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Questão 128

A partida

Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restava-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar mais nem uma hora naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.
Com receio de fazer barulho, dirigi-me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei-me e, voltando ao meu quarto, vesti-me. Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras… Que me custava acordá-la, dizer-lhe adeus?

LINS, O. A partida. Melhores contos. Seleção e prefácio de
Sandra Nitrini. São Paulo: Global, 2003.

No texto, o personagem narrador, na iminência da partida, descreve a sua hesitação em separar-se da avó. Esse sentimento contraditório fica claramente expresso no trecho:

  1. “A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir” (ℓ. 1-3).
  2. “Restava-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco” (ℓ. 4-6).
  3. “Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama” (ℓ. 12-13).
  4. “Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e amor” (ℓ. 7-9).
  5. “Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras...” (ℓ. 14-15).

Comentário da questão

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Gabarito da questão

Opção E

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