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Questão 29

Inverno! Inverno! Inverno!

     Tristes nevoeiros, frios negrumes da longa treva boreal, descampados de gelo cujo limite escapa-nos sempre, desesperadamente, para lá do horizonte, perpétua solidão inóspita, onde apenas se ouve a voz do vento que passa uivando como uma legião de lobos, através da cidade de catedrais e túmulos de cristal na planície, fantasmas que a miragem povoam e animam, tudo isto: decepções, obscuridade, solidão, desespero e a hora invisível que passa como o vento, tudo isto é o frio inverno da vida.

     Há no espírito o luto profundo daquele céu de bruma dos lugares onde a natureza dorme por meses, à espera do sol avaro que não vem.

POMPEIA, R. Canções sem metro. Campinas: Unicamp, 2013

Reconhecido pela linguagem impressionista, Raul Pompeia desenvolveu-a na prosa poética, em que se observa

  1. imprecisão no sentido dos vocábulos.
  2. dramaticidade como elemento expressivo.
  3. subjetividade em oposição à verossimilhança.
  4. valorização da imagem com efeito persuasivo.
  5. plasticidade verbal vinculada à cadência melódica.

Comentário da questão

A plasticidade verbal verifica-se na oscilação do tamanho dos sintagmas. Além disso, a cadência melódica diz respeito à construção do texto como prosa poética, indicado no próprio título “Canções sem metro”.

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Gabarito da questão

Opção E

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Assunto