Comunismo: Conceito, características e resumo

Como o pensamento marxista construiu cientificamente este conceito no século XIX.

Talvez você tenha ouvido falar recentemente sobre comunismo, capitalismo, fascismo e outros ismos que circulam pelo cenário político, certo? Essas palavras são tão utilizadas que, muitas vezes, perdem seus significados originais e acabam confundindo as pessoas. Mas afinal, dentre elas, o que seria o comunismo?

Este artigo busca analisar a história desse conceito, suas características e a influência de Karl Marx para a sua construção. Com essas análises poderemos, enfim, entender o que é o comunismo e o porquê deste tema ser tão cobrado em vestibulares e provas.

Trabalhadores – Karóly Patkó (1930)
Trabalhadores – Karóly Patkó (1930)

O que é comunismo?

O comunismo é uma ideologia sócio-política e econômica baseada na autogestão dos trabalhadores. Para seus principais autores, as sociedades capitalistas evoluiriam para o socialismo através de uma revolução e, posteriormente, para o comunismo. Segundo Karl Marx, grande idealizador do socialismo científico, a burguesia seria, enfim, a responsável por criar as condições necessárias para o surgimento do mundo comunista.

Mas, como isso seria feito? Para Marx, a evolução da humanidade passaria sempre pela luta de classes, chegando no século XIX ao conflito final entre burguesia e proletariado. Durante a Revolução Industrial, Marx apontou a burguesia como responsável pela opressão e alienação dos operários e pela exploração desumana da força de trabalho.

Assim, em seu “Manifesto Comunista”, Marx concluiu que a opressão burguesa construiria o cenário ideal para uma revolução do proletariado. Neste processo os trabalhadores tomariam consciência da exploração sofrida e pegariam em armas.

Logo, a revolução derrubaria as instituições e as classes responsáveis pela opressão, instalando, portanto, uma ditadura do proletariado. Desta forma, através deste novo governo, o socialismo começaria apresentando as seguintes características:

  • Abolição da propriedade privada;
  • Fim da sociedade de classes;
  • Partido único;
  • Democratização dos meios de produção;
  • Controle das riquezas pelo Estado.

Visto isso, para Marx, a revolução socialista não seria uma destruição total do mundo criado pela burguesia, mas sim sua democratização. O socialismo, enfim, garantiria o acesso para o proletariado dos privilégios da burguesia, gerando plena igualdade e liberdade.

Enfim, com a sociedade de classes e a propriedade privada abolidas pelo socialismo, o comunismo, então, seria a última fase de todo esse processo. Com os trabalhadores organizados, o Estado socialista não teria mais uma função e seria abolido, iniciando o comunismo, caracterizado pela:

  • Abolição dos partidos políticos;
  • Fim do Estado;
  • Coletivização das riquezas;
  • Auto-organização da sociedade;
  • Fim das nações e do nacionalismo;
  • Universalização do comunismo.

As obras de Karl Marx e Friedrich Engels

Estátua de Karl Marx e Friedrich Engels em Bishkek, Quirguistão. (2017)
Estátua de Karl Marx e Friedrich Engels em Bishkek, Quirguistão. (2017)

Como visto, Karl Marx se destacou como um dos principais pensadores do comunismo no século XIX. Entretanto, apesar da visão marxista ser hoje uma das principais definidoras do que é o comunismo, ela não foi única e nem nasceu do nada. O grande parceiro de Marx nos estudos sobre a história da humanidade e do capitalismo e nas reflexões sobre o comunismo foi o também alemão Friedrich Engels.

Marx e Engels realizaram uma parceria que explorou a filosofia, história, economia e sociologia, tendo como frutos diversos livros, como:

  • A questão Judaica – Karl Marx (1843);
  • Teses sobre Feuerbach – Karl Marx (1845);
  • A ideologia alemã – Karl Marx e Friedrich Engels (1846);
  • O Manifesto Comunista - Karl Marx e Friedrich Engels (1848);
  • O Capital – Karl Marx (1867);
  • Do socialismo utópico ao socialismo científico – Friedrich Engels (1890).

Apesar de muitas produções e reflexões ao lado de Marx, Engels também se destacou no estudo da sociedade capitalista. Entretanto, diferente do companheiro, Engels além de um intelectual também era um empresário e, horrorizado com a miséria, decidiu lutar pelo interesse dos trabalhadores.

Em sua obra “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra” (1845), Engels revela o horror das condições de vida dos operários. Esse panorama foi o que levou Engels a produzir suas principais obras com Marx e a definir os caminhos para o socialismo científico. Ainda nesta perspectiva, para diferenciar suas propostas de outras tentativas socialistas, Engels também publicou “Socialismo: utópico e científico” (1880).

Nesta obra o autor analisou diversas experiências comunitárias do passado e o motivo de seus fracassos. Percebendo os erros das propostas anteriores e elaborando estratégias mais complexas, Engels separou o que denominou como “socialismo utópico” do seu científico.

O “comunismo primitivo”

A construção das teorias e da prática comunista, como observamos, não surgiu de uma hora para a outra. Assim, a crítica à propriedade privada, o desejo de desarticulação do Estado burguês e a luta pela igualdade são frutos de uma observação minuciosa de experiências e autores do passado.

Como vimos, Engels definiu algumas dessas experiências como “socialismos utópicos”. Apesar de buscarem melhorar a vida dos trabalhadores, entusiastas como Saint-Simon e Robert Owen não chegaram ao cerne da exploração capitalista. Para Engels, as propostas lançadas por eles não visavam, de fato, derrubar o capitalismo, apenas realizar reformas, logo, eram experiência utópicas.

Visto isso, vale destacar que outras civilizações também passaram por coletivização e experiências de igualdade no passado. O próprio Marx, inclusive, entendia que algumas características do comunismo poderiam ser observadas em civilizações “pré-históricas”.

Para Marx e Engels, mesmo não sendo sociedades comunistas, em algumas civilizações do passado podemos observar um “comunismo primitivo”. Estes homens “pré-históricos” se organizariam:

  • sem Estado
  • sem escravidão
  • sem classes
  • sem propriedade privada.

Desta forma, nessas civilizações, o trabalho e a produção eram compartilhados e visavam apenas a subsistência e não os excedentes. Essas características, portanto, seriam fundamentais para que os autores modernos pudessem refletir sobre o que seria uma sociedade justa e igualitária.

Já no século XVIII, o pensador Jean-Jacques Rousseau, por exemplo, também destacava a característica de subsistência do homem em natureza. Para o iluminista, o homem em seu estado de natureza não valoriza a propriedade privada e, por isso, vive em igualdade e liberdade. Rousseau é, inclusive, considerado por muitos como uma espécie de precursor do pensamento socialista.

A Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT)

Em 1864, visando reunir trabalhadores e pensadores militantes do comunismo, Marx ajudou a criar a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). Conhecida popularmente como a Primeira Internacional, esta associação reuniu membros da Europa e dos E.U.A. Dentre seus objetivos, encontrava-se o apoio às lutas operárias e a discussão, em seus congressos, das principais teorias comunistas.

A Internacional, portanto, facilitava a articulação e a aproximação de diversas vertentes de esquerda e trabalhadores ao redor do mundo. Destarte, unia sob uma bandeira diferentes segmentos, como os seguidores de Marx, os reformistas e até os anarquistas de Bakunin e Proudhon.

Entretanto, apesar da diversidade, em 1872, Mikhail Bakunin, que era um membro ativo, foi expulso da Internacional após graves divergências com Marx. As tensões internas, assim, acabaram levando ao fim a Primeira Internacional em 1877.

Apenas em 1889, que Friedrich Engels, com outros intelectuais e líderes operários, iniciaram as atividades da chamada Segunda Internacional. Mais uma vez, a Internacional afastou os anarquistas por divergências internas e, em 1916, encerrou suas atividades.

Enfim, em 1919, decidindo reunir os comunistas de todo o mundo, Vladimir Lênin criou a Terceira Internacional (Comintern). Diferente das anteriores, essa Internacional contava com uma presença muito mais forte dos Partidos Comunistas, que se consolidaram no início do XX. Para Lênin, deveriam ser características fundamentais de todos os Partidos Comunistas:

  • Incorporar os proletários ao socialismo científico;
  • Incentivar e conduzir a luta pelo comunismo;
  • Defender a classe operária; Apesar do Comintern contar com Partidos Comunistas internacionais, a força da U.R.S.S de Stálin logo submeteu a Internacional ao bolchevismo. Com isso, o comunismo passou a ter sua simbologia frequentemente associada a própria U.R.S.S. Neste período a foice e o martelo, que representa a união dos camponeses e operários, popularizou-se como a bandeira do comunismo.
Congresso do Comintern – Boris Kustodiev (1921)
Congresso do Comintern – Boris Kustodiev (1921)

O anarquismo

Como visto, o “Manifesto comunista” de Marx e Engels conquistou uma legião de trabalhadores ao redor do mundo. Este livro apresentou um manual com análises sobre o capitalismo e táticas para superar este sistema através de uma revolução do proletariado. Ainda que o “Manifesto” desenhe um caminho para o comunismo, ele não foi o único a esboçar percursos possíveis.

Ainda no XIX, o anarquismo também se tornou uma ideologia forte na luta contra o capitalismo e pela construção do comunismo. O político francês Pierre-Joseph Proudhon foi um dos primeiros a se proclamar anarquista e um dos precursores do movimento. O pensamento de libertário de Proudhon ficou famoso pelo livro “O que é Propriedade?”, onde anunciou a célebre frase “Propriedade é roubo”.

Diferente de Marx, de quem recebeu assíduas críticas, Proudhon defendia:

  • A libertação do trabalhador de forma pacífica;
  • Autonomia do proletariado na sua luta;

Assim, por suas críticas ao Estado e à propriedade privada e na luta pela liberdade do proletariado, Proudhon influenciou muitos pensadores. Dentre eles, destaca-se um dos maiores anarquista do século XIX, o russo Mikhail Bakunin. Este revolucionário foi um dos principais responsáveis por uma elaboração mais complexa do pensamento anarquista e de formas de atuação.

Contrariando o manual do “Manifesto Comunista”, Bakunin defendia a necessidade de uma mudança imediata do capitalismo para o comunismo. Para este pensador, a transição para o socialismo representaria a manutenção do poder do Estado, que precisava ser abolido. Os anarquistas, assim, repudiavam qualquer poder dominante ou forma hierárquica estabelecida.

Bakunin também defendia que o comunismo deveria ser alcançado através da organização dos trabalhadores em sindicatos e não em partidos. Desta forma, o autor unifica a teoria sindicalista e a anarquista na formação de uma nova concepção de luta anticapitalista, muito mais incisiva e radical.

Pierre-Joseph Proudhon e seus filhos – Gustave Courbet (1865)
Pierre-Joseph Proudhon e seus filhos – Gustave Courbet (1865)

Resumo sobre comunismo

  • Para Marx, sociedades desde a pré-história experimentaram a construção de relações igualitárias e justas. Na modernidade, algumas experiências igualitárias chegaram a acontecer, mas ficaram conhecidas como “socialismos utópicos”;
  • O socialismo científico recebe suas bases teóricas com os estudos de Marx e Engels no século XIX;
  • Publicados respectivamente em 1848 e 1857, o “Manifesto Comunista” e “O Capital”, tornam-se obras fundamentais sobre a crítica ao capitalismo e a construção do comunismo;
  • No século XIX o anarquismo de Bakunin e Proudhon se estabelece como uma via alternativa ao comunismo;
  • Ainda no século XIX, Karl Marx apoia a formação das Internacionais Comunistas. Estas tinham como objetivo unir trabalhadores e membros da esquerda de todo o mundo para apoiar os movimentos sociais;
  • Em 1917, a Revolução Bolchevique realiza na Rússia a primeira experiência socialista concreta da história. Em 1919, o líder revolucionário Vladmir Lênin cria a Terceira Internacional;
  • Apesar da experiência socialista em Cuba, na U.R.S.S e em outros países, o comunismo de bases científicas jamais foi implantado na história. A desarticulação dos Estados socialistas para a formação do comunismo sempre ficou na promessa.

Aumente sua nota no ENEM conferindo outros conteúdos sobre História aqui no Descomplica!

Continue estudando
Post do blog

Mapa Mental: Liberalismo

Quer saber tudo sobre o Liberalismo? Confira este mapa mental maneiro que vai salvar a sua prova!
artigo
Post do blog

Você sabe como foi o processo de consolidação do liberalismo?

A transição do Antigo Regime para uma sociedade liberal se iniciou na Europa durante o fim do século XVII e se estendeu para o Brasil, principalmente, no século de XIX.
artigo