53% das empresas vão contratar em Finanças em 2026 — IA e análise dominam
Mais da metade das empresas brasileiras (53%) planeja ampliar contratações nas áreas de Finanças e Contabilidade em 2026. Esse movimento não se resume a um aumento de quadro: reflete a transformação do papel do financeiro, que passa de uma função operacional para um parceiro estratégico capaz de gerar insights a partir de dados e automação.
O que a pesquisa mostra (Robert Half)
Os dados vêm de uma pesquisa da Robert Half com 100 gestores de contratação das áreas financeira e contábil, focada no primeiro semestre de 2026. Entre os pontos principais, 53% das empresas disseram que pretendem aumentar contratações nessas áreas. O ranking das funções com maior demanda aponta:
- 58% – Planejamento e Análise Financeira (FP&A)
- 56% – Contabilidade
- 41% – Folha de Pagamento
- 41% – Controle Financeiro
- 36% – Tributário
- 30% – Auditoria
- 22% – Tesouraria
- 16% – Riscos & Compliance
FP&A lidera a demanda porque as empresas buscam previsibilidade e capacidade de transformar dados em cenários e recomendações. Em tempos de incerteza, quem entrega projeções e análises acionáveis ajuda a otimizar alocação de recursos e a antecipar riscos.
PMEs x grandes empresas: prioridades diferentes
A pesquisa também revela diferenças significativas entre pequenas e médias empresas (PMEs) e grandes corporações na forma de estruturar contratações. Nas PMEs, a prioridade é sustentar a operação financeira e garantir conformidade: busca-se profissionais capazes de organizar processos, montar controles e assegurar a conformidade regulatória. Já nas grandes empresas, o foco está na transformação tecnológica do departamento, com investimentos em automação e ferramentas analíticas para escalar processos e gerar insights mais sofisticados.
Habilidades técnicas mais demandadas
A seguir, as competências que mais aparecem na lista de demandas, separadas por porte:
PMEs (mais demandadas):
- Análise de Dados — 59%
- Análise Financeira — 54%
- Relatórios Financeiros — 53%
- Planejamento Financeiro e Alocação de Recursos — 53%
- Normas/Leis Contábeis Nacionais — 53%
Grandes empresas (mais demandadas):
- Uso de Agentes de IA — 61%
- Uso de Soluções de IA Generativa — 58%
- Excel Avançado — 57%
- Análise de Dados — 55%
- Análise Financeira — 55%
Agentes de IA referem-se a sistemas automatizados que executam tarefas com autonomia assistida, como monitoramento de anomalias ou preenchimento de relatórios. IA generativa descreve modelos capazes de produzir conteúdo novo (texto, código, relatórios) a partir de grandes volumes de dados. A integração dessas tecnologias com ferramentas tradicionais, como Excel avançado, amplia velocidade e alcance da análise.
Habilidades mais valorizadas (o que diferencia candidatos)
Além das demandas imediatas, recrutadores apontam quais competências realmente pesam na seleção:
PMEs (mais valorizadas):
- Uso de Soluções de IA Generativa — 50%
- Conhecimento Tributário — 49%
- Análise Financeira — 45%
- Idiomas — 45%
- Relatórios Financeiros — 43%
Grandes empresas (mais valorizadas):
- Análise de Dados — 48%
- Uso de Soluções de IA Generativa — 47%
- Análise Financeira — 46%
- Idiomas — 45%
- Uso de Agentes de IA — 45%
O que se observa é que análise de dados e competências em IA aparecem tanto nas listas de demanda quanto nas de valorização, sinalizando que quem une conhecimento técnico e capacidade de aplicar ferramentas digitais ganha vantagem competitiva.
O impacto para profissionais e empresas
A função financeira vem evoluindo de atividades transacionais para um papel consultivo e estratégico. Esse movimento foi impulsionado por digitalização e maior disponibilidade de dados, e agora acelera com a adoção em massa de inteligência artificial. A consequência prática é clara: profissionais que combinam fundamentos contábeis e tributários com habilidades analíticas e familiaridade com ferramentas de IA e automação (incluindo Excel avançado) estarão em posição de destaque.
Para as PMEs, o conhecimento tributário e a capacidade de estruturar controles continuam críticos; para grandes empresas, a fluência em agentes de IA e IA generativa tende a ser um diferencial cada vez mais requisitado.
Como resume Daniel Brito, gerente da Robert Half: “O que estamos observando é uma mudança estrutural na função financeira. Apesar do foco operacional nas contratações, as PMEs vêm valorizando cada vez mais habilidades relacionadas à inovação. O conhecimento em tecnologia e o uso de inteligência artificial estão se tornando diferenciais competitivos em todos os contextos de negócios.”
Conclusão
Em 2026, o mercado de trabalho em Finanças deve priorizar funções estratégicas como FP&A e contabilidade, ao mesmo tempo em que exige fluência em análise de dados e ferramentas de IA. Profissionais que desenvolverem essa combinação — domínio técnico, capacidade analítica e adaptação a soluções digitais — terão mais oportunidades e poderão contribuir de forma mais relevante para a tomada de decisões nas empresas.
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