizar: The city reduced car use. This helped improve air quality. Em português, a frase fica: “A cidade reduziu o uso de carros. Isso ajudou a melhorar a qualidade do ar.” Aqui, This retoma a ação anterior. Se o estudante não percebe essa ligação, pode achar que “isso” é algo novo, quando na verdade é a consequência do que acabou de ser dito.
Outro caso muito comum é o uso de it. Veja: Many students find English difficult, but it becomes easier with practice. Tradução natural: “Muitos alunos acham inglês difícil, mas ele fica mais fácil com prática.” O it não aponta para uma coisa física; ele retoma a ideia de “aprender inglês” ou a própria matéria, conforme o contexto. É por isso que o sentido nunca deve ser tirado de forma automática: a palavra certa depende do texto ao redor.
Por que isso cai em prova?
No ENEM, textos em língua estrangeira costumam cobrar leitura estratégica. Se o estudante identifica referências, elimina dúvidas rapidamente e entende melhor a intenção do autor. Em vez de se prender a cada palavra desconhecida, ele acompanha a linha de raciocínio. Isso é importante porque questões de inglês frequentemente pedem interpretação de título, ideia central, opinião implícita, relação entre parágrafos ou significado de trechos específicos.
Além disso, reconhecer referências evita um erro muito comum entre brasileiros: tentar traduzir tudo isoladamente. Em muitas situações, a resposta não está em uma palavra sozinha, mas na relação entre frases. Em termos de estudo, isso combina com a proposta de aprendizagem significativa, de David Ausubel, que defende a importância de conectar o novo conteúdo ao que já se sabe. No caso do inglês, o aluno lê melhor quando liga pronomes, substantivos e ideias anteriores em vez de decorar estruturas soltas.
Segundo a Cambridge Dictionary, pronomes e expressões referenciais servem para evitar repetição e manter a fluidez do discurso. Na prática, isso quer dizer que o texto “economiza” palavras, e o leitor precisa recuperar o referente pelo contexto. Já o Oxford Learner’s Dictionaries ajuda a confirmar que palavras como this, that e it podem cumprir funções diferentes conforme a frase. Ou seja: o sentido é textual, não mecânico.
Como reconhecer o referente passo a passo
Você pode usar um método simples na hora da leitura:
- 1. Leia a frase inteira antes de tentar traduzir qualquer pronome.
- 2. Procure a frase anterior e veja qual ideia faz sentido como retomada.
- 3. Verifique número e gênero: they retoma plural; it retoma singular ou ideia geral.
- 4. Observe a função do termo: às vezes ele retoma um objeto; outras vezes, uma ação, um fato ou uma situação.
- 5. Releia o trecho com a substituição mental do referente para testar se o sentido continua coerente.
Veja um exemplo prático: Some people avoid the news because it makes them anxious. Em português: “Algumas pessoas evitam as notícias porque elas as deixam ansiosas.” O pronome it retoma the news. Se o aluno trocasse esse referente por outra palavra do texto, perderia o sentido da causa. É por isso que a leitura em inglês exige atenção à estrutura e ao encadeamento das ideias.
Outro exemplo: Maria studied for the test, and this improved her confidence. Tradução: “Maria estudou para a prova, e isso melhorou sua confiança.” Aqui, this não significa “este” no sentido físico, mas “essa ação”. Em texto, é muito comum que this e that retomem uma situação anterior, não um objeto próximo ou distante.
Erros comuns que derrubam a compreensão
Um erro frequente é achar que todo it significa “isso”. Nem sempre. Em It is raining, por exemplo, o pronome é apenas uma estrutura impessoal; a tradução natural é “Está chovendo”. Outro erro é supor que they sempre se refere a pessoas. Em muitos textos, pode retomar instituições, grupos, ideias ou fenômenos, dependendo da construção.
Também vale cuidado com a tradução literal. A frase This means a lot não deve ser lida palavra por palavra como “isso significa muito”; em português, dependendo do contexto, pode soar melhor como “isso é muito importante” ou “isso tem grande valor”. A interpretação correta nasce do contexto, não de uma versão mecânica.
Um ponto útil para o vestibulando é lembrar que esse tipo de questão conversa com leitura global. Se você consegue seguir quem faz o quê, quem retoma quem e qual ideia está sendo ampliada, a compreensão do texto melhora muito. Na prática, isso ajuda tanto no ENEM quanto em vestibulares que cobram análise de passagens mais curtas, mas igualmente dependentes de referência textual.
Como estudar esse tema sem decorar demais
Uma boa forma de treinar é pegar textos curtos em inglês e sublinhar os pronomes e expressões de retomada. Depois, escreva ao lado o referente em português. Por exemplo: this = “essa ideia”; they = “essas pessoas”; it = “isso / esse fato / a situação”. Esse exercício parece simples, mas melhora bastante a autonomia na leitura.
Outra dica é trabalhar com perguntas como: “O que essa palavra está retomando?” e “Se eu substituir por uma expressão maior, o texto continua fazendo sentido?”. Esse tipo de checagem treina exatamente a habilidade que o ENEM costuma explorar: interpretar relação entre partes do texto.
Se você quiser evoluir no inglês do ENEM, pratique referências textuais com calma, sempre em contexto. Quanto mais você enxergar como as ideias se conectam, menos vai depender de tradução literal — e mais vai conseguir ler com segurança, precisão e estratégia.
Revisão editorial: TeacherThiago Cabral LinkedIn


