Como Lidar com as Derrotas em Concursos

Enfrentando Derrotas

Em se tratando de concurso público, “derrota” é uma palavra muito forte. Quem se prepara está o tempo todo colocando seu conhecimento à prova e deve saber que terá de conviver com o fracasso até que consiga a efetiva aprovação. É contraditório fazer a prova ciente de que ainda não atingiu um nível de preparação adequado e depois sair chorando por conta da reprovação. E mesmo aqueles que se sentiam aptos a passar não têm razão para para ficar abalados ou deprimidos com a perda.

Vou mostrar o porquê disso, trazendo minha experiência pessoal como concurseiro, somada a tudo o que vivenciei nesses mais de 20 anos preparando candidatos a vagas no serviço publico, em sete tópicos sobre como lidar com as reprovações. Espero que, depois de ler o texto, você passe a encará-las com naturalidade e – por que não? – a usá-las como combustível motivacional para continuar. Vamos nessa!

1. Não tente suprimir suas emoções

Perdeu? Não esconda o que está sentindo. Raiva? Medo? Tristeza? Vergonha? Desânimo? Esses são sentimentos comuns em quem é reprovado e você deve identificá-los para tentar trabalhá-los em sua mente.

Bote “tudo” para fora. Não esconda nada. Não negue o seu sentimento, nem se reprima, até por questões de saúde. Se tiver que chorar, gritar…faça isso. Não importa que tenha feito o concurso já em uma fase avançada de preparação ou que fosse apenas um teste. É importante extravasar a frustração, para que você consiga o mais rapidamente possível se recuperar e voltar à preparação.

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O americano ensina: “no pain, no gain“, ou seja, não há ganho sem dor. Entenda que é no sofrimento que se cresce. Estabeleça uma relação entre as derrotas e a futura vitória, para que conseguir administrar melhor a dor. Todo mundo experimenta esse sentimento. Por que com você seria diferente?

2. Aceite a derrota

Não finja que não aconteceu, nem tente aparentar que nada ocorreu. É uma derrota, sim. Aceite. Todo mundo já perdeu na vida. Tentar se enganar – ou, pior, dissimular a verdade a terceiros – é um erro grave e não te trará nenhum benefício. Quando perguntarem: “E aí? Como foi?”, responda sinceramente, sem rodeios ou subterfúgios. Você não está fazendo concurso para provar nada a ninguém. A reprovação não deve ser mitificada ou escamoteada.

A probabilidade de ser reprovado nas primeiras tentativas deve estar tão presente na mente do concurseiro quando a de ser aprovado se houver perseverança na preparação. Assim, consumada a derrota, pense: “hum…a probabilidade inicial se confirmou. Ótimo! Agora vou perseverar para que a probabilidade final também se materialize”.

Evite colocar a culpa nos outros. “A prova foi mal formulada”; “o examinador estava de má intenção”; “o local da prova era muito calorento”… desculpas esfarrapadas como essas em nada ajudam. Alguns não superaram tudo e passaram? Então? Assuma a sua responsabilidade pelo fracasso.

Abstraia fatores que fogem ao seu controle. Se o examinador formulou questão cuja resposta você só encontraria em uma nota de rodapé de um livro de doutrina australiana, não há razão para se desesperar. Trata-se de algo que não mede conhecimento e que é cada vez mais raro hoje em dia. Certamente não irá se repetir, pois os órgãos de controle estão cada vez mais atentos a esses aspectos. De todo modo, nem mesmo intensificando a sua preparação você evitaria/evitará esse tipo de adversidade. O mesmo vale para o local da prova, para os critérios de correção…apenas abstraia e siga em frente. Esse jogo já acabou e você não venceu. Não atrase a sua preparação para o próximo.

Você sabia que não estava preparado, mas nutria alguma esperança de dar alguma sorte? Pura ilusão. A sorte é importante, mas só te ajudará quando você estiver minimamente bem preparado. Não se abata, portanto, quando a derrota vier. Seja realista sobre suas aspirações.

Agora, se você se sentia bem preparado e foi derrotado, e com uma nota ainda pior do que a que havia obtido na prova feita anteriormente…aceite do mesmo modo. As provas são diferentes e cada qual tem um grau de dificuldade, com ênfase em determinados e distintos pontos das matérias. Aqui, não há matemática. Não é porque você tirou 5,9 na última prova que obrigatoriamente irá passar de 6 na prova do concurso seguinte. Não é assim que funciona.

Enfim, não perca tempo questionando a justiça da reprovação. Perdeu e pronto. Agora é sacudir a poeira e dar a volta por cima. “Lavou, tá novo!”.  Parta para a próxima.

3. Analise as razões do fracasso

É muito importante saber o motivo pelo qual a aprovação não veio. Superado o luto, a tristeza, a decepção, procure descobrir que fatores foram determinantes para a derrota. Com objetividade, faça uma raio x de sua reprovação, procurando identificar os seus pontos fortes na prova, mas, principalmente, as suas fraquezas. O que deve ser priorizado no estudo daqui para frente? O que o examinador queria ouvir (e acabou não ouvindo) de você? “Devo focar mais na ‘letra de lei’?”. “Estou fraco na jurisprudência?”. Oriente seu estudo por respostas a perguntas desse tipo.

Aproveite para conversar com candidatos aprovados na mesma prova, tentando descobrir o que faltou em você e o que sobrou neles.

Feita essa análise, responda à seguinte pergunta: “o fracasso poderia ter sido evitado?”. Se fez a prova como treineiro, claro que não. Mas se você se considerava preparado, será que suas expectativas estavam muito elevadas para o seu nível de estudo e para o nível da prova? Você foi ingênuo de achar que tinha alguma chance? É importante ter confiança, mas você deve ser realista. A euforia desmedida – ou mesmo a arrogância – tem de ser combatida.

Mas se você acha que podia ter evitado a derrota e que suas expectativas não estavam muito elevadas, ou seja, se você acha que estava de fato preparado para passar, talvez caiba algum tipo de ajuste no curso de sua preparação. Pode ser que algo não esteja dando certo.

Digamos, por exemplo, que você esteja superando bem as fases objetivas do concurso, mas nas discursivas sua performance não esteja agradando aos examinadores. O que está havendo? Pode ser que o problema esteja na sua redação. Quando aparecemos para fazer uma prova, a presunção é de que somos ignorantes e incapazes de assumir o cargo público para o qual concorremos. Embora se trate de uma presunção relativa, o ônus de quebrá-la é nosso. Nós é que temos que provar à banca que estamos aptos. Uma redação confusa, desajustada, sem que a conclusão esteja associada às premissas, ou, pior, sem o estabelecimento das premissas, não irá promover a esperada “quebra da presunção de ignorância”. Por isso, se você está perdendo sistematicamente nas fases dissertativas e ainda não começou a buscar melhorar sua redação, não está aprendendo com as derrotas. Não basta conhecer a matéria, é preciso deixar claro ao examinador esse conhecimento. Altere o curso da preparação e passe a redigir mais, para ganhar fluência.

É UMA INSANIDADE REPETIR SEMPRE AS MESMAS PRÁTICAS E ESPERAR RESULTADOS DIFERENTES.

ALBERT EINSTEIN

Não se agarre ao critério de estudo inicialmente definido, se ele não estiver ajustado aos percalços que você vem enfrentando nas provas. Mude, até para renovar o ânimo e ganhar mais motivação (nada muito radical, certo?).

Outro exemplo: se você tem um hobby do qual não abre mão, mas que te rouba muito tempo de estudo, tempo esse que está fazendo falta – e as reprovações sucessivas são eloquente amostra disso –, você precisará escolher entre ele e a preparação. É difícil abrir mão do que a gente gosta, mas pense que é temporário. Mais à frente, a estabilidade financeira e a segurança de ter um bom emprego farão com que você passe a aproveitar muito mais essa atividade que te dá prazer.

4. Construa um pensamento positivo

Ter um mindset sempre positivo é muito importante. “É muito difícil”; “não vou conseguir”; “não é para mim”… Pensamentos negativos contaminam o ânimo e a ambição. Continue com eles e dê um grande passo para arruinar sua preparação.

Mas como ser positivo nesse contexto de reprovações? Simples, conscientize-se de que a reprovação é parte natural do percurso.

Pare de ter faniquitos ou de fazer escândalos após cada derrota. Não importa se foram 2, 3, 5 ou 10. Elas são normais e cada um tem o seu tempo. Reposicione sua mente: em vez de pensar “fui reprovado”, diga para si próprio: “subi mais um degrau”. Substitua “outra derrota…” por “mais uma etapa percorrida!”.

Usando a metáfora do William Douglas, sinta-se numa fila de cinema. A reprovação não te tira da fila. Ao contrário, ao fim do concurso, alguns terão sido aprovados e você terá dado vários passos em direção à porta de entrada. Perder, portanto, não é sair da fila. Sair da fila é parar de estudar. Quem fica na fila, ou seja, quem continua estudando, com resiliência, superando as reprovações e perseverando, um dia entrará e verá o filme (muito bom, por sinal).

Lembre-se: quando aparecer aquela ideia de tirar uma pausa sabática para relaxar após um derrota, supere. Não saia da fila!

5. Encare o revés com bom humor

Bill Watterson (Calvin and Hobbes)

Saber rir de si próprio é uma forma de ganhar força para superar os momentos difíceis. Não seja carrancudo, pois isso atrai negatividade. Faça piadas com a sua situação. O seu bom humor irá divertir as pessoas e fazer com que elas se sintam bem ao seu lado. Isso te trará confiança. Além de tudo, convenhamos, há coisas muita mais sofridas na vida que reprovação em concurso público.

Saiba que todas as derrotas que você sofreu nos concursos serão apagadas tão logo você alcance a primeira aprovação. Aquele primo distante – que te achava “meio tapado” – vai passar a te reverenciar. Os seus pais dirão que sempre acreditaram em você.  Os colegas concurseiros, que antes te ignoravam, vão logo chegar junto querendo saber dos métodos que você adotou, dos livros que usou, do curso que fez, da sua carga horária diária de estudo, das orações ou mandingas…enfim, você será tratado como um gênio, como um vitorioso. Ninguém vai lembrar de seus fracassos. Talvez nem mesmo você…

Enfim, administre com alegria a perda, mirando sempre o futuro: a vitória está logo ali, na esquina!

6. Defina um termo final para o luto

Guardar o luto faz sentido. Esse é o período no qual você irá entender suas emoções, administrá-las, fazer piadas delas… Mas um dia isso tem de terminar.

O luto não pode ser muito longo, para que não se perca o ritmo de estudo. Extraída a lição da derrota, pare de ruminá-la. Superado o obstáculo, pense no próximo. Não “colecione” os fracassos. Entenda-os e delete-os. Logo depois de extrair as lições da reprovação, ou seja, assim que dissecar a derrota, jogue-a no lixo.

Muita gente supervaloriza os fracassos e desmerece as vitórias. Não seja assim.

AS BRIGAS QUE GANHEI , NEM UM TROFÉU, COMO LEMBRANÇA, PRA CASA EU LEVEI. AS BRIGAS QUE PERDI, ESTAS SIM, EU NUNCA ESQUECI, EU NUNCA ESQUECI.

FERNANDA TAKAI – PATO FU (Música: Perdendo Dentes)

Se você foi reprovado na segunda etapa de um concurso, valorize a aprovação na etapa anterior. Superar a barreira da primeira fase é um marco que deve ser celebrado, muito mais do que se lamuriar por ter perdido na segunda.

Perdeu por pouco? Comemore! Pouco tempo atrás, você perdia por muito. Perdeu por muito? Ótimo, em breve você estará perdendo por pouco. E depois estará perdendo na segunda fase. E depois estará perdendo na última…até que venha a aprovação!

7. Tente novamente. Não desista!

A VIDA É UMA EXPERIÊNCIA QUE ENVOLVE UMA ALTERNÂNCIA SEM FIM DE SUCESSOS E FRACASSOS. SER HUMANO É FRACASSAR!

JOSHUA BECKER

PESSOAS NÃO FRACASSAM. ELAS SIMPLESMENTE DESISTEM.

HENRY FORD

ERREI MAIS DE 9000 ARREMESSOS EM MINHA CARREIRA.  PERDI QUASE 300 JOGOS. POR 26 VEZES, O ARREMESSO DA VITÓRIA ESTEVE EM MINHAS MÃOS E ACABEI FALHANDO. FRACASSEI SUCESSIVAS VEZES NA MINHA VIDA. E FOI POR ISSO QUE EU VENCI.

MICHAEL JORDAN

Tente de novo. Fracasse de novo. Fracasse melhor.

SAMUEL BECKETT

Enquanto você não tiver fracassado o suficiente, não será bem sucedido. Pense nisso e… siga no jogo!

2 COMENTÁRIOS

  1. Eu já adorava o Mauro Lopes pelo feito extraordinário (e milagroso) que ele conseguiu: Me fazer gostar (e compreender) de Direito Tributário. Agora, lendo esse artigo e verificando as credenciais deles (quanta dedicação para ajudar concurseiros!) passei a adorá-lo a admirá-lo ainda mais!

    Que Deus o abençoe grandemente, professor! Você é demais!

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