Analogia: o que é, conceito e exemplos

Aprenda sobre como a analogia pode te ajudar na redação do ENEM a partir de exemplos e exercícios de vestibulares.

A analogia é um recurso muito utilizado no desenvolvimento de uma redação. Você sabia? Essa parte do texto é importante porque apresenta a justificativa sobre a tese, ou seja, sobre a opinião central do autor acerca do tema.

Há diversas estratégias que podem ser utilizadas em um texto. Lembre-se sempre que a maior preocupação de um autor deve ser a fundamentação de maneira clara e convincente sobre as ideias que ele defende, por isso, a analogia se apresenta como um exemplo eficaz para essa função.

1- O que é analogia?

A analogia é um tipo de comparação de forma que uma semelhança parcial sugere uma semelhança oculta. É um recurso didático para explicar comparações que podem ser mais abstratas, por exemplo, explica-se o desconhecido pelo conhecido, o estranho pelo que é familiar, etc.

A estrutura linguística utilizada na analogia se estabelece por meio de expressões comparativas, por exemplo: como, tal qual, semelhante a, parecido com, quanto, do que, lembra a, etc.

2- Exemplo de analogia:

“O Sol é muitíssimo maior do que a Terra, e está ainda tão quente que é como uma enorme bola incandescente, que inunda o espaço em torno com luz e calor. Nós aqui na Terra não poderíamos passar muito tempo sem a luz e o calor que nos vêm do Sol, apesar de sabermos produzir aqui mesmo tanto luz como calor”.

PESSOA, Oswaldo Frota. Iniciação à ciência. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1963.

O fragmento acima estabelece uma analogia para caracterizar o Sol (elemento desconhecido) a partir de elementos mais familiares (bola incandescente) pertencentes ao nosso conhecimento de mundo. Assim, é apenas uma semelhança parcial porque há inúmeras diferenças entre o Sol e uma bola de fogo.

3- Analogia na redação:

TEMA: Desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil (ENEM 2017).

Texto I

Inicialmente, um entrave é a mentalidade retrógrada de parte da população, que age como se os deficientes auditivos fossem incapazes de estudar e, posteriormente, exercer uma profissão. De fato, tal atitude se relaciona ao conceito de banalidade do mal, trazido pela socióloga Hannah Arendt: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Um exemplo disso é a discriminação contra os surdos nas escolas e faculdades – seja por olhares maldosos ou pela falta de recursos para garantir seu aprendizado. Nessa situação, o medo do preconceito, que pode ser praticado mesmo pelos educadores, possivelmente leva à desistência do estudo, mantendo o deficiente à margem dos seus direitos – fato que é tão grave e excludente quanto os homicídios praticados em Esparta, apenas mais dissimulado.

Disponível em: Manual de redacao do Enem

O fragmento do texto I apresenta um exemplo mais próximo do nosso conhecimento de mundo para comprovar e justificar o conceito abstrato de banalidade do mal da socióloga Hannah Arendt.

Texto II

Contudo, observam-se algumas distorções para essa garantia educacional. Infelizmente, os surdos são alvo de preconceito e são vistos erroneamente como incapazes. Isso é frequentemente manifestado na forma de violência simbólica, termo do sociólogo Pierre Bourdieu, que inclui os comportamentos, não necessariamente agressivos física ou verbalmente, que excluiriam moralmente grupos minoritários, como a PCD, exemplificados na colocação desses indivíduos em postos de trabalho menos valorizados e menos remunerados. Adicionalmente, nota-se que outra manifestação dessa violência é a falta de uma infraestrutura escolar de qualidade com professores capacitados e com material adequado para garantir a devida formação educacional. Consequentemente, as vítimas dessa agressão simbólica tenderiam a se isolar, gerando, por exemplo, evasão escolar e redução da procura pela qualificação profissional e acadêmica por esses deficientes.

Disponível em: Manual de redacao do Enem

O texto II apresenta uma analogia para explicar o que seriam os grupos minoritários excluídos moralmente de acordo como o conceito de violência simbólica de Pierre Bourdieu: os PCD (pessoas com deficiência), os quais são postos em trabalhos menos valorizados e menos remunerados.

4- Exercícios de analogia

1- (ENEM) Há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. O jogo de tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo como uma bolha de sabão. O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha, sempre perde.

Já no frescobol é diferente. O sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois sabe-se que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. Assim cresce o amor. Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

ALVES, R. Tênis X Frescobol. As melhores crônicas de Rubem Alves. Campinas: Papirus, 2012.

O texto de Rubem Alves faz uma analogia entre dois jogos que utilizam raquetes e as diferentes formas de as pessoas se relacionarem afetivamente, de modo que

a) o tênis indica um jogo em que a cooperação predomina, o que representa o distanciamento na relação entre as pessoas.

b) o tênis indica um jogo em que a competição é predominante, o que representa um sonho comum no relacionamento entre pessoas.

c) o frescobol indica um jogo em que a cooperação prevalece, o que simboliza o compartilhamento de sonhos entre as pessoas no relacionamento.

d) o frescobol indica um jogo em que a competição prevalece, o que simboliza um relacionamento em que uma pessoa busca destruir o sonho da outra.

e) o frescobol e o tênis indicam, respectivamente, situações de competição e cooperação, o que ilustra os diferentes sonhos das pessoas no relacionamento.

2- (UNICAMP) Leia a seguir a crônica adaptada “O crítico teatral vai ao casamento”, de Millôr Fernandes.

Como espetáculo, o casamento da Senhorita Lídia Teles de Souza com o Sr. Herval Nogueira foi realmente um dos mais irregulares a que temos assistido nos últimos tempos. A noiva parecia muito nervosa, nervosismo justificado por estar estreando em casamentos (o que não se podia dizer do noivo, que tem muita experiência de altar) de modo que até sua dicção foi prejudicada. O noivo representou o seu papel com firmeza, embora um tanto frio. Disse “sim” ou “aceito” (não ouvimos bem porque a acústica da abadia é péssima). Fora os pequenos senões notados, teremos que chamar a atenção, naturalmente, para o coroinha, que a todo momento coçava a cabeça, completamente indiferente à representação, como se não participasse dela. A música também foi mal escolhida, numa prova de terrível mau-gosto. O fato de a noiva chegar atrasada também deixou altamente impacientes os espectadores, que mostraram evidentes sinais de nervosismo. A sua entrada, porém, foi espetacular, e rendeu- -lhe os melhores parabéns ao fim do espetáculo. Lamentamos apenas – e tomamos como um deplorável sinal dos tempos – a qualidade do arroz jogado sobre os noivos.

(Adaptado de Millôr Fernandes, Trinta anos de mim mesmo. São Paulo: Círculo do livro, 1972, p. 78.)

O cronista recorre à analogia para construir uma aproximação entre o casamento e uma peça teatral. Mostre, com trechos do texto, dois usos desse recurso: um com referência à noiva e o outro com referência ao noivo.

3- (UNICAMP) Caligrafia

Arte do desenho manual das letras e palavras.

Território híbrido entre os códigos verbal e visual.

A caligrafia está para a escrita como a voz está para a fala.

A cor, o comprimento e espessura das linhas, a disposição

espacial, a velocidade dos traços da escrita correspondem

a timbre, ritmo, tom, cadência, melodia do discurso falado.

Entonação gráfica.

Assim como a voz apresenta a efetivação física do

discurso (o ar nos pulmões, a vibração das cordas vocais,

os movimentos da língua), a caligrafia também está

intimamente ligada ao corpo, pois carrega em si os sinais

de maior força ou delicadeza, rapidez ou lentidão,

brutalidade ou leveza do momento de sua feitura.

(Adaptado de https://www.arnaldoantunes.com.br. Acessado em 12/ 07/ 2016.)

Em Caligrafia, o autor:

a) estabelece uma relação de causa e efeito entre caligrafia e voz.

b) sugere uma relação de oposição entre caligrafia e voz.

c) projeta uma relação de gradação entre caligrafia e voz.

d) apreende uma relação de analogia entre caligrafia e voz.

Gabarito

1- C

O frescobol tem objetivo de manter a bola no ar, em uma sequência definida pelo período de tempo e a quantidade de bolas trocadas enquanto a bola não cair no chão, diferentemente do tênis em que a competição é predominante na partida. Assim, o texto faz uma analogia entre os dois jogos para destacar o que deve prevalecer em um relacionamento de casal: o compartilhamento do sonho, assim como no frescobol.

2- Ao justificar o nervosismo da noiva alude à ansiedade característica dos atores durante a primeira apresentação do espetáculo: “nervosismo justificado por estar estreando em casamentos”. Em relação ao noivo, destaca-se o fragmento “o noivo representou o seu papel com firmeza”, que se contrapõe à segurança demonstrada pelo comportamento do noivo que já tinha vivenciado essa experiência do casamento anteriormente.

3- D

Há uma relação de analogia entre os elementos caligrafia e voz estabelecida pelo compositor, Arnaldo Antunes. Isso indica uma série de semelhanças entre os dois elementos.

Quer se preparar para a nota MIL na redação? Então, dê uma olhada nas nossas aulas e artigos sobre o assunto!

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