O que eu queria ter sido
Um nome para o que sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de “a protetora dos animais”. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la. E eu sentia o drama social com tanta intensidade que vivia de coração perplexo diante das grandes injustiças a que são submetidas as chamadas classes menos privilegiadas.
LISPECTOR, C. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2013.
No texto, Clarice Lispector diz que queria ser “uma lutadora”, alguém que luta pelo bem dos outros, que protege animais e se sensibiliza com as injustiças sofridas pelas “classes menos privilegiadas”. Toda a reflexão gira em torno da preocupação com o outro e com o sofrimento alheio.