Questão 44

Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma — usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro.

BARRETO. L. Triste fim de Policarpo Quaresma. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 26 jun. 2012

Nessa petição da pitoresca personagem do romance de Lima Barreto, o uso da norma-padrão justifica-se pela

  1. situação social de enunciação representada.
  2. divergência teórica entre gramáticos e literatos.
  3. pouca representatividade das línguas indígenas.
  4. atitude irônica diante da língua dos colonizadores.
  5. tentativa de solicitação do documento demandado.

Comentário da questão

Por se tratar de pedido feito ao Congresso Nacional, utilizando prerrogativas da Constituição, é natural que seja necessária a adequação da linguagem ao contexto de enunciação social. Por isso, Policarpo fez uso da norma culta padrão. 

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Gabarito da questão

Opção A

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