Como Escolher a Bibliografia de Estudo para Concurso Jurídico

A definição do livro base do estudo é problemática para diversos concurseiros. Muitos perdem tempo demais nessa pesquisa e, não satisfeitos, continuam se desgastando mesmo depois da escolha, angustiados sobre a pertinência da seleção.

Basta algum colega dizer que está usando livros diferentes e…pronto! A dúvida volta a se instalar, prejudicando o aproveitamento do estudo, fazendo com que o inquieto concurseiro renove a pesquisa e, muitas vezes, acabe trocando de livros, em claro retrocesso.

Essa falta de confiança nas próprias escolhas é normal em quem está começando a preparação para concursos, mas pode e deve ser combatida o quanto antes.

Nas linhas abaixo, eu vou te mostrar como escolher a bibliografia de estudo e como ganhar confiança de ter feito a seleção certa, de forma a avançar no estudo sem olhar para trás.

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Escrevi esse texto baseando-me na gravação do meu curso manual da aprovação, disponibilizado aos assinantes do Descomplica Concursos. Em outros textos baseados no mesmo curso, trato de como encarar reprovações, número de horas diárias de estudo e como aproveitar melhor o curso online.

Antes de passar ao ponto, entretanto, um aviso: se você já fez a sua seleção de bibliografia e está seguro de suas escolhas, pare por aqui. A essa altura de sua caminhada, continuar a leitura é perda de tempo, a menos que esteja no intervalo do estudo. Se for prosseguir, não se deixe confundir se algo que eu disser não estiver na linha do que você imaginou inicialmente. Confie no seu taco!

Dito isso, passemos ao assunto primário: como escolher a bibliografia de estudo. Para melhor compreensão de minhas ideias, dividi-as em tópicos. Vamos a eles.

1. Analise as características do concurso para o qual está se preparando

Uma boa preparação para concurso público prima pelo foco. Não se deve atacar as matérias como um “bode cego”, sem um mínimo sistema. O alvo deve ser examinado em seus detalhes cruciais.

Acesse as provas dos concursos anteriores para o mesmo cargo que você almeja e tente perquirir o grau de dificuldade das questões.

É claro que, no início das preparação, todas as questões parecerão difíceis para você, por isso concentre-se também na carreira eleita para a preparação: seria ela uma espécie de porta de entrada no serviço público ou a estaria no topo da pirâmide? Qual a média de aprovados nos concursos correspondentes? Qual a opinião geral sobre a complexidade das provas? Tudo isso irá te ajudar a se definir por livros mais aprofundados ou objetivos.

Identifique tanto as matérias mais exigidas, quanto as chamadas matérias “laterais”.

Quem quer ser delegado de polícia ou promotor de justiça deve saber que Direito Penal e Direito Processual Penal, por exemplo, têm um peso muito grande no concurso. A base do estudo de tais matérias, assim, deve abraçar obras “de fôlego”, de preferência escritas por autores de reconhecida qualidade e que sejam citados pelos tribunais.

Já no estudo para procuradoria fazendária, as mesmas matérias podem ser consideradas “laterais”, não figurando no grupo das mais importantes, daí porque um livro objetivo ou resumido pode se revelar suficiente para o estudo delas. Por outro lado, o Direito Tributário deve ser abordado de forma inversa em relação aos mesmos concursos: trata-se de matéria de “primeiro grupo” nos concursos para procurador fazendário, mas secundária nos exames para delegado e promotor. E assim por diante.

O viés da banca também é importante: letra de lei? Doutrina? Jurisprudência? Pesquise a tendência dos examinadores e tente identificar os livros que mais se afinam com ela.

2. Converse com aprovados no último concurso (ou procure depoimentos)

Minha experiência revela que o aprovado em concurso público tem prazer em compartilhar seus métodos e escolhas com quem ainda está em fase de preparação. É como se rememorasse a vitória cada vez que indagado sobre como chegou até ela.

Não tenha receio, portanto, de procurar o vitorioso, reconhecendo os méritos dele e buscando subsídios para a sua própria preparação. Com certeza ele irá te ajudar. Se não conseguir o acesso pessoal a um aprovado, busque na internet entrevistas com candidatos bem sucedidos.

Também vale conversar com os reprovados, para saber das lições tiradas dos fracassos. Busque a opinião deles sobre as exigências das matérias e identifique os livros que cada um usou para cada uma delas.

Se conseguir conversar com vários aprovados, você ficará surpreso com a variação nos livros eleitos para uma mesma matéria. Isso mostra que não há uma fórmula única de estudo, baseada em uma exclusiva obra.

Uma boa ideia é também perguntar o que mais funcionou na preparação (o grande acerto) e o que menos funcionou (o maior “pecado”).

3. Faça uma primeira lista com os livros que, em tese, mais se encaixam no perfil do concurso e que tenham sido minimamente mencionados pelos aprovados, discriminando por matéria

Reunidas as informações indicadas nos itens anteriores – além de outras que tenha colhido em suas pesquisas na internet – liste, matéria a matéria, todos os livros que pareçam indicados às preparação para o concurso desejado. Não se preocupe ainda com o aprofundamento da escolha. Todos os livros afinados com a sua pesquisa inicial devem entrar nessa primeira lista.

4. Faça um segunda lista contendo os livros que você usou na faculdade e/ou que já possui e/ou que pode obter com facilidade, novamente discriminando por matéria

Você certamente usou livros na faculdade e ainda os tem. Além disso, pode ter adquirido obras quando se preparava para algum concurso anterior. Por outro lado, talvez você tenha facilidade em conseguir livros com algum parente ou amigo que possa cedê-los. Insira todos nessa segunda lista, identificando as matérias correlatas.

5. Marque dessa última lista os livros que você já leu/estudou, seja na faculdade, seja na preparação para algum outro concurso, desde que tenha sido uma experiência boa e “confortável”

Identifique os livros que você já usou e com os quais se acostumou. Se o linguajar do autor é claro, se a diagramação agradou ou se o estudo por ele te garantiu notas satisfatórias na faculdade ou no concurso anterior, marque, na lista, como “positiva” a experiência com a obra, lançando um asterisco (*) no título dela.

6. Faça a seleção através de um comparativo entre as duas listas

Agora compare os livros que figuram em ambas as listas, matéria por matéria.

São as seguintes as possibilidades:

Possibilidade I: o livro figura nas duas listas e, cumulativamente, foi marcado com asterisco na segunda

Parabéns, temos um vencedor!

O livro figura entre os indicados para o estudo da matéria na preparação para aquele determinando concurso, você o possui – ou tem facilidade de obtê-lo –, já o utilizou antes e teve bom aproveitamento ou se sentiu confortável na leitura. Considere a matéria “resolvida” e comece a estudar ontem.

Possibilidade II: o livro figura na segunda lista, está marcado com asterisco, mas não está presente na primeira lista.

Parabéns, temos um vencedor!

Mas espere…o livro não figura na lista dos “indicados” para aquele concurso. Devo usá-lo, ainda assim?

Claro! A lista inicial não é definitiva, nem foi estabelecida mediante parâmetros rígidos. Aliás, foi você próprio quem a confeccionou, lembra? Ora, se você tem acesso fácil a um livro e se curte a leitura dele, não há porque não usá-lo na preparação.

Mas ele não apareceu em minhas pesquisas…

Paradigmas foram feitos para serem quebrados. Se Henry Ford tivesse ouvido as pesquisas de sua época, não teria inventado o automóvel, mas tentado fazer cavalos cavalgarem mais rápido. Ok, Henry Ford não inventou o automóvel, mas vc entendeu o meu ponto, né? Sinta-se livre para adaptar – ou mesmo rejeitar – as escolhas que os outros fizeram em benefício próprio. Ninguém vai estudar por você!

Quando fui aprovado no concurso para Promotor de Justiça do Rio de Janeiro e indaguei dos demais aprovados o livro que cada um tinha usado para o estudo do Direito Administrativo, fiquei surpreso em saber que apenas eu utilizara a obra do Diógenes Gasparini, falecido autor, cujo livro – excelente! – foi editado pela Saraiva. Pois (também) graças a tal obra, tirei a maior nota da prova dissertativa de direito público. Ainda bem que não fiz a pesquisa antes de começar a me preparar; talvez tivesse recuado e partido para o “livro paradigmático”…

A ressalva fica por conta dos casos em que seja flagrante a impropriedade do livro para o concurso desejado, como é a exemplificativa situação do livro objetivo – ou resumido – de Direito Penal na preparação para delegado de polícia ou promotor de justiça. É preciso manter um mínimo de compostura no processo de escolha!

Enfim, mais uma matéria resolvida. Inicie logo o estudo!

Demais possibilidades

Sua segunda lista se esgotou, sem mais correspondências com a primeira ou asteriscos? Nesse caso, leve a primeira lista a uma livraria (de preferência de grande porte) e prepare-se para passar boa parte do dia por lá.

Baixe das estantes da livraria todos os livros da primeira lista que lá encontrar. Feito isso, escolha um tema curto de cada matéria e estude-o em cada um dos livros dela.

Por exemplo, se você encontrou três livos de Direito Constitucional, leia em todos o tópico sobre “medida provisória”. Depois, atribua uma nota para cada livro, levando em conta a facilidade de leitura e manuseio, a diagramação, a quantidade de conteúdo absorvido etc.

Repita o processo para todas as matérias e seus correspondentes livros.  Nos livros de Direito Penal, estude o tema “dolo eventual”. Nos de Direito Tributário, “denúncia espontânea”….e assim sucessivamente.

Os temas indicados são meras sugestões. Opte por temas que você ainda ignora, para o teste ficar bem real. A cada matéria, um tema curto, estudado em todos os livros dela.

Ao final do processo, adquira as obras mais bem avaliadas por você. Sim, aquelas que mereceram suas notas mais altas.

A vantagem desse sistema é que você escolhe livros tão indicados ao concurso para o qual quer se preparar quando confortáveis à sua dinâmica de preparação. De quebra, você ainda sai com um belo dia de estudo!

7. Finalizado o “processo seletivo”, não questione suas escolhas!

Você não teve todo esse trabalho para depois ficar se remoendo, angustiado sobre a pertinência da seleção que fez, né? Por favor!

Encerrado o “processo seletivo”, esteja seguro de ter feito a escolha certa e não não volte mais a indagar dos outros qual o melhor livro para essa ou aquela matéria.

Além disso, abstenha-se de participar de debates presenciais ou virtuais sobre o assunto. Eles irão te atrasar e não te trarão a segurança que você tanto espera.

Serão muitas as opiniões, cada qual sugerindo um caminho distinto…  Se for para “morrer”, que seja abraçado nas próprias convicções, não nas dos outros.  

Mas isso não irá ocorrer. Você vai se preparar com afinco, valendo-se das obras que selecionou com tanto cuidado, e em breve estará sendo entrevistado(a) por iniciantes querendo saber sua opinião sobre qual livro usar. Seja tolerante com os novatos!

Enfim, se você não confiar em si próprio e nas escolhas que fez, não espere condescendência por parte do examinador.

8. Questionamentos finais.

Saiu a nova edição do livro que estou usando. Preciso comprá-la?

Se a sua edição é a imediatamente anterior (ou próxima disso), NÃO. Considerando que você já vem estudando o livro, presume-se que tenha feito as anotações pertinentes à atualização, agregando inovações legislativas e jurisprudenciais ao texto. A obrigação de se manter atualizado é muito mais sua que do autor da obra (não é ele quem está estudando para concurso! ).

Agora, se não vem fazendo tais anotações é porque está relaxado no estudo. Nesse caso, também não há motivo para compra…

Saiu um novo código. Preciso comprar a nova edição do livro da matéria correspondente?

A menos que seja um diletante ou que esteja estudando para um concurso do passado… SIM, claro! Óbvio!! O que está esperando???!!!

Mudei o foco e resolvi estudar para outro concurso. Preciso escolher uma nova bibliografia?

Migrou para a área da meteorologia? Não? Então, trocar o material de estudo seria contraproducente, já que a adaptação a um novo autor leva tempo.

Considere que nem só de doutrina se faz o estudo para concurso jurídico. Assim, faça os ajustes que o novo concurso exige na seleção da jurisprudência e dos diplomas de lei a serem lidos em complemento. O curso preparatório também é um grande aliado nessa hora, pois seu professor saberá, nas aulas, dar o encaminhamento devido ao seu raciocínio, com o enfoque no viés da banca. Conhece o Descomplica Concursos?

Devo a) apenas ler o livro, b) ler, sublinhando os pontos centrais, ou c) ler e fazer resumo?

Indiferente. Cada um tem o seu método. O importante é adotar a prática que mais te ajude a absorver a informação lida, qualquer que seja ela. Livro “bom” é o livro estudado. Por mais bem recomendada que tenha sido determinada obra, se ela ficou a maior parte do tempo fechada na sua estante, acabou sendo “péssima” para a sua preparação.

Tenha os livros eleitos sempre à mão e abra cada um deles, no mínimo, uma vez por semana. Ganhe ritmo de estudo e avance mais rapidamente em direção ao seu objetivo final.

Minha dúvida não foi sanada…

Sem problemas. Comente aí embaixo e vamos conversar. Estou te esperando.

Grande abraço e…

SUCESSO!

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