Meu pé de goiaba vermelha

Quando eu era criança, a casa em que eu morava e passei minha infância era grande. Era enorme! Tinha um quintal imenso com grama. O sonho do meu pai era ter ali um campo de futebol, mas a grama crescia de forma desordenada e o plano nunca deu certo. Éramos uma família mediana, mas quando os agregados se juntavam a nós, chegávamos a doze pessoas.

Lembro que em nosso quintal tinha um pé de acerola e um enorme pé de goiaba vermelha. Nossa maior aventura era ver quem conseguia subir no galho mais alto em pouco tempo. Amávamos nos aventurar em coletar as frutas do alto, porque, ao nosso paladar, eram sempre as mais saborosas e açucaradas. Sem falar quando comíamos goiaba e tinha bicho! Nossa! Uma infância toda em comer bichos de fruta. Acho que dava um sabor a mais.

Em época de plena primavera, era goiaba todos os dias e em todas as refeições. Suco de goiaba, sacolé de goiaba, goiaba in natura, geleia de goiaba, goiaba assada, doce de goiaba. Tudo era com goiaba! Não nos cansávamos de comê-la.

Com o passar dos anos, as crianças que subiam em árvores cresceram e já não conseguiam mais subir em nada. Meu pai morreu, meus irmãos e primos cresceram. A árvore grande com muitos frutos foi secando. Ela já não tinha mais tanta vida como antes. Parece que a árvore sentiu que as crianças travessas não saltavam mais entre seus galhos e nem se penduravam com cordas; sentiu que não mais nos escondíamos no seu tronco com medo de apanhar e nem como nos pendurávamos como castigo para aqueles que não conseguiam nos alcançar.

banner_descomplica_concursos

Um dia minha mãe decidiu derrubar a árvore. “Mas, mãe, cortar a árvore?” meu irmão argumentou. Minha mãe tinha vários argumentos e a sujeira que a árvore fazia e ninguém limpava estava no topo da lista. Meu sonho de ter uma casa na árvore se foi. No lugar onde tinha o meu pé de goiaba vermelha, ficou um vazio. O cimento suprimiu as raízes. Nunca mais produziria nada, nem folha para limpar teríamos mais.

Hoje, quase nenhuma criança tem um pé-de-alguma-coisa para pular. A nossa vida na cidade grande pede para escolher entre ter árvores ou ter especulação imobiliária alta. Na minha cidade tem uma rua que tem muitas árvores. Uma raridade no caos urbano! Todas as vezes que eu vou lá, o clima muda.

Sabe, fico pensando em como será a infância dos meus filhos com a escassez de árvores. Onde eles vão se pendurar e construir suas maiores aventuras no mundo da imaginação? Talvez, até lá, haja uma consciência maior sobre a importância do meio ambiente em nossa formação humana. Enquanto não houver, cabe a mim lembrar do meu pé de goiaba todas as vezes que como uma fruta; e plantar meu próprio pé de alguma fruta.

Chegou ao fim a nossa Semana do Meio Ambiente

Chegamos ao fim dessa semana especial dedicada ao Meio Ambiente. Torcemos para que as informações que passamos tenham plantado uma sementinha que germine boas reflexões e atitudes, a fim de melhorar a vida nesse nosso lindo planetinha azul.

Com certeza, por aqui, plantamos várias sementinhas que darão lindos frutos para novas ideias sobre o tema que serão, tão logo, compartilhadas com vocês.

Como última ação da semana vamos ficar com um trecho do Livro; “Saber cuidar. Ética do humano. Compaixão pela Terra.”; do Leonardo Boff.

Sonhamos com uma sociedade mundializada, na grande casa comum, a Terra, onde os valores estruturantes se construirão ao redor do cuidado com as pessoas, sobretudo com os diferentes culturalmente, com os penalizados pela natureza ou pela história, cuidado com os espoliados e excluídos, as crianças, os velhos, os moribundos, o cuidado com as plantas, os animais, as paisagens queridas e especialmente o cuidado com a nossa grande e generosa Mãe, a Terra.

Bom fim de semana, boas leituras e boas reflexões! 🙂

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here