Questão 58 da prova azul do primeiro dia do Enem 2025

Dos 10 aos 15 anos de idade, Virgínia adorava acompanhar seu pai, aos domingos, naquela sinestésica Feira de São Cristóvão (RJ), talvez por ser o maior elo que ela experimentava com o mundo exterior à sua casa e, visto assim e agora, tão íntimo e próximo de algo que ela ainda não sabia, mas que seria, no futuro, a sua própria casa: a Paraíba. Dona Didi costurava, sob medida, camisas sociais, bermudas, shorts, vestidos, saias, sempre em casa e rodeada pelos quatro filhos pequenos do casal, desdobrando-se para dar conta de toda a responsabilidade sem trégua que isso demandava.

PASSOS, M. C. P. et al. apud SCARELI, G. A máquina de costura e os fios da memória. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto) Biográfica, n. 18, maio-ago. 2021 (adaptado).

Os itinerários afetivos e socioespaciais mencionados no texto associam-se à vida dos personagens por apresentarem

  1. histórias conectadas e recordações do lugar.
  2. direitos trabalhistas e produção industrial.
  3. preconceitos linguísticos e dinâmicas territoriais.
  4. lembranças fabris e discriminação dos operários.
  5. experiências profissionais e segregação regional.

Gabarito da questão

Opção A

Questões correspondentes

53 47 52

Comentário da questão

Letra A.
O texto apresenta lembranças afetivas de Virgínia, que associa a Feira de São Cristóvão (RJ) à Paraíba, lugar de origem e identidade familiar. Também menciona a mãe, Dona Didi, que costurava em casa enquanto cuidava dos filhos, sendo um exemplo de retrato íntimo e emocional do cotidiano familiar. Essas descrições ressaltam laços afetivos, memórias pessoais e vínculos com lugares (a feira, a casa, a terra natal), ou seja, itinerários afetivos e socioespaciais construídos por meio de lembranças e experiências de vida. Não há discussão sobre exploração, discriminação, direitos trabalhistas ou segregação; o foco está nas memórias e afetos ligados a espaços vividos.

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