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Questão 132

Todo bom escritor tem o seu instante de graça, possui a sua obra-prima, aquela que congrega numa estrutura perfeita os seus dons mais pessoais. Para Dias Gomes essa hora de inspiração veio-lhe no dia que escreveu O pagador de promessas. Em torno de Zé-do-Burro — herói ideal, por unir o máximo de caráter ao mínimo de inteligência, naquela zona fronteiriça entre o idiota e o santo — o enredo espalha a malícia e a maldade de uma capital como Salvador, mitificada pela música popular e pela literatura, na qual o explorador de mulheres se chama inevitavelmente Bonitão, o poeta popular, Dedé Cospe-Rima, e o mestre de capoeira, Manuelzinho Sua Mãe. O colorido do quadro contrasta fortemente com a simplicidade da ação, que caminha numa linha reta da chegada de Zé-do-Burro à sua entrada trágica e triunfal na igreja — não sob a cruz, conforme prometera, mas sobre ela, carregado pelos capoeiras, “como um crucifixado”.

PRADO, D. A. O teatro brasileiro moderno. São Paulo: Perspectiva, 2008 (fragmento).

A avaliação crítica de Décio de Almeida Prado destaca as qualidades de O pagador de promessas. Com base nas ideias defendidas por ele, uma boa obra teatral deve

  1. valorizar a cultura local como base da estrutura estética.
  2. ressaltar o lugar do oprimido por uma forma religiosa.
  3. dialogar a tradição local com elementos universais.
  4. romper com a estrutura clássica da encenação.
  5. reproduzir abordagens trágicas e pessimistas.

Comentário da questão

Deve-se considerar que os dramas tratados pelo autor em “O pagador de promessas” são de ordem universal  – intolerância religiosa ,preconceito,  pureza dos fieis e o sincretismo – e estão ambientados num cenário pitoresco (Bahia) para que se marque a alternativa “C”.

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Gabarito da questão

Opção C

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Assunto