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Anthropic lança plugin jurídico e ameaça deixar lawtechs sem mercado — entenda por quê

Anthropic lançou um plugin jurídico para Cowork que revisa contratos, identifica riscos e pode reduzir a necessidade de lawtechs.

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Anthropic lança plugin jurídico e ameaça deixar lawtechs sem mercado — entenda por quê

A Anthropic anunciou um plugin jurídico para o Cowork que promete revisar contratos, identificar riscos e automatizar fluxos de trabalho relacionados a negociações, conformidade e litígios. Para departamentos jurídicos de grandes empresas, a novidade pode significar ganho de produtividade e redução de custos. Para fornecedores de tecnologia jurídica — as chamadas lawtechs —, porém, a chegada de um grande player de IA com integrações e capacidade de customização representa um risco real ao modelo de negócios.

O que o plugin faz na prática

O novo plug-in foi desenhado para operar diretamente sobre o modelo Claude da Anthropic e se integra a ferramentas como Word, Slack e Box. Entre as funcionalidades destacadas estão:

  • revisão automática de contratos com apontamento de cláusulas de risco;
  • triagem de NDAs e outros documentos para sinalizar problemas potenciais;
  • comparação de versões e análise de playbooks contratuais;
  • automação de workflows que envolvem negociação, conformidade e litígios.

Na prática, essas funcionalidades visam reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas e permitir que advogados e equipes jurídicas foquem em decisões estratégicas.

Por que as lawtechs estão em alerta

Muitas startups e fornecedores especializados construíram produtos que funcionam como camadas por cima de modelos de IA fundacionais. Quando um provedor do nível da Anthropic começa a oferecer capacidades específicas para um setor, surge a questão: por que pagar a um intermediário se a plataforma que fornece o motor de IA já entrega as funcionalidades essenciais?

Esse cenário pressão especialmente empresas cujo diferencial é, de fato, uma combinação limitada de prompts e integrações básicas. Como alguns executivos observam, há o risco de que produtos que oferecem apenas “prompts glorificados” fiquem vulneráveis frente a soluções nativas dos gigantes de IA.

O ponto de vista das equipes jurídicas

Departamentos jurídicos de grandes empresas costumam assinar serviços corporativos de IA (como Claude, GPT ou Gemini). Isso cria a oportunidade de internalizar soluções: em vez de adquirir uma ferramenta separada, o time jurídico pode desenvolver fluxos e integrações internamente, otimizando custos. No entanto, a adoção do plugin da Anthropic não é automática nem trivial.

Profissionais experientes destacam dois pontos críticos:

  • Implementação técnica: o plugin exige conhecimento técnico para integrar e parametrizar corretamente, o que pode gerar custos ocultos com contratações ou consultorias;
  • Integrações e usabilidade: fornecedores especializados costumam investir em integrações prontas e experiências de usuário adaptadas ao mercado jurídico, facilitando a adoção por equipes que não têm times técnicos robustos.

Plataformas versus ferramentas: qual a diferença?

Há uma distinção importante entre aumentar a produtividade individual e oferecer uma plataforma corporativa. Um plugin que potencia tarefas individuais (revisão, triagem, comparação) pode ser extremamente útil no dia a dia do advogado, mas não substitui uma plataforma que agrega dados em escala, gera insights corporativos e orquestra ações automáticas em processos internos.

Plataformas corporativas tráem valor ao conectar múltiplas fontes de dados, armazenar inteligência processual e permitir ações imediatas sobre os resultados. Por isso, alguns fornecedores de tecnologia contratual acreditam que ainda existe espaço para diferenciação — desde que invistam em escala, integrações profundas e base de dados proprietária.

Limitações e riscos do modelo "construa sobre um modelo"

Construir um produto que depende fortemente de um modelo de IA terceirizado traz vantagens (velocidade de desenvolvimento, acesso a capacidade avançada de linguagem), mas também fragilidades. Entre os riscos estão:

  • dependência da política comercial e técnica do provedor do modelo;
  • possibilidade de o provedor oferecer funcionalidades nativas que cannibalizem soluções externas;
  • dificuldade em diferenciar o produto quando a solução base é compartilhada por vários concorrentes.

O que startups e fornecedores de lawtech podem fazer

Para mitigar riscos e se manter relevantes, as lawtechs têm alternativas estratégicas:

  • investir em dados proprietários e modelos de conhecimento específicos do cliente;
  • focar em integrações profundas com sistemas corporativos e fluxos de trabalho exclusivos;
  • oferecer serviço e consultoria que complementem a tecnologia, criando relacionamento estratégico com clientes;
  • desenvolver camadas de compliance, auditoria e explicabilidade que garantam segurança jurídica e conformidade.

Essas ações podem transformar uma ferramenta em uma plataforma com valor único difícil de replicar apenas com um plugin.

O futuro imediato

A Anthropic e outros grandes provedores de IA provavelmente continuarão a expandir ofertas setoriais. Espera-se que as funcionalidades ganhem maturidade em versões futuras, ampliando integrações e recursos. Ao mesmo tempo, fornecedores especializados que se diferenciarem por dados, integrações e serviços de alto valor tendem a sobreviver — e até crescer — em parceria com as plataformas maiores.

Conclusão

O plugin jurídico da Anthropic é um marco importante: mostra como o avanço dos grandes modelos pode reconfigurar cadeias de valor no mercado jurídico. Para lawtechs, o desafio é evoluir de ferramentas pontuais para plataformas com dados proprietários, integrações profundas e serviços que justifiquem a escolha do cliente. Para equipes jurídicas, a decisão entre “construir ou comprar” continuará sendo central, levando em conta custos diretos e ocultos de implementação.

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