5 vanguardas modernistas que inspiram coisas do seu dia-a-dia

1. Cubismo

O cubismo é um tipo de arte considerada mental, ou seja, desliga-se completamente da interpretação ou semelhança com a natureza, a obra tem valor em si mesma, como maneira de expressão das ideias. A desvinculação com a natureza é obtida através da decomposição da figura em seus pequenos detalhes, em planos que serão estudados em si mesmos não na visão total do volume.

Desta forma, um objeto pode ser observado de diferentes pontos de vista, rompendo com a perspectiva convencional e com a linha de contorno. As formas geométricas invadem as composições, as formas observadas na natureza são retratadas de forma simplificada, em cilindros, cubos ou esferas. O cubismo nunca atravessou o limite da abstração, as formas foram respeitadas sempre. As naturezas mortas urbanas e os retratos são temas recorrentes neste movimento artístico.

Romero Britto é muito influenciado pela vanguarda cubista e tem Picasso como um grande mestre. Seu estilo vibrante e alegre, com cores fortes e impactantes fez com que sua obra tivesse forte ligação com a publicidade. O artista já mostrou o seu talento pintando para uma campanha publicitária da marca de vodca sueca Absolut, para as latas de refrigerante da Pepsi, e redesenhou personagens de Walt Disney.

Pepsi – Romero Britto
Pepsi – Romero Britto

2. Dadaísmo

Absolut ready-made
Absolut ready-made

A vanguarda ou movimento dadaísta foi um movimento, uma crítica a sociedade da época em que se originou (1916), portanto, pertence a um momento específico da história. Porém é possível encontra trabalhos que sofram alguma influência, direta ou indireta deste movimento, as fotomontagens, redy-mades e principalmente o non-sense são características que mais evidenciam o movimento até hoje. Mas, de fato, se faz difícil encontrar, nos dias de hoje, artistas que se denominem dadaístas.

Quebrando regras e designando novas formas de se expor e expressar o dadaísmo, transformou o que antes não era arte em arte, ampliando e propondo reflexões sobre as formas tradicionais.

Um caso a ser citado é sobre a cantora, dançarina, performance e polêmica Lady Gaga, que no ano de 2010 compareceu à premiação do VMA (Video Music Awards) da MTV americana, usando apenas um “vestido de carne”, feito pelos designers Franc Fernandez e Nichola Formichetti. Gaga explicou que a roupa não era uma ofensa e sim um modo de chamar a atenção para o preconceito: “Se não defendermos o que acreditamos e não lutarmos pelos nossos direitos, logo teremos tantos direitos quanto a carne que cobre nossos ossos. Eu não sou um pedaço de carne”.

Em sua frase, Lady Gaga evidencia sua crítica à sociedade, num ato totalmente inesperado e inusitado, talvez sem sentido algum (non-sense) mas que, principalmente após sua declaração, provocou reflexão.

No meio publicitário, junto a concepções criativas, utilizado para disseminar ideais na sociedade, pode se destacar as garrafas de “Absolut Vodka”, que atualmente é a terceira maior marca de bebidas no mundo segundo o site da empresa, sempre ousando e inovando em suas embalagens, lançam edições limitadas com rótulos bem produzidos por diferentes artistas, designers e fotógrafos do mundo inteiro conforme o seguinte trecho de um documento disponibilizado (em inglês) no site da marca: “… começou com Andy Warhol pintando o primeiro anúncio de arte para a Absolut. Hoje, a Coleção de Arte Absolut contém mais de 800 peças de artistas como Keith Haring, Damien Hirst e Louise Bourgeois.” (THE ABSOLUT COMPANY, 2009). Desde o início, garrafas vêm sendo produzidas com a intenção de homenagear cidades, eventos históricos, cultura e datas comemorativas.

O dadaísmo, tendo grande importância sobre os movimentos de contestação da arte, conquistou duas destas edições especiais de “Absolut Vodka”.

A primeira, com uma imagem produzida por meio de recortes e de alguns nomes dos principais representantes do movimento ao seu fundo, sendo empregada uma das grandes características do movimento, a fotomontagem (obras criadas com recortes) e a segunda, uma garrafa possuindo elementos da técnica ready-made (muito utilizada por Marcel Duchamp, que consiste em transportar elementos do cotidiano e sem alterá-los, transformar em arte), desta vez, estruturada por peças de metal pregadas em uma árvore (imagem abaixo do subtítulo).

No Brasil, o artista e designer Eduardo Srur, cujas obras também chamadas de intervenções públicas, são expostas em ambiente público, formando uma galeria a céu aberto, facilitando e permitindo o acesso a diferentes camadas sociais e faixas etárias a vivenciarem as manifestações artísticas, aproximando-os do universo da arte. Utilizando-se de ready-mades, do non-sense e da crítica junto à reflexão.

Em sua obra mais recente, exposta no parque no Ibirapuera, em São Paulo, fardos de lixo de diversos tipos de materiais recicláveis prensado formaram um imenso labirinto. Segundo Srur, a ideia é “criar uma obra provocativa que reative os sentidos e a percepção do público. O espectador é convidado a entrar no labirinto em busca da saída entre os resíduos sólidos, colocando-o frente a frente com o lixo que produz”.

Em outra intervenção urbana, Eduardo Srur expôs 20 esculturas gigantes e coloridas na forma de garrafas pet às margens do Rio Tietê, chamando a atenção para o lixo despejado diariamente no rio.

Sempre utilizando-se de coisas corriqueiras, objetos do dia-a-dia e recicláveis, o artista procura chamar a atenção para os hábitos da população, atentando-os sempre para a preservação do meio ambiente, alterando a paisagem da cidade e questionando o sistema social de forma crítica e bem humorada.

3. Expressionismo

Nosferatu – Friedrich Wilhelm Murnau – 1922
Nosferatu – Friedrich Wilhelm Murnau – 1922

O expressionismo é um movimento artístico que procura a expressão dos sentimentos e das emoções do autor, não tanto a representação objetiva da realidade. Este movimento revela o lado pessimista da vida. O maior objetivo é potencializar o impacto emocional do expectador exagerando e distorcendo temas.

Nos dias de hoje, é preciso considerar os filmes expressionistas, onde se encontram alguns dos pilares primordiais sob os quais assentam as bases da estética gótica tal como a conhecemos hoje.

“A Noiva-Cadáver”, de Tim Burton
“A Noiva-Cadáver”, de Tim Burton

4. Surrealismo

O surrealismo, como movimento artístico, surgiu na França no século XX, no período entre as duas guerras mundiais. Começou como um movimento literário, que se baseava na associação livre de ideias, como forma a libertar o subconsciente do realismo, em um tipo de automatismo que trouxesse à tona um tipo de imaginação que não fosse limitada pelo racional e convencional, dando a conhecer os processos primários pelos quais o pensamento humano acontece. Em certa medida, o movimento insere-se em um conjunto de novas linguagens trazidas para as artes (apressadamente chamadas ‘avant-garde’), que incluíam o impressionismo, o expressionismo, o dadaísmo, o cubismo e outras artes abstratas, transversais à literatura, música e artes visuais.

O conceito iniciou-se na poesia, nas obras de Louis Aragon, Paul Éluard e Philippe Soupault, e ganhou uma forma estruturada nos ensaios do psicólogo e escritor André Breton. Com o seu Manifesto do Surrealismo (1924), Breton traçava as bases teóricas do movimento e definia o caminho a seguir. Sendo a França a capital cultural europeia, local para onde rumavam todos os vultos intelectuais, o surrealismo logo extravasou fronteiras e tornou-se um fenômeno internacional.

“A canção de amor”, Giorgio de Chirico, 1914
“A canção de amor”, Giorgio de Chirico, 1914

Os surrealistas procuravam inspiração na obra do psicólogo austríaco Sigmund Freud que, através da associação livre, pretendia adentrar zonas da mente humana habitualmente bloqueadas pela educação e inibições sociais. O que Freud procurava através da hipnose e estudo dos sonhos, os surrealistas tentavam ao criar imagens surpreendentes, bizarras e chocantes, desprovidas de racionalidade. Em ambos os casos, a resposta estava no acesso ao subconsciente.

Cedo os surrealistas sentiram que o cinema, dada a sua natureza de veículo de sonhos, podia ser um meio de expressão do movimento. Por exemplo, Breton adorava o cinema de Chaplin e Buster Keaton, pela sua capacidade de quebrar convenções e surpreender com instintos primários. O teórico Antonin Artaud foi o primeiro surrealista a escrever um argumento completo para cinema, que seria realizado por Germaine Dulac como “La Coquille et le Clergyman”, aura da teoria do “Cinema Puro”, que se baseava em ideias do Surrealismo e defendia o cinema como um meio liberto da literatura, teatro ou outras artes visuais. Artaud rejeitaria o filme como uma negação do surrealismo, o que iniciava uma polêmica que nunca mais terminaria: o que é verdadeiramente um filme surrealista?

“Um chien andalou”, Luis Buñuel e Salvador Dali, 1929
“Um chien andalou”, Luis Buñuel e Salvador Dali, 1929

“Um Cão Andaluz” foi largamente elogiado por André Breton, tornando-se um pouco a bíblia do cinema surrealista, mas o filme foi um sucesso comercial e isso foi mal visto pelo movimento que não aceitava que as suas ideias pudessem ser facilmente acedidas pelas massas. O filme seguinte de Buñuel e Dali faria com que ambos discordassem e terminassem a sua colaboração, com Dalí a retirar-se para a pintura (participaria ainda numa colaboração com Walt Disney, e em outra com Alfred Hitchcock). Buñuel rejeitaria o movimento em 1932, mas muitos dos seus filmes futuros continuariam cheios de referências surrealistas.

Embora oficialmente o movimento surrealista tenha terminado há muito tempo e, embora desde sempre, se tenha discutido se um filme é ou não puramente surrealista, a verdade é que o surrealismo como conceito não parou de influenciar a obra de muitos autores da segunda metade do século XX até os dias de hoje.

“O Sétimo Selo”, Ingmar Bergman, 1956
“O Sétimo Selo”, Ingmar Bergman, 1956

5. Futurismo

O movimento do futurismo iniciado por Marinetti, tinha objetivo de ser uma reforma literária, porém ele se expandiu a outras áreas e tornou-se algo bem abrangente.

Os artistas italianos estavam entusiasmados com o movimento, tendo como seus princípios a velocidade, poder, novas máquinas e tecnologias, um desejo de transmitir dinamismo na cidade industrial.

Em 1909, Marinetti colaborou com alguns pintores como: Umberto Boccioni, Gino Severini, Carlo Carra e Luigi Russolo, tendo como objetivo formular teorias futuristas para serem incorporadas nas artes, resultando no manifesto dos pintores futuristas.

No quesito pinturas, os artistas levaram mais tempo para conseguir expor suas ideias em quadros, sendo que a primeira exposição realizada em Milão em 1911, os artistas foram criticados por sua timidez.

Buscando por novas ideias Severini entrou em contato com os cubistas, adquirindo algumas.

De certa forma, o cubismo acabou se incorporando nas pinturas futuristas, com suas formas geométricas e os planos de intersecção.

A arte futurista se alastrou rapidamente por toda a Europa, Rússia e Estados Unidos.

Os futuristas apresentaram um conceito “linhas de força”, que se tornou uma característica identificador de suas obras.

Boccioni usou a cor para criar uma interação dramática entre os objetos e o espaço.

Visione Simultanea – Umberto Boccioni
Visione Simultanea – Umberto Boccioni

Já na arquitetura, Sant’Elia fundou as bases ideológicas e da forma de projetar a arquitetura futurista.

Em sua primeira exposição de características futuristas, ele mostrou os primeiros desenhos do que seria a cidade do futuro e com essa exposição assinou o messagio, onde especificava a forma que a arquitetura deveria adotar.

Produziu desenhos, com escala monumental de megalópode com arranha-céus, passarelas e vias suspensas para veículos, projetos utópicos, mostrando o crescimento das atividades industriais e o surgimento de novas tecnologias e materiais.

Seus desenhos nunca foram construídos, porém influenciaram a arquitetura contemporânea. Sendo então que a arquitetura futurista não chegou a se concretizar durante o movimento.

Em julho de 1914 foi publicado o manifesto da arquitetura futurista, tendo como uma de suas ideias a falta de permanência de construções, sendo que cada geração deveria ter suas próprias residências, entendendo-se a destruição das antigas para a criação constante de algo novo.

A arquitetura futurista teve influência na cenografia em filmes como: Metropolis (1927), de Fritz Lang; O Quinto Elemento, de Luc Besson; Blade Runner – O Caçador de Androides, de Ridley Scot.

Foto da cidade do filme “Blade Runner – O Caçador de Androides
Foto da cidade do filme “Blade Runner – O Caçador de Androides

O futurismo também influenciou grupos de designers europeus, como a Bauhaus e suas imagens e ideias de arquitetura marcaram o estilo Art Decó.

Na arquitetura moderna e contemporânea temos vários exemplos de arquitetura futurista.

A Casa de Cultura da cidade austríaca de Graz
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Museu Guggenheim, em Bilbao, Espanha
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Dubai Opera House
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