Questão 123

À garrafa

Contigo adquiro a astúcia
de conter e de conter-me.
Teu estreito gargalo
é uma lição de angústia.
Por translúcida pões
o dentro fora e o fora dentro
para que a forma se cumpra
e o espaço ressoe.
Até que, farta da constante
prisão da forma, saltes
da mão para o chão
e te estilhaces, suicida,
numa explosão
de diamantes.

PAES, J. P. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.

A reflexão acerca do fazer poético é um dos mais marcantes atributos da produção literária contemporânea, que, no poema de José Paulo Paes, se expressa por um(a):

  1. reconhecimento, pelo eu lírico, de suas limitações no processo criativo, manifesto na expressão “Por translúcidas pões".
  2. subserviência aos princípios do rigor formal e dos cuidados com a precisão metafórica, como se em "prisão da forma".
  3. visão progressivamente pessimista, em face da impossibilidade da criação poética, conforme expressa o verso "e te estilhaces, suicida".
  4. processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra, representado pelos versos "numa explosão / de diamantes".
  5. necessidade premente de libertação da prisão representada pela poesia, simbolicamente comparada à "garrafa" a ser "estilhaçada".

Comentário da questão

O texto trabalha gradativamente o processo de construção poética, associando a imagem final dos “diamantes” à riqueza da plurissignificação da palavras possibilitada pela poesia.

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Gabarito da questão

Opção D

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Assunto

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