Mercado em alta, desigualdade real
O Brasil fechou 2025 com a menor taxa de desemprego desde 2012, segundo o IBGE. Apesar do bom resultado agregado, a recuperação do mercado de trabalho não foi uniforme: 15 estados registraram taxas de desocupação acima da média nacional e, em alguns lugares, a informalidade atinge quase 60% da força de trabalho.
O retrato por região
Estados como Piauí, Bahia e Pernambuco aparecem entre os que mais sofrem com desemprego, enquanto Mato Grosso, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul registraram os melhores índices. A diferença entre regiões reflete estruturas econômicas distintas: o Centro-Oeste tem visto forte crescimento puxado pela agropecuária; Sul e Sudeste concentram indústrias e serviços mais produtivos, que tendem a gerar mais empregos formais e melhores salários.
Como explica o economista Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre: "Na região Centro-Oeste, a gente tem tido um crescimento da agropecuária muito forte. No Sul e no Sudeste, a gente tem historicamente um retrato maior de uma indústria que também produz mais. A gente vê que até os serviços dentro das regiões Sudeste e Sul são serviços um pouco mais produtivos... produtivos porque acabam gerando valor para a economia maior."
O que significa informalidade na prática
Trabalho informal é aquele sem registro em carteira e sem garantias como FGTS, seguro-desemprego ou contribuições regulares à Previdência. Em seis estados — Maranhão, Pará, Bahia, Piauí, Ceará e Amazonas — a participação de informais é majoritária. No Maranhão, por exemplo, cerca de 6 em cada 10 trabalhadores atuam na informalidade.
Os efeitos são claros: renda média mais baixa, maior instabilidade, dificuldade de acesso a crédito e menor proteção social. A combinação desses fatores limita a capacidade de acumulação de patrimônio e aumenta a vulnerabilidade a crises.
Relatos que explicam números
Por trás das estatísticas estão trajetórias de vida que mostram tanto a resiliência quanto os riscos da informalidade. Almir Costa Pavão trabalha na rua há mais de 30 anos desde que deixou o Maranhão em busca de renda: "Lá não tinha emprego direito para trabalhar. Trabalhar na rua, ganha pouco, mas é aquilo, certinho."
Edson Rodrigues da Silva foi empregado em iluminação pública e foi demitido na pandemia. Há cinco anos trabalha como vendedor ambulante no Centro de Salvador: "Trabalhei em várias situações, já vendi relógio, já vendi mochila. Para ambulante, tirar férias assim, é quando está cansado, fica um dia em casa, dois dias. Depois, volta para rua."
Ao mesmo tempo, histórias como a de Ednaldo Santiago mostram conquistas possíveis mesmo na informalidade: vendedor de tapioca e churros que trabalha de 7h às 19h, Ednaldo conseguiu comprar casa própria — uma prova de esforço e empreendedorismo individual, mas também um lembrete de que conquistas individuais não eliminam a falta de proteção coletiva.
Por que a recuperação foi desigual
- Estrutura econômica: regiões com empresas e setores mais produtivos geram mais vagas formais.
- Educação e qualificação: ausência de mão de obra qualificada dificulta a atração de empresas que pagam melhor.
- Infraestrutura e investimentos: falta de investimentos locais limita o desenvolvimento de cadeias produtivas.
- Impactos de choques: crises e a pandemia afetaram setores e regiões de forma desigual.
Sem ações coordenadas, investimentos em infraestrutura têm impacto limitado se não vierem acompanhados de formação de capital humano capaz de atender às demandas das empresas mais produtivas.
Medidas práticas para reduzir desigualdades
Especialistas apontam caminhos que combinam políticas públicas e iniciativas do setor privado. Algumas ações prioritárias:
- Desenvolvimento regional direcionado: investimentos em transporte, energia e conectividade para integrar mercados e atrair investimentos.
- Qualificação alinhada ao mercado: cursos técnicos e programas de formação profissional pensados para as cadeias produtivas locais.
- Incentivos à formalização: regimes simplificados, microcrédito e serviços de apoio que facilitem a transição do informal para o formal.
- Fomento a setores de maior valor agregado: estímulos a pequenas indústrias e serviços com potencial de gerar empregos formais.
- Proteção social: mecanismos que reduzam o choque na renda de trabalhadores em transição e aumentem a cobertura previdenciária.
Segundo Rodolpho Tobler, "desenvolver a mão de obra dessas regiões é muito importante para que se tenha mão de obra de qualidade, que possa atender também os desejos de empresas que são mais produtivas."
O papel de quem estuda Gestão e Recursos Humanos
Para estudantes e profissionais de RH, entender esse cenário é essencial. Planos de recrutamento, programas de capacitação e estratégias de retenção precisam considerar as especificidades regionais. Profissionais de RH podem ser ponte entre empresas e comunidades locais, mapeando competências e propondo treinamentos que tornem a mão de obra local atraente para empresas de maior produtividade.
Além disso, a atuação em políticas internas que incentivem a formalização e o desenvolvimento de carreiras contribui para reduzir a vulnerabilidade e aumentar a produtividade do trabalho.
Conclusão
A queda do desemprego em 2025 mostra sinais positivos, mas os números agregados escondem desigualdades regionais profundas. Reduzir o abismo entre regiões exige combinação de políticas públicas focadas, investimento em infraestrutura, formação profissional e parcerias com o setor privado. As histórias de Almir, Edson e Ednaldo ilustram tanto a precariedade quanto a capacidade de superação — e mostram por que é urgente transformar ganhos médios em oportunidades reais e estáveis para mais brasileiros.
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