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Questão 134

O bonde abre a viagem,
No banco ninguém,
Estou só, stou sem.
Depois sobe um homem,
No banco sentou,
Companheiro vou.
O bonde está cheio,
De novo porém
Não sou mais ninguém.

ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.

Em um texto literário, é comum que os recursos poéticos e linguísticos participem do significado do texto, isto é, forma e conteúdo se relacionam significativamente. Com relação ao poema de Mário de Andrade, a correlação entre um recurso formal e um aspecto da significação do texto é

  1. a sucessão de orações coordenadas, que remete à sucessão de cenas e emoções sentidas pelo eu lírico ao longo da viagem.
  2. a elisão dos verbos, recurso estilístico constante no poema, que acentua o ritmo acelerado da modernidade.
  3. o emprego de versos curtos e irregulares em sua métrica, que reproduzem uma viagem de bonde, com suas paradas e retomadas de movimento.
  4. a sonoridade do poema, carregada de sons nasais, que representa a tristeza do eu lírico ao longo de toda a viagem.
  5. a ausência de rima nos versos, recurso muito utilizado pelos modernistas, que aproxima a linguagem do poema da linguagem cotidiana.

Comentário da questão

O texto representa cena típica da realidade da cidade grande: o continuum entre solidão e interação social. O poema começa focando a solidão do sujeito poético, que é contraposta no momento em que alguém senta ao seu lado. Tempos depois o bonde lota e o eu-poético volta a se sentir solitário (seu companheiro de viagem pode ter descido ou se calado). As sensações do eu-lírico durante a viagem são díspares.

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Gabarito da questão

Opção A

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Assunto