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Redação Exemplar

Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

Gradação obsoleta

José Pacheco, importante educador português e idealizador da “Escola da Ponte”, certa vez, denunciou o atraso do ensino atual: vivemos uma escola do século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI. De fato, ao percebermos obstáculos na formação de indivíduos com necessidades especiais, como os surdos, torna-se fácil considerar essa análise. Nesse sentido, a fim de resolver tais impeditivos, cabe combatê-los em duas grandes esferas: o funcionamento das instituições e a capacitação de seus profissionais, que lidam diariamente com os alunos.

Primeiramente, convém destacar como o padrão das escolas brasileiras pode atuar como barreira na formação de surdos. Isso ocorre, pois, em um panorama de supervalorização de avaliações formais e da meritocracia, limitações físicas e mentais são fatores que geram a marginalização do diferente. Ademais, o planejamento anual, que dá mais espaço a provas orais e aulas expositivas, dificulta o aprendizado do aluno. Dá-se, como solução rápida e equivocada, mais atenção a um ensino integrado – adaptando o estudante, com aparelhos auditivos -, em detrimento de uma educação inclusiva, que admite a diferença e reestrutura a escola, proposta do Plano Nacional de Educação, de 2011.

É válido apontar, também, a falta de preparo dos educadores nesse processo. Paulo Freire, escritor e pedagogo brasileiro, afirmava que o professor não precisa, necessariamente, bater em um aluno para, de fato, golpeá-lo; basta humilhá-lo, segregá-lo. Dessa forma, a construção de um ambiente, em sala de aula, que dá prioridade ao que é comum, “normal”, deixando de lado as diversidades, é impeditivo crucial na formação do surdo – seja na comunicação, pela falta de capacitação com relação à língua de sinais, seja no próprio contato, que não é individualizado.

Torna-se evidente, então, que a escola, ainda no século XIX, e os professores, no XX, não estão preparados para uma educação que inclua os deficientes auditivos. Assim, a fim de resolver essa problemática, deve-se pensar em um investimento maior em estrutura e preparo dos docentes de ensino básico, médio e superior. Isso pode ser feito com uma parceria do Governo, sob ação do Ministério da Educação, com escolas públicas, privadas e seus gestores, implementando recursos mais visuais, como cartazes com orientações e indicações de trabalhos, além da contratação e treinamento de tutores, com cursos de LIBRAS e palestras que os ensinem a lidar com o aluno de forma individual. Assim, será possível tornar as instituições mais inclusivas, e não integradas, de forma que os surdos não precisem se adaptar a elas, mas sejam recebidos naturalmente, e transportar o sistema e seus professores, de vez, para o século XXI, superando, enfim, essa gradação obsoleta.

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