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CDBs: quais bancos evitar antes do próximo calote?

CDBs: saiba quais investimentos os analistas recomendam evitar, os riscos de crédito e o que observar antes de aplicar.

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CDBs: quais bancos evitar antes do próximo calote?

A sequência de liquidações do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno reacendeu um alerta importante: CDBs, mesmo sendo produtos de renda fixa, carregam risco — o principal é o risco de crédito, quando o emissor pode não honrar os pagamentos. Ainda que exista a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ela tem limites e pode demorar para se concretizar, com teto de R$ 250 mil por CPF e instituição e correção dos valores apenas até a data de liquidação.

Quais são os principais riscos?

Analistas consultados destacam sinais que todo investidor deve observar antes de aplicar em CDBs:

  • Retorno muito acima do mercado: ofertas com juros muito elevados em relação a pares do mesmo porte podem indicar dificuldade de captação do banco.
  • Risco de crédito: bancos com carteiras concentradas, alta exposição a setores problemáticos ou baixa qualidade de ativos apresentam maior chance de inadimplência.
  • Limitações do FGC: o ressarcimento pode ser demorado e nem sempre cobre todos os prejuízos, especialmente para quem aplica acima do limite garantido.

Termos que valem atenção

  • Índice de Basileia: mede a capacidade do banco de absorver perdas com capital próprio. Valores próximos ou abaixo do mínimo exigido pelo Banco Central sinalizam menor colchão para enfrentar crises.
  • Liquidez: CDBs com liquidez diária permitem resgate imediato; títulos sem liquidez podem prender o investidor em momentos ruins.
  • Índice de eficiência operacional: quando piora, indica que a instituição gasta mais para gerar receita, fragilizando resultados.
  • Concentração de carteira e alavancagem: exposições elevadas a poucos devedores ou setores tornam bancos mais sensíveis a choques.

Por que esses bancos foram citados?

Os analistas ouvidos pelo Valor Investe apontaram seis instituições cujos CDBs merecem análise cautelosa por diferentes motivos relacionados a governança, capital e qualidade da carteira.

Digimais

O Digimais foi citado por questões de governança: disputas judiciais com fundos de investimento, inconsistências no lastro da carteira identificadas em auditorias e tentativa de venda sem sucesso. Além disso, estrutura de capital fechada limita o acesso a informações fundamentais para avaliar riscos. Quando há falta de transparência ou divergências em auditorias, a recomendação é reduzir a exposição.

Arbi

A Arbi apresentou Índice de Basileia reportado abaixo do patamar citado na reportagem e acumulou prejuízos em exercícios recentes. Segundo analistas, cerca de 95% da carteira estaria classificada como crédito de maior risco. Menor colchão de capital e carteira de alto risco aumentam a probabilidade de perdas e explicam ofertas com juros mais altos.

Omni

A Omni é lembrada por ser pequena, ter estrutura enxuta e, por isso, precisar remunerar investidores acima da média para captar recursos. Analistas apontam deterioração na eficiência operacional e prejuízos anteriores, criando uma equação de custos elevados, alta remuneração e liquidez menor. A instituição apresentou respostas sobre reforço de capital, mas o investidor deve avaliar histórico e consistência dos resultados.

Luso

O Banco Luso foi citado por operar alavancado e ter carteira concentrada em empresas do setor de transporte público, com parte em recuperação judicial. Produtos sem liquidez diária também aumentam o risco para quem precisa resgatar recursos rapidamente diante de notícias ruins.

Paulista

O Banco Paulista carrega histórico de problemas de governança relacionados a fraude no câmbio no passado e, segundo analistas, ainda enfrenta prejuízos acumulados e dívidas concentradas em CDBs. Apesar de aportes do acionista, a instituição busca retomada consistente de lucro.

Sofisa

O Sofisa preocupa por ter devedores concentrados em pequenas e médias empresas do setor automotivo, mais sensíveis ao ciclo econômico, e por depender fortemente de CDBs para captação. Dependência de captação via CDB pode levar à oferta de juros mais elevados, outro sinal de alerta.

Como se proteger ao investir em CDBs

  • Diversifique entre instituições: não concentre todo o dinheiro em um único emissor.
  • Fique abaixo do limite do FGC por banco: quando possível, mantenha aplicações inferiores ao teto garantido para reduzir risco.
  • Prefira liquidez diária: se você precisa flexibilidade, escolha produtos resgatáveis a qualquer momento.
  • Desconfie de juros muito altos: ofertas atraentes podem esconder risco adicional.
  • Cheque indicadores: Basileia, lucro/prejuízo, concentração da carteira e transparência são métricas essenciais para avaliar solidez.
  • Evite financeiras (SCFI) se busca menos risco: essas instituições costumam divulgar menos informações e operar com crédito de maior risco.

Conclusão

CDBs não são automaticamente seguros apenas por serem classificados como renda fixa. Nos casos citados — Digimais, Arbi, Omni, Luso, Paulista e Sofisa —, analistas identificaram sinais que exigem cautela: problemas de governança, capital insuficiente, carteira concentrada e dependência de captação por CDBs. Ler demonstrações financeiras, entender índices bancários e avaliar liquidez ajudam a proteger seu patrimônio.

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