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O que é um juízo?

Não desespera, não! Nessa aula, você entende tudo sobre juízo. Confira!

Juízo de fato e juízo de valor

Síntese kantiana entre racionalismo e empirismo

Tipos de juízo segundo Kant

Utilizando os juízos

Em filosofia, antes de iniciar qualquer discussão, convém esclarecer os termos. Quando falamos de juízo não é diferente. Como veremos, a noção de juízo do senso comum (como a responsabilidade que se adquire após a maioridade penal), embora presente nas mais diversas situações do nosso dia a dia, está muito distante do conceito filosófico de juízo. Entende-se por juízo, enquanto conceito filosófico, o ato de julgar e de avaliar um objeto. Para facilitar a compreensão, nos deteremos nos seguintes tipos de juízo: o juízo de fato, o juízo de valor e os juízos kantianos.

Juízo de fato trata da avaliação criada a partir de uma realidade vivida; refere-se às coisas de modo objetivo. Por isso, os juízos de fato são descritivos, isto é, são afirmações que se propõem a descrever algum aspecto da realidade. Por exemplo, quando dizemos: “a neve é fria”, o que se nota é que estamos retratando a realidade de maneira factual, sem que haja a interferência de quaisquer valores ou percepções individuais. 

Juízo de valor, por sua vez, trata da avaliação criada a partir dos nossos gostos e percepções individuais. Por isso, pode resultar numa avaliação pejorativa e ter por base fatores culturais, sentimentais e ideológicos. Por exemplo, quando dizemos: “esta roupa é linda”, o que se nota é que “linda” é um valor atribuído à roupa de acordo com a nossa percepção individual e que, portanto, tem caráter subjetivo. No entanto, se a partir dessa availiação subjetiva, nós tentamos mudar a opinião ou os gostos de outra pessoa, o juízo de valor pode tornar-se um problema.

Antes de passarmos à definição dos juízos kantianos, vejamos o problema que eles buscam solucionar. Na modernidade, com as transformações ocorridas pela Revolução Científica, surge uma nova forma de investigação filosófica chamada teoria do conhecimento. Essa nova vertente de investigação filosófica buscava responder, em grande medida, às seguintes perguntas: De que forma o ser humano alcança o conhecimento? De que maneira ele apreende os objetos externos a ele? Nesse contexto, surgiram duas correntes filosóficas distintas que buscavam responder essas perguntas, a saber, o racionalismo e o empirismo.

Para os racionalistas, a verdade só pode ser alcançada pela razão. Eles partem da ideia de que os sentidos são enganosos e, por esse motivo, incapazes de nos revelar o conhecimento verdadeiro. Somente os princípios lógicos podem dar base a conhecimentos seguros. Para esses teóricos, todos os homens possuem uma gama de ideias inatas.

Já para os empiristas, só é possível alcançar a verdade, conhecer as coisas, a partir da experiência, ou seja, através dos sentidos. Para eles, a mente humana é uma tábula rasa, ou seja, uma folha de papel em branco, completamente sem conteúdo. Ao longo da vida, o homem adquire seus conhecimentos a partir da experiência sensível.

Em sua obra, Crítica da Razão Pura, publicada pela primeira vez em 1781, Kant busca solucionar o problema referente às origens, às possibilidades e aos limites do conhecimento, que pode ser a priori, isto é, anterior à experiência, ou a posteriori, posterior à experiência. É justamente aí que aparece o conceito de juízo. Segundo ele, os juízos são formados a partir da conexão entre sujeito e predicado. Entendendo-se por predicado, aquilo que se declara sobre o sujeito. Desse modo, os juízos kantianos podem ser classificados da seguinte forma:


  • Juízos analíticos são juízos em que o predicado pode estar contido no sujeito, sendo uma análise pura. Por exemplo, quando dizemos: “todo triângulo tem três lados”.
  • Juízos sintéticos a posteriori são aqueles em que o predicado vai se relcionar ao sujeito por uma síntese; têm por base a experiência.
  • Juízos sintéticos a priori são aqueles em que o predicado não é exraído do sujeito, mas pela própria experiência como algo novo; têm por base a razão.

É justamente dessa relação entre a razão e as experiências que se desenvolve o conhecimento. Ou seja, as experiências (sensações e percepções) fornecem a matéria-prima do conhecimento e a razão opera de modo a organizar e categorizar as suas estruturas. Com isso, Kant foi capaz de superar a longa dicotomia entre racionalismo e  empirismo, apresentando a solução que ficou conhecida como a síntese kantiana.