Como Obter um Ótimo Rendimento em Curso Online na Preparação para Concursos Jurídicos

Então depois de uma exaustiva pesquisa de preço, conteúdo, duração e qualidade, você finalmente adquiriu o seu curso na internet e está pronto(a) para começar as aulas, certo? As vantagens que o ensino a distância traz ao estudante são inúmeras e todo mundo já está careca de saber disso. Não é esse o assunto aqui. Quero tratar de compromisso e rendimento. Por mais paradoxal que seja, como é muito fácil acessar as aulas do curso online – tão simples e rápido quanto assistir a um vídeo no YouTube ou ler uma postagem no Facebook –, é comum o aluno se dispersar. Muitos também se desorientam no caminho, pulando aulas ou espaçando-as demais, afastando-se, assim, do rendimento ideal.

Depois de 5 anos de estudo para concursos, com 3 aprovações em concursos relevantes (Procurador da Fazenda Nacional, Promotor de Justiça/RJ e Juiz Federal), mais 20 anos lecionando em cursos preparatórios, tendo participado ativamente do processo de migração de turmas presenciais para o modelo online, acho que posso oferecer algumas sugestões sobre como deve o aluno abordar o curso online para aproveitá-lo ao máximo e com isso maximizar o rendimento na preparação para concursos jurídicos.

Mas atenção: se você já vem fazendo algum curso online e se sente perfeitamente confortável, com ritmo de estudo e mostrando progresso, pare de ler agora e volte aos estudos. Essas sugestões são desnecessárias para você. Quero falar com quem ainda está claudicante e procura um direcionamento.

As sugestões que trarei, em 9 tópicos, foram por mim organizadas quando preparava a gravação da aula inaugural de meu curso online de Direito Tributário, disponível aos assinantes do Descomplica Concursos. A ideia inicial, de orientar meus alunos, logo evoluiu para essa postagem no TSC, quando percebi que nada tinha de especial em relação à matéria que leciono: trata-se de um conjunto de técnicas que bem pode ser observado na abordagem de todo e qualquer curso preparatório para concursos na área jurídica.

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Se, das dez sugestões que eu trago, você aproveitar ao menos uma, e se ela viabilizar uma  evolução no seu estudo e acelerar sua preparação, estarei recompensado. Essa é a ideia: compartilhar minha experiência e te ajudar nessa jornada repleta de desafios.

Vamos às sugestões:

1. Não se preocupe com a bibliografia. Use qualquer livro que  já possua.

Você não começou “ontem” no direito, certo? Já terminou sua faculdade e provavelmente dispõe de livros das principais matérias, que te foram indicados pelos professores da graduação. Pois então? Se já está acostumado com eles, siga usando-os. Não se impressione com o concurseiro aprovado que diz que para passar naquele concurso é preciso estudar pelo livro X. Provavelmente outro aprovado no mesmo concurso está dizendo o mesmo do livro Y…

Costumo dizer aos meus alunos que Direito Tributário é uma história contada e recontada diversas vezes, pelos mais variados autores. Cada um tem o seu estilo, cada livro é diagramado de uma forma, mas, no fim do dia, a história é sempre a mesma. Livro bom é o livro lido, estudado. Aquele que era incensado com o “livro definitivo” sobre a matéria, mas que ficou armazenando poeira em sua estante, porque você o achou enfadonho e com letras muito pequenas…esse foi péssimo para o seu estudo.

Pare de perder tempo pesquisando em fóruns ou em grupos do Facebook se o livro que você está lendo é ou não adequado. Tenha certeza de que vários estudantes já o utilizaram com sucesso. A doutrina é apenas uma parte do conhecimento que você precisa absorver na preparação e, ainda assim, o principal objetivo do estudo, aqui, é formar um juízo crítico que te permita raciocinar no momento da prova, para “costurar” uma resposta minimamente adequada e que agrade ao examinador. Para isso, às lições do livro se somarão  as aulas do seu curso online, a jurisprudência que você irá pesquisar ao longo do estudo, o direito positivo (letra da lei), os debates com os colegas, a sua reflexão…

Enfim, chega de drama. Se ainda não tiver um livro para a matéria, valha-se da sugestão de seu professor, defina o livro base, comece estudá-lo e não olhe para trás!

2. Assista às aulas com o código e/ou as leis básicas da matéria sempre à mão.

Quem se preocupa apenas em memorizar a lei acaba optando por um estudo cansativo e enfadonho. É preciso amarrar o texto da lei em uma narrativa minimamente coerente e – por que não? – interessante. E essa é, precisamente, a narrativa de seu professor. Nunca deixe de parar para ler todo e qualquer artigo de lei citado por ele em aula, com muita atenção.

Como professor de Direito Tributário, não quero que você pare para gravar o conceito de tributo que está presente no artigo 3º do CTN. Do contrário, eu me valeria de mnemônicos para te ajudar. O que eu quero é que você entenda esse conceito, que saiba o motivo pela qual cada palavra ali se encontra e possa, a partir de então, tanto reconhecer os erros que enunciados de questões objetivas sobre a matéria venham a apresentar, quanto dissertar em prova discursiva tributária.

Mas é lógico que quanto mais vezes você ler o artigo citado pelo mestre, mais fácil e rápido será o armazenamento daquela informação em sua mente. Portanto, espante a preguiça e pare para ler a lei sempre que o professor mencioná-la em aula. Se ele próprio fizer a leitura em voz alta, ouça-a e depois pause a aula, para ler em silêncio. Quando a memória visual te ajudar a encontrar rapidamente o texto de lei que precisar em uma prova, você irá me agradecer por esse óbvio conselho.

3. Depois de cada aula, estude o tema dado pelo professor no seu livro de preferência.

Nenhuma abordagem é 100% completa: nem a da aula, nem a do livro. Em várias passagens, uma complementará a outra. E naquilo que houver de comum a ambas, a leitura do livro ajudará no processo de represamento da informação transmitida em aula. Por isso, se a aula terminou, é hora de abrir o livro e ler o capítulo ou o trecho correspondente ao tema da aula. Faça disso um hábito, de modo que o estudo do dia não esteja completo até que a leitura termine.

4. Antes de assistir à aula seguinte, faça exercícios (ou uma redação) sobre a matéria da aula anterior.

Está mais do que provado que a realização de exercícios sobre o tema estudado ajuda na absorção do conteúdo e “lubrifica” a engrenagem que traz a informação da memória para ponta da caneta (ou do lápis). A ideia, aqui, é você não começar a aula seguinte sem antes conseguir lembrar aquilo que foi estudado na aula anterior.

Se não encontrar exercícios sobre o assunto, faça uma redação. Por exemplo, se aula anterior tratou de ato administrativo, invente um enunciado de questão discursiva sobre o tema – como, por exemplo, “Disserte sobre os requisitos de validade do ato administrativo, com enfoque no controle judicial” – e simplesmente tente escrever um texto resposta.

Feitos os exercícios ou a redação, vá ao livro ou aos seus escritos procurar os erros e acertos, ou o que tiver faltado na redação. Com isso você estará reestudando a matéria da aula anterior e preparando o alicerce no qual serão assentados os novos conhecimentos que virão com a aula seguinte.

Com o tempo você ganhará ritmo de estudo e perceberá que a absorção do conteúdo das aulas será cada vez mais fácil. Isso ficará bem nítido quando estiver tirando de letra os exercícios e as redações.

5. Não guarde dúvidas e sempre tente resolvê-las sozinho(a), através de pesquisa. Caso não consiga, procure o professor.

É comum o estudante logo procurar a ajuda do professor assim que se depara com uma dúvida. Caso típico de insegurança. A boa preparação exige uma certa dose de curiosidade, portanto, estimule-se a pesquisar para solucionar suas dúvidas por conta própria.

Muitas vezes, ao pesquisar determinado assunto, o estudante conclui que, na verdade, não estava em dúvida sobre o que ouviu em aula ou leu no livro, apenas discordou do mestre/autor. É o que ocorre quando sai a campo para tentar validar sua conclusão e encontra outras pessoas que pensam da mesma forma.

Não “acredite” piamente no que o seu professor/autor diz. Submeta todas as informações recebidas a um senso crítico. Acostume-se a discordar, sempre que aparecerem fundamentos eficientes para tanto. Logo você encontrará outros professores ou autores com o mesmo raciocínio e ficará orgulhoso de ter chegado a ele sozinho.

Quando de fato surgir uma dúvida, pesquise a jurisprudência ou procure no Google artigos sobre o assunto. Se dessa pesquisa resultar a solução do dilema, dificilmente você irá esquecer a resposta, sem contar que você poderá “acertar no que não viu” e acabar encontrando informações diversas da que estava procurando, mas muito relevantes à preparação.

Em último caso, procure o professor com a dúvida. Como tentou encontrar a solução por conta própria, você estará bem preparado para discutir com ele as alternativas e entender exatamente o caminho que será apontado pelo mestre.

6. Assista ao menos 2 (duas) aulas da mesma matéria por semana

Sua preparação só irá decolar quando você pegar ritmo de estudo. Até lá, você precisa ser perseverante. Se escolheu determinada matéria para estudar, assista a, no mínimo, duas aulas dela por semana. Isso significa que se estiver estudando duas matérias, terá de assistir a quatro aulas por semana (duas de cada). Três matérias? Seis aulas por semana (de novo, duas aulas de cada). Mais do que isso não é recomendável…

Defina “lotes” de matéria para serem estudados ao mesmo tempo. Eu sempre estudei de duas em duas. Isso porque, enquanto estudava um lote, revisava um lote anterior. Estava, assim, sempre lidando com quatro matérias ao mesmo tempo.

Quando leva muitos dias para assistir à aula seguinte da mesma matéria, o estudante tem dificuldade para “linkar” os temas correlatos, o que prejudica o aprendizado. Além disso, é importante manter uma rotina de estudo bem definida e constante.

7. Não pule aulas do curso; assista-as todas!

Pouco importa que você já se considere um “craque” no tema da próxima aula. Mesmo os craques precisam treinar para manter a boa forma. E é muito pouco provável que o professor não tenha nada de novo a acrescentar ao seu estudo. Não fosse bastante, a exposição do seu mestre está toda encadeada e é fundamental que você tenha ouvido atentamente a exposição anterior para se ligar adequadamente no que será dito na aula seguinte.  Assim, nem que opte por acelerar a reprodução da citada aula, não deixe de assisti-la com atenção.

8. Marque as aulas sobre temas que considerar mais importantes, para reassisti-las oportunamente.

Há aulas que são memoráveis, seja em função da relevância dos temas nela abordados, seja por estar o professor em um dia especial, iluminado. Quando terminar de assistir a uma dessas, marque-a. É ela que você irá assistir novamente quando estiver fazendo revisão ou em véspera de prova. Está aí uma das grandes vantagens do curso online!

9. Defina metas periódicas e comemore quando atingi-las.

A sua meta final é a aprovação no concurso almejado. Fato. Nada impede, contudo, que você tenha metas anteriores, periódicas, cujo atingimento irá mostrar a boa evolução de sua preparação. Defina-as, mas sem exageros. Começar o estudo de uma matéria prometendo a si mesmo completá-lo em um mês é um erro. Não funciona assim. As metas estabelecidas devem ser viáveis, ainda que demandem um bom esforço para serem atingidas (e é bom que seja assim).

Em se tratando de curso online, você pode traçar um plano de assistir – com bom aproveitamento, é claro – a, digamos, quarenta aulas por mês (ou algum outro fator que represente determinado percentual do todo, de forma que em tantos meses tenha completado o curso ou determinado número de matérias). Pode ser um pouco mais ou um pouco menos. Há algumas variáveis, como a duração média das aulas, o seu estágio de preparação, o tempo que reservou ao estudo…

Qualquer que seja a meta estabelecida, faça de tudo para alcançá-la. Findo o mês, atingida a meta, considere uma vitória pessoal e comemore. Dê-se um prêmio. Isso vai te dar motivação para prosseguir. Caso tenha falhado, entenda o que ocorreu e comece novamente. Não desista!

Mensagem final

Esse rol de sugestões não é, naturalmente, exaustivo.  Estarei sempre pronto a editar o texto para incorporar outras ideias que me ocorram. E se você tem algum método eficiente e que lhe esteja trazendo bons resultados, não deixe de compartilhá-lo aqui. Por outro lado, se estiver com alguma dúvida, angústia ou frustração e quiser ouvir uma palavra amiga, conte conosco. Já trilhei esse caminho e sei que é árduo. Mas sou, como muitos que também resistiram e saíram vitoriosos, a prova viva de que, no fim, o esforço é sempre recompensado. O seu ainda não foi? Então o fim ainda não chegou. Continue remando e…

bom curso!

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