O estudo para concurso e as mentiras que nos aprisionam

Quando se trata de estudar para concurso, as mentiras são as portas das prisões que criamos e nas quais nos trancamos. Contamos  mentiras a nós mesmos e nos lacramos em masmorras para, depois, buscarmos um jeito de encontrar as chaves que nos livrarão daquela situação.

A verdade é simples: precisamos parar de acreditar nessas mentiras (ainda que seja mais fácil falar do que fazer…). Fomos nós que as inventamos!

Se não pudermos superar as mentiras que contamos a nós mesmos, acabaremos no mesmo lugar, prontos para parar de estudar, simplesmente sob o fundamento de que “concurso público não é a minha”.

Podemos facilmente identificar as principais mentiras em que acreditamos e que nos impedem de avançar.

Mentira 1: É preciso ter muito tempo livre para estudar para concursos

Ao ouvirmos ou lermos histórias de aprovados em concurso público que envolvem “estudo em tempo integral”, “14 horas diárias de estudo” e afins, costumamos criar nossa primeira mentira: “não tenho todo esse tempo, nem consigo me concentrar no estudo durante período tão longo, por isso é melhor desistir”.

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O que deixamos de observar é que o estudo para concurso se faz muito mais em bases qualitativas que quantitativas. 1 hora de estudo intenso, com efetiva absorção da matéria, vale tanto ou mais que períodos de 3 horas seguidas de estudo, entremeadas por “lanchinhos”, “bate-papos virtuais”, “consultas ao horóscopo” etc.

Ou seja, se você conseguir fabricar dois ou três períodos diários de 1 hora (cada) de estudo intenso, estará fazendo uma preparação adequada e compatível com a realidade de alguém que trabalha, que dá atenção à família, que cuida da saúde…

E se não tiver um emprego, ou uma família para cuidar, poderá aumentar o número de períodos de estudo intenso, acelerando o processo. O mais importante é ganhar ritmo de estudo.

Tempo, arruma-se com a definição de prioridades. No topo da lista devem estar a família (marido, esposa, filhos, pais idosos), a saúde, o trabalho e o estudo.

Os amigos (sendo, de fato, amigos) compreenderão a sua ausência circunstancial. As redes sociais e os seriados do Netflix não sentirão a sua falta, assim como as noitadas (ou “baladas”, para os paulistas).

E se o dia parecer curto, experimente acordar um hora mais cedo, diminuir o tempo do almoço, sumir com a televisão…

Se você toma dois banhos por dia, reduza para um (o planeta agradece). Se toma apenas um, diminua o tempo dele pela metade.

O seu dia de estudo – recheado de interrupções, de debates estéreis no zap, de visitas constantes ao Insta etc – é como este chope?

É hora mudar de atitude…

Pare de montar quadro de horários, tabelas de estudo, gráficos de aproveitamento e congêneres. Isso toma tempo. Planejar funciona quando não rouba o tempo da execução. Ou seja, planeje menos e execute mais!

Se estiver em dúvida sobre o quê estudar ou qual livro adotar, não formule consultas ou perguntas em fóruns virtuais como grupos do facebook. Essas dúvidas normalmente geram discussões que se arrastam em resenhas intermináveis e, por mais solícitos que sejam, os debatedores mais confundem que ajudam. No fim das contas, você terá perdido um tempo precioso lendo as opiniões de todos.

Não sabe o quê estudar? Simples: escolha qualquer matéria que ainda não domine. Ao final daquele período de estudo, será “menos uma”.

Tem dúvida sobre o livro adequado? Use o que você já possui. Não há livro ruim. Bem, teoricamente há, mas isso não vem ao caso nesse momento. Certeza mesmo é a de que livro não estudado, não lido, esse não é ruim…é péssimo!

Não é preciso ter muito tempo livre para estudar para concurso. Basta aproveitar bem cada dia. Não há nada mais gratificante para um concurseiro do que botar a cabeça no travesseiro à noite com a certeza de que o dia rendeu (tecnicamente a efetiva aprovação no concurso seria mais gratificante, mas enquanto ela não vem, vamos nos contentar com o bom rendimento no estudo).

Mentira 2: É preciso ser quase um gênio para passar em concursos

Olhar com reverência o aprovado em concurso, como se fosse um deus ou um suprassumo da sapiência, em nada contribui para a motivação de quem ainda trilha o árduo caminho da preparação.

Uma das grandes mentiras que continuamos a nos contar é a de que a aprovação em concurso público exigiria dotes extra-sensoriais não ostentados por nós, meros mortais.

Essa mentira é perigosíssima e surge com força durante todos os períodos de dificuldade que enfrentamos em nossa preparação, desestimulando, desanimando e instalando um sentimento de derrotismo.

Sabemos que o aprovado é de carne e osso. Não raro é um conhecido nosso, que nunca nos impressionou pela capacidade intelectual.

Ouvimos e lemos histórias de gente humilde, sem boa formação de base, cujo esforço acabou recompensado. Mas insistimos nessa enganação de que teriam todos um talento especial do qual não compartilhamos.

É importante admirar o aprovado, mas sempre absorvendo o exemplo de dedicação e perseverança por ele transmitido.

Devemos ter em mente que qualquer conquista é sempre precedida de derrotas, lamentos, desesperança e outras dificuldades. E se é essa situação angustiante que vivemos no momento, então devemos pensar que estamos no caminho certo.

Todos os grandes empreendedores da história falharam algum dia.

  • Os Beatles foram rejeitados pela primeira gravadora.
  • Walt Disney era cartunista de um jornal e acabou demitido, sob a justificativa de que “não tinha ideias nem imaginação”.
  • Michael Jodan foi cortado do time de basquete da escola quando era garoto.
  • Albert Einstein começou a ler apenas aos 7 e a falar aos 4, o que levou seus pais e professores a achar que ele tinha alguma limitação mental.

Hoje, são considerados “gênios”, mas quando fracassaram no passado, foram ignorados ou mesmo ridicularizados.

Se você sofrer uma derrota, ou melhor, quando sofrer uma derrota, não deixe de observar esses pontos:

  • evite criar desculpas
  • não finja que não aconteceu
  • um objetivo fracassado não se confunde com uma pessoa fracassada
  • você não está sozinho
  • extraia lições do fracasso e…
  • persevere!

Aprenda a lidar com a reprovação!

Devemos lembrar sempre que não se assume o tão sonhado cargo público sem um mínimo de resiliência.

Mentira 3: É preciso entrar em algum “esquema” ou ser “amigo de alguém” para passar em concursos

Ao adotar essa mantra, assumimos a condição de internados na UTI da preparação, em estágio terminal, encabeçando a fila dos desistentes e flertando com a cretinice.

Mas não é tudo. Ainda estaremos ofendendo a grande maioria de candidatos honestos, que enfrentou com muito sacrifício o processo de preparação e acabou vencendo.

Se estamos firmes no propósito de jogar a toalha, melhor nos abraçarmos a uma mentira mais digna e menos covarde.

Mentira 4: É preciso ter dinheiro para estudar nos melhores cursos preparatórios e comprar os melhores livros

Essa é uma mentira relativa. Ninguém vai negar que se gasta algum dinheiro na preparação para concursos. Cursos, material de estudo, taxas de inscrição, tudo tem um custo.

Mas se considerarmos que vamos nos privar de algumas atividades de lazer nesse período – como consequência natural da opção pelo estudo – haverá uma compensação: parte do gasto que deixaremos de assumir com o cinema, na cervejinha com os amigos ou no restaurante poderá representar uma boa economia a ser aplicada na preparação para concurso.

E com um pouco de improvisação, podemos tranquilamente driblar a escassez de recursos. Por exemplo, se estivermos com dificuldades para adquirir livros, uma boa ideia seria procurarmos um concurseiro recém-aprovado, expondo-lhe a situação. É muito provável que ele fique feliz em compartilhar conosco seu material de estudo. Além do custo zero na aquisição, ainda teremos acesso a um conteúdo que deu resultado!

Quanto aos cursos preparatórios, especialmente no segmento online, um mínimo de pesquisa permite que encontremos opções com uma boa relação custo-benefício.

Aliás, pagando menos de dois reais por dia, podemos acessar conteúdo de alta qualidade, atualizado, com material de apoio e exercícios de fixação (aham, acho que você já ouviu falar do Descomplica/Concursos, certo?).

Ou seja, se vamos desistir apoiados no argumento da falta de dinheiro para adquirir material de preparação, melhor buscarmos uma mentira mais convincente.

Mentira 5: É preciso atingir resultados rapidamente

Quem disse isso? É claro que gostaríamos de assumir um cargo público o quanto antes. Seria ótimo! Mas o que nos faz pensar que a demora na chegada dos resultados seria motivo para desistir, senão a pura e simples vontade de…desistir?

Estudo para concurso e imediatismo são inconciliáveis. Não se ergue um edifício em uma semana ou mesmo em um mês. Da próxima vez que olharmos a “montanha” de matérias ainda a ser estudada, pensemos: “tijolinho por tijolinho”. Cada dia de estudo é uma vitória. Aliás, vamos tomar gosto pelo estudo. Estudar para aprender, não “para passar” ou “até passar”. Dessa forma, a viagem será prazeirosa e, mesmo que tome tempo, não cansará.

Quer jantar um elefante? É possível. Dê uma mordida de cada vez…

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Fonte: https://www.wearetheliving.com/how-to-eat-an-elephant/

Não desista do seu sonho por achar que levará muito tempo para concretizá-lo. O tempo vai passar, de uma forma ou de outra. Te vejo no serviço público!

em tempo: se nada disso te convenceu, parabéns, você é um mentiroso nato! Nesse caso, sugiro que dê uma conferida no meu “Como arruinar sua preparação para concursos públicos” e, assim, sofisticar ainda mais a sua derrota.

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