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Redação Exemplar

A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Nunca mais mulheres-de-atenas

Certa vez, Chimamanda Adichie, importante nome na literatura africana e na luta pelos direitos femininos, falou da importância de encorajar mais mulheres a se atreverem a mudar o mundo. De fato, é possível ver que o espaço dado ao “segundo sexo” de Simone de Beauvoir, antes limitado, tem crescido cada vez mais. Entretanto, não são raros no Brasil os casos de violência contra aquelas que deveriam, em um mundo de direitos humanos, ser respeitadas e ter seu lugar, mantendo, muitas vezes, um cenário de opressão que já se cristalizou. Nesse sentido, vale analisar o porquê de algo tão condenável ter se tornado perene e identificar soluções para resolver esse problema.

É importante destacar, em primeiro lugar, a cultura de inferiorização que vem sendo alimentada por séculos. Não é de hoje que a mulher é subjugada e violentada – física, psicológica ou moralmente – pelo homem. Artigos de Heloisa Buarque de Hollanda, pesquisadora e ensaísta brasileira, mostram a existência de um feminismo já no século XIX, como resposta a um comportamento masculino opressor. Nas obras sobre o Brasil Colônia, já era possível ver a reprodução de valores machistas e patriarcais. O poder instaurado por uma fatia da sociedade, de certa forma, torna mais consistentes as manifestações de violência, que, apesar da grande repulsa nos dias de hoje, ainda têm seu espaço.

Embora pareça algo inerente à sociedade brasileira, não podemos esquecer os esforços intermináveis do legislativo, que busca, por meio de alguns projetos de lei, resolver esse problema na sua raiz. Em 2006, a Lei Maria da Penha já iniciava uma luta consistente contra a violência doméstica, seguida, em 2015, da Lei do Feminicídio, que criminaliza à parte a morte de mulheres. Importantes nomes da política brasileira, como Jandira Feghali e Benedita da Silva, brigam diariamente pela aprovação de medidas que tentem reduzir o número de casos de agressão e até morte no Brasil. Percebe-se, porém, que esse esforço não tem sido tão expressivo a ponto de extirpar de vez esse problema da sociedade.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de se entender esse problema e propor medidas que, entre outras, tornem mais eficazes propostas já lançadas e amenizem – ou até resolvam – essa questão. A mídia, grande difusora de informações, pode trabalhar, em conjunto com o governo, a divulgação de tais leis já existentes, de forma que as mulheres que sofram qualquer tipo de violência saibam que podem denunciar os agressores e se manter seguras. Além disso, por meio de ficções engajadas, podem promover debates que, levados à sociedade, trabalhem a ideia na sua raiz. Por fim, ONGs que defendam os direitos das mulheres podem continuar pressionando os três poderes, a fim de que, em pouco tempo, tenhamos mais projetos que contemplem o sexo feminino. Assim, aos poucos, poderemos encontrar na sociedade brasileira mulheres que mudem o mundo, que não sejam mais morenas que têm medo apenas, que não sejam mais mulheres de atenas.

 

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