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Redação Exemplar

Desafios para Formação de Surdos

Redação Exemplar Enem 2017

Modelo 1

 

De acordo com o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988, além de saúde, segurança, trabalho e moradia, a educação é direito social básico determinado e garantido a todos os cidadãos sem distinção de classe, credo e cor ou limitações neurológicas e físicas. Entretanto, algumas parcelas da população enfrentam obstáculos que dificultam a prática dessa determinação. Nesse cenário, os surdos, representantes de uma dessas minorias, sofrem com a falta de instituições preparadas para recebê-los, além do despreparo de profissionais que atuam diretamente com o ensino.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar a falta de infraestrutura das escolas e universidades para receber e acolher a demanda de alunos com deficiência auditiva. Isso lhes resulta em um acesso limitado e, muitas vezes, inexistente na esfera educacional, e essa restrição acarreta não só no afastamento do ensino, mas também em segregação social, que pode contribuir para casos de humilhação e sensação de não pertencimento. Somado a isso, sabe-se que o ensino garante uma formação profissional que contribui para a inserção do indivíduo no mercado, e a negação disso além de alienação é um ato inconstitucional.

Analogamente, os profissionais da educação estão diretamente ligados a essa problemática já que são ferramentas ativas no processo de ensino. Dessa forma, é imprescindível que o docente tenha uma formação curricular que saia de uma formatação cristalizada e englobe a educação especial não só como uma disciplina eletiva, mas de fato elemento fundamental para a inclusão e transformação social do estudante. A surdez ainda é encarada como uma particularidade excludente do indivíduo, quando não deve ser vista como uma característica de inferiorização.

Fica claro, portanto, que setores sociais precisam ser revistos para que se chegue a uma solução para um problema que é sistemático e continuado. Sendo assim, o Ministério da Educação deve investir nos institutos especiais e capacitar as escolas públicas para garantir a dissolução dos obstáculos logísticos de estrutura. Ademais, a formação do professor deve tratar o ensino de LIBRAS – segunda língua oficial do Brasil – não como opção, mas como necessidade, e intérpretes devem ser contratados pelas escolas para acompanhar os alunos, garantindo interação, respeito e inclusão destes. A configuração do espaço escolar precisa ser alterada a fim de propiciar educação inclusiva: um professor capacitado e um ambiente preparado são capazes de agir como transformadores sociais.

 

Modelo 2

 

O Brasil é um país bilíngue, mas poucas pessoas sabem que LIBRAS tem status de língua oficial. Isso se deve ao descaso e à marginalização de pessoas surdas, enquadradas numa minoria social. Aliado a isso, nota-se que grande parte da população não tem informação e discernimento para lidar com pessoas com necessidades especiais, que sofrem por não terem direitos básicos garantidos, como, por exemplo, a educação. Nesse sentido, por mais que a causa esteja ganhando visibilidade aos poucos, muito há que se fazer para que se faça valer o direito à instrução, assegurado pelo artigo 6º da Carta Magna de 88.

Primeiramente é importante ressaltar que há instituições de ensino voltadas para a educação de surdos, mas elas não dão conta do quórum dessa parcela da sociedade. Sendo assim, muitas pessoas sob essa condição ou ficam sem estudar, ou são encaminhadas para instituições de educação regular sem a necessária infraestrutura, o que pode potencializar a exclusão do deficiente dentro dos muros da escola. A consequência de uma formação insuficiente intensificada pelo preconceito gera um cidadão não preparado para as inserções no mercado de trabalho e nos círculos sociais em geral.

Além disso, o descaso institucionalizado para com as minorias sociais é uma realidade. O despreparo de profissionais para atuação na área da educação especial é resultado de currículos engessados e formatados para serem excludentes. Dessa forma, a instrução em LIBRAS, por exemplo, não deveria ser tratada como um diferencial na formação do docente, mas uma necessidade primordial para o cumprimento das leis.

Portanto, tolher pessoas surdas do direito à educação é inconstitucional. Sendo assim, é imprescindível que o MEC repense os parâmetros curriculares de formação tanto de professores quanto de alunos. As escolas e universidades precisam ser reformuladas e reconfiguradas para receber qualquer cidadão brasileiro nos termos legais e isso resultaria, inclusive, na geração de empregos, pois intérpretes seriam peça-chave no ambiente educacional. O ensino de LIBRAS é fundamental por permitir que ouvintes e não ouvintes se comuniquem e possibilita maior interação social dos indivíduos, bem como confere-lhes dignidade. Aliado a isso, o mesmo ministério deve se comprometer com estratégias em conjunto com as mídias para que toda a população saiba lidar com as diferenças. É dada a hora de ouvirmos o grito da população surda.

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