Répteis

Venha conhecer tudo sobre o grupo dos répteis, um diverso grupo de vertebrados com corpo recoberto por escamas.

Os principais representantes do grupo dos Répteis são as tartarugas, os lagartos, as serpentes e os crocodilos. Esses animais vertebrados evoluíram de um ancestral amniota, o mesmo que também deu origem ao grupo dos Mamíferos e das Aves. Esse ancestral apresentava diversas características que permitiram a sobrevivência fora da água.

A presença destas características nos répteis faz com que ele seja considerado o primeiro grupo a conquistar definitivamente o ambiente terrestre. Dentre os traços que permitem essa sobrevivência, podemos citar o corpo recoberto por escamas, o ovo com casca e o tipo de excreta nitrogenada. A classificação dos répteis é feita principalmente pelas diferenças anatômicas dos grupos, como veremos a seguir.

Os lagartos são um grupo que faz parte da Classe dos répteis.

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1. Classificação dos répteis


Na classificação biológica, os répteis formam a Classe Reptilia, atualmente com mais de 10 mil espécies. Ela é formada por quatro ordens com características bem diferentes.

Classificação dos répteis

Relações evolutivas (filogenéticas) entre as ordens dos répteis, também mostrando os mamíferos compartilhando o ancestral em comum e as aves como grupo irmão.

Ordem Testudines (ou Chelonia)

São o grupo das tartarugas, jabutis e cágados. Aliás, esses nomes são nomes populares, e não tem valor taxonômico, porém podemos usar eles para nos referir aos testudines marinhos, terrestres e de água doce, respectivamente.

Ordem Testudines (ou Chelonia)

Da esquerda para direita, uma tartaruga marinha, um jabuti e cágados.

Esses répteis apresentam um casco, formado por carapaça (superior, na região dorsal) e plastrão (inferior, na região ventral). O casco é formado por placas ósseas e são anatomicamente ligados às costelas e músculos. Não possuem dentes, mas sim um bico córneo para alimentação.

Ordem Testudines (ou Chelonia) - 2

Esqueleto de uma tartaruga, mostrando a ligação óssea entre as costelas e a carapaça (esquerda) e um detalhe da cabeça de um cágado com um bico córneo, e não dentes, na boca (direita)

Ordem Rhynchocephalia (ou Sphenodontia)

Essa ordem apresentou uma grande diversidade em outras era geológicas, durante a era Mesozoica, porém atualmente tem uma única espécie representante: Sphenodon, popularmente conhecido como tuatara. Este animal parece um lagarto, porém sua estrutura óssea é bem diferente, principalmente na região do crânio. Esses animais são endêmicos da Nova Zelândia e estão ameaçados por conta da presença de espécies invasoras nas ilhas onde vivem.

Ordem Rhynchocephalia (ou Sphenodontia)

A tuatara é o único representante atual da ordem Rhynchocephalia.

Ordem Squamata

Assim como as tuataras, os Squamatas (ou escamados) têm escamas epidérmicas recobrindo todo o corpo. Uma característica presente neste grupo é o órgão reprodutivo masculino duplo, chamado de hemipênis. Essa ordem é formada por três subordens, bem diferentes entre si.

Ordem Squamata

Diferentes tipos de hemipênis, órgão reprodutivo masculino, encontrado em pares nos Squamata.

Amphisbaenia: Esses répteis não são nem cobras nem lagartos: o grupo das anfisbênias é composto por animais com hábito fossorial (vivem em baixo da terra), e por isso não são tão conhecidos. Os olhos são reduzidos e ficam debaixo das escamas, e também possuem um focinho próprio para cavar. Elas não apresentam patas e o corpo é todo recoberto por escamas quadriculares. São popularmente conhecidos como cobra de duas cabeças.

Amphisbaenia: Esses répteis não são nem cobras nem lagartos

As anfisbênas são animais que não apresentam peçonha e vivem enterradas na maior parte do tempo.

Lacertilla: Essa subordem inclui os lagartos, que apresentam uma grande diversidade de formas e habitats. São exemplos as lagartixas, iguanas, camaleões, dragão de komodo, cobra de vidro (sim, é um lagarto!), calango, teiú, entre outros. Grande parte apresenta dois pares de patas, mas podemos ver alguns com apenas um par de patas ou mesmo sem patas. Apresentam pálpebra e as escamas do corpo possuem tamanho semelhante.

Lacertilla: Essa subordem inclui os lagartos

Na imagem, exemplos da diversidade de lagartos: uma iguana, uma cobra de vidro, um papa vento (anolis) e um camaleão.

Serpentes (ou Ophidia): São répteis com um grande número de vértebras, com corpo cilíndrico e sem patas. Também vivem em diferentes habitats e não apresentam pálpebras e nenhuma pata, se locomovendo ao rastejar. As escamas do ventre são largas e maiores que as escamas do dorso. Apesar da fama de má, a maioria das serpentes não é agressiva nem perigosa, porém como algumas espécies são peçonhentas, deve-se manter distância destes animais, evitando sempre tocá-los.

  • Peçonhento x Venenoso: um animal peçonhento é aquele que consegue inocular uma substância tóxica através de uma estrutura (ex.: dentes das cobras), já um animal venenoso apresenta as substâncias tóxicas em seu corpo, sem a necessidade de inocular ele (ex.: pele do sapo).

As serpentes apresentam diferentes tipos de dentes: chamamos de áglifas quando todos os dentes são iguais, de mesmo tamanho; opistóglifa quando os maiores dentes estão no fundo da boca, proteróglifa quando os maiores dentes são os da frente e solenóglifa quando os dentes da frente são retráteis (articulados) muito maiores em comparação com os outros e a boca pode se abrir até quase 180°.

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Exemplos de serpentes e suas dentições

Exemplos de serpentes e suas dentições: A e B) áglifas; C e D) Proteróglifa; E e F) Solenóglifa; G e H) Opistóglifa.

Serpentes como as jiboias, sucuri e anaconda apresentam dentes áglifos. Serpentes como cobra cipó, dormideira, caninana, jararaquinha do brejo, falsa coral, entre outras, podem apresentar dentes áglifos ou opistóglifos. Já as corais verdadeiras apresentam dentes proteróglifos e as cascavéis, jararacas e surucucu apresentam dentes solenóglifos.

Serpentes como as jiboias, sucuri e anaconda apresentam dentes áglifos

Quatro representantes dos principais grupos de serpentes: uma jiboia, uma cobra verde, uma coral verdadeira e uma cascavel.

Ordem Crocodylia

Os crocodilianos são animais de grande porte que apresentam escamas formadas por placas ósseas. São animais predadores, representados pelos jacarés (grupo presente no Brasil), crocodilos e gaviais. A forma mais fácil de diferenciar estes animais é pelo formato do focinho: jacarés apresentam um focinho largo e arredondado, enquanto os crocodilos apresentam a cabeça em formato triangular, com o focinho afunilado e dentes mais aparentes quando com a boca fechada. Já os gaviais apresentam o focinho fino e comprido.

Ordem Crocodylia

Da esquerda para direita, jacarés, com o focinho arredondado, crocodilos, com dentes proeminentes, e gavial, com focinho fino e comprido.

2. Anatomia e Fisiologia

Os répteis apresentam o corpo formado por uma cabeça, pescoço, tronco e cauda, podendo apresentar ou não patas. O corpo é recoberto por escamas que podem ser de placas ósseas (como nas tartarugas e crocodilianos) ou epidérmicas (como nos escamados).

Digestão

O sistema digestório dos répteis é completo, apresentando boca e glândulas salivares, faringe, esôfago, estômago, intestino e cloaca. A cloaca é uma abertura próxima à base da cauda onde se conecta o sistema excretor, o fim do sistema digestório e o sistema reprodutor. A dieta dos répteis é bem variada, sendo a maioria dos indivíduos carnívoros.

Esquema da anatomia interna de um lagarto

Respiração

A respiração é exclusivamente pulmonar, sendo que os répteis apresentam um pulmão parenquimatoso.

Esquema de um pulmão parenquimatoso

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Excreção

Os répteis excretam ácido úrico, que é um excreta nitrogenada com baixa toxicidade e não é necessário dilui-lo. Isso é uma adaptação para a sobrevivência no ambiente terrestre, não havendo muita perda de água pela urina. Os rins são os órgãos excretores.

Circulação

Os répteis apresentam um coração com três cavidades, porém com uma divisão parcial entre os ventrículos. Os crocodilianos apresentam quatro cavidades, com os ventrículos divididos pelo forame de Panizza. Porém na região das artérias observamos o septo de Sabatier, uma abertura entre essas artérias que permite a mistura do sangue. A circulação é dupla e incompleta, pois há mistura entre o sangue venoso e arterial.

Esquema da circulação em répteis não crocodilianos e crocodilianos

Esquema da circulação em répteis não crocodilianos e crocodilianos. A cor azul representa o sangue venoso, a cor vermelha representa o sangue arterial e o rosa é o sangue misturado.

Reprodução

São animais dioicos que se reproduzem por reprodução sexuada, mesmo que algumas espécies podem realizar partenogênese. A maioria dos répteis é ovíparo, ou seja, coloca ovos onde o embrião irá se desenvolver. O ovo dos répteis é um ovo amniótico, com casca calcária, vitelo armazenado em um saco vitelínico, além de outros anexos embrionários, como o âmnio, córion albúmen e alantoide.

Esquema de um ovo amniótico com os anexos embrionários

Outros destes animais são vivíparos, sem a formação de um ovo, e os filhotes se desenvolvem no útero da mãe. Porém existe um terceiro tipo de gestação: os ovovivíparos, que formam ovos, porém esses ficam dentro do corpo materno, eclodindo também dentro do corpo, e os filhotes já nascem formados.

Controle de temperatura

Os répteis não conseguem controlar a própria temperatura corporal, sendo animais pecilotérmicos. Isso significa que a temperatura corporal varia de acordo com a temperatura do ambiente, e o clima tem grande influência sobre o habitat e o nicho ecológico dos animais.

Sentidos

Os répteis possuem sentidos variados, como visão, olfato, paladar, tato e audição, sendo esta última reduzida em alguns grupos. Também há comunicação química, através de feromônios. A qualidade da visão é variável, sendo reduzida em animais com hábitos fossoriais, como as anfisbênas. O órgão de Jacobson, também chamado de órgão vomeronasal, se localizada no céu da boca: ao colocar a língua para fora, os répteis captam partículas do ambiente, e quando a língua retorna à boca, esse órgão detecta os diferentes odores e feromônios.

As serpentes apresentam estruturas chamadas de fossetas, capazes de perceber calor. Essas fossetas podem estar acima dos lábios (fosseta labial), como em algumas jiboias, ou entre o nariz e o olho (fosseta loreal), como nas jararacas.

Fossetas labiais em uma jiboia (esquerda) e fosseta loreal em uma cascavel (direita).

Fossetas labiais em uma jiboia (esquerda) e fosseta loreal em uma cascavel (direita).

Agora que você já sabe tudo sobre os répteis, vamos lembrar dos principais pontos?

  • Os répteis são animais que apresentam diversas adaptações para o ambiente terrestre, como pele impermeável, ovo amniótico e excreção de ácido úrico;

  • São classificados em quatro ordens, que são diferenciadas principalmente pela morfologia;

  • Os Testudines são as tartarugas, o Rhynchocephalia é representado pelas tuataras, os Squamata incluem anfisbenas, lagartos e serpentes, e os Crocodylia são os jacarés e crocodilos;

  • Todos apresentam o corpo recoberto por escamas, que podem ser ósseas ou epidérmicas;

  • O sistema digestório é completo, sendo o final do tubo digestivo ligado com o sistema excretor e reprodutor, formando a cloaca;

  • A respiração é pulmonar e a circulação é dupla e incompleta;

  • Na reprodução, podem ser ovíparos, vivíparos ou ovovivíparos, dependendo se o filhote nasce de um ovo ou não;

  • Apresentam todos os sentidos, sendo o órgão de Jacobson e as fossetas importantes para sentir cheiros e feromônios, além de reconhecer variações de temperatura.

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