Anarquismo: resumo, origem e características

Saiba tudo sobre essa ideologia política que nasceu para dar conta das relações construídas com as instituições de poder vigentes.

Anarquismo: resumo, origem e características

O anarquismo é uma ideologia política que vai surgir entre o final do século XIX e o inicio do século XX em uma conjuntura de mudança política, econômica, social, cultural e das relações trabalhista com o advento da Segunda Revolução Industrial. Conversando com outras teorias do período, como o socialismo e o comunismo. O anarquismo entra em campo como uma ideologia do seu tempo, dialogando com a fase do capitalismo industrial e as suas contradições cada vez mais aparentes na sociedade. O movimento social vai ter implicações em diversos locais ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Um dos símbolos do movimento anarquista.

Origem

Embora existam divergências com relação ao surgimento da ideologia anarquista, seu inicio remonta ao inicio do século XIX. O contexto de formação dos Estados Nacionais, a expansão da segunda revolução industrial e a consolidação do capitalismo são fatores essenciais para compreender sua origem.

O seu primeiro teórico teria sido Pierre-Joseph Proudhon (1809 -1865), um parlamentarista francês. Em seus principais escritos, criticou abertamente a propriedade privada e a autoridade exercida por um soberano sobre uma nação. Suas ideias serão apropriadas pelo movimento operário que no mesmo período estava ganhando visibilidade na sua luta contra a opressão capitalista.

Pierre-Joseph Proudhon

No que se baseia?

Influenciada pelos princípios da Revolução Francesa que havia tomado o continente europeu de assalto no fim do século XIX, o anarquismo vai se espalhar rapidamente por diversos continentes.

Originaria da palavra grega anarkhia, significa literalmente “sem governo”. Mikhail Bakunin, revolucionário russo, é considerado responsável pela sistematização das ideias que compõem a ideologia anarquista. Dentro os ideais, podemos destacar:

  • Abolição da propriedade privada

  • Autogestão

  • Coletividade

  • Igualdade (inclusive de gênero e de raça)

  • Horizontalidade

  • Fim do capitalismo

  • Fim da dominação religiosa.

O anarquismo e a Associação Internacional dos Trabalhadores

Ultrapassando as barreiras nacionais, o primeiro encontro dos trabalhadores a nível internacional vai ocorrer na década de 1860. A AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores) vai reunir em um único lugar as correntes ideológicas defendidas pelo proletariado. E assim, criou um ambiente perfeito para o amadurecimento do movimento anarquista.

Aliança da Democracia Socialista (ADS) formada por importantes líderes, como Mikhail Bakunin é considerada uma das primeiras organizações anarquistas. Sua criação tinha o intuito de fortalecer as lutas da AIT e ao mesmo tempo unir aqueles que possuíam como ideal comum às ideias proveniente do anarquismo. A organização deveria ser utilizada para potencializar os trabalhadores e suas lutas ao redor do mundo.

A bandeira preta também é considerada como um símbolo anarquista. Opondo-se a cor branca, a ideia é que ela representa uma anti-bandeira. Um símbolo contra as opressões.

Anarquismo é de esquerda?

Embora os movimentos tenham coexistido, se estruturado durante um período similar e dialoguem entre si, não existe um consenso sobre essa resposta. O que se pode afirmar é que ele com certeza não é de direita, uma vez que esses defendem a manutenção da ordem vigente.

Em relação ao socialismo e ao comunismo, existem divergências metodológicas. Uma vez que o anarquismo condena qualquer tipo de hierarquia e dominação, ainda que seja por parte dos trabalhadores. Qualquer estrutura de poder cerceia a liberdade do individuo e o subjulga a alguém com interesses que não necessariamente são comuns a todos.

É importante ressaltar que Bakunin e Karl Marx dialogam diretamente durante o período da Associação Internacional dos Trabalhadores. Suas divergências perpassavam por aspectos como: o sindicalismo, a hierarquia presente na luta marxista e a luta através das disputas políticas.

Movimento anarquista

Durante a segunda metade do século XIX o movimento anarquista já estava estruturado e se espelhava para outros continentes. Diversos levantes serão marcados pela presença de seus ideais. Historicamente são marcadas cinco ondas desse movimento:

  • Primeira onda (1868 – 1894): sistematização e difusão dos seus ideais, além da atuação na AIT.

  • Segunda onda (1895 – 1923): consolidação do movimento anarquista.

  • Terceira onda (1924 – 1949): junto com a segunda é uma das fases mais relevantes devido à eclosão de diversos movimentos notórios.

  • Quarta onda (1950 -1989): momento de expansão para novos territórios e de forte repressão.

  • Quinta onda (a partir de 1990): reorganização do movimento anarquista após o fim da URSS.

Foto de uma barricada em uma das ruas de Paris durante a Comuna que ocorreu em 1871 e contou com grande participação do movimento anarquista.

Correntes

Durante o século XX o movimento anarquista já estava amplamente difundido e seus ideais foram apropriados e resignificados. Novos debates fomentaram o surgimento de novas correntes, como o federalismo, mutualismo, sindicalista, coletivista, comunista, individualista.

Surgem também novas vertentes anarquistas como: anarquismo filosófico, o insurrecionário, o anarcofeminismo e o anarcocapitalismo. Todas essas tendências surgem para dar conta de divergências dentro do movimento ou apenas para enfocar diferentes perspectivas.

No caso do Brasil

Com reflexos em diversos locais, o Brasil não ficou de fora do movimento anarquista. Suas ideias se espalharam entre os trabalhadores principalmente através de livros, jornais e periódicos. Outro fator de extrema importância para a chegada e difusão dos ideais anarquistas foi a intensa imigração de italianos e espanhóis no país a partir da metade do século XIX.

Através do sindicalismo e das associações mutualistas, o movimento anarquista vai ganhar fôlego entre o proletariado brasileiro que buscava uma alternativa para a exploração a qual estavam submetidos. Participaram do I Congresso Operário Brasileiro em 1906 e das ondas de greve que atingiram o país nas décadas de 1900 e 1910.

É importante ressaltar que embora não haja uma quantificação sobre o anarquismo no Brasil, o movimento foi duramente reprimido pelo governo e pelas elites brasileiras. De alguma forma, o movimento representava um risco para a ordem vigente.

Foto da Greve Geral em São Paulo no ano de 1917 e que teve uma forte influencia anarquista.

Agora que o anarquismo já colocou a cara no sol, vamos relembrar alguns pontos importantes:

  • Anarquia não é sinônimo de desordem, muito pelo contrário. No Brasil, existiu uma comuna experimental que era regida pelos princípios anarquistas, conhecida como Colônia Cecília.

  • No século XIX o anarquismo também era conhecido como socialismo ou coletivismo revolucionário.

  • Apesar de defender a liberdade individual, o anarquismo compreende que a ética estimula um senso de responsabilidade para com o coletivo.

  • O anarcocapitalismo se apropria das ideias do movimento anarquista teorizando sua aplicação principalmente ao livre mercado e a uma ordem social natural, sem a necessidade da intervenção de um Estado. Entretanto, é essencial frisar que a vertente não possui o intuito de pôr fim ao sistema capitalista.

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