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Introdução Colonial

Neste primeiro vídeo podemos perceber a imensidão da américa espanhola e sua divisão em vice-reinados, onde os vice-reis eram a autoridade maior, porém, tendo que prestar contas a coroa. Após ao processo de independência várias repúblicas federativas se formaram

Antecedentes e contextualização

Criollos x Chapetones

Movimentos precursores

As guerras de Independência

O Panamericanismo de Simon Bolívar

As Repúblicas e o Caudilhismo

Independências da América Espanhola

A Espanha exercia um rígido controle sob suas colônias, já que o pacto colonial era muito presente nas terras dominadas em território americano e era especialmente rigoroso para evitar a evasão dos metais preciosos aqui explorados.  A administração espanhola no continente estava dividida em quatro vice-reinos: Vice-Reino da Nova Espanha (México e parte dos Estados Unidos), Vice-Reino de Nova Granada (Colômbia e Equador), Vice-Reino do Peru (Peru e Bolívia) e Vice-Reino do Rio da Prata (Paraguai, Uruguai e Argentina). A administração era feita em capitanias gerais, que eram em quatro também: Cuba, Guatemala, Chile e Venezuela.

A pirâmide social nos territórios americanos era formada pelos Chapetones - nascidos na Espanha –  que eram os administradores, clérigos e oficiais enviados pela metrópole. Ocupavam o topo da pirâmide, seguidos dos criollos que eram filhos de espanhóis brancos nascidos em terras americanas representando a elite econômica que controlava os ayuntamientos e cabildos. Abaixo destes, havia os mestiços que eram os filhos de espanhóis com indígenas ou negros que eram trabalhadores livres, artesãos e pequenos comerciantes. E, por fim, havia os escravos negros (sobretudo nas ilhas da América central) e indígenas em regime de trabalhos compulsório pela Mita e Encomienda. Na sociedade colonial, a possibilidade de ascensão social ela baixíssima.

Por volta de 1800, a elite colonial hispano-americana era composta por cerca de 3 milhões de criollos. Essa elite criolla não formava um bloco coeso, subdividindo-se de acordo com os interesses regionais, surgidos em decorrência da própria organização administrativa colonial. Apesar da importância econômica dos Criollos, eles não participavam das decisões político-administrativas da colônia, ou seja, detinham poder econômico, mas não poder político.

Nessa conjuntura colonial, a ascensão de Napoleão Bonaparte na França e  o estabelecimento do Bloqueio Continental contra a Inglaterra foram fundamentais ao processo de independência da América Espanhola. A invasão de Portugal pelos franceses rompeu o pacto colonial luso-brasileiro e acelerou a independência do Brasil, ao mesmo tempo em que a ocupação da Espanha por Napoleão e a imposição de José Bonaparte como rei do país desencadearam as lutas de independência nas colônias da América espanhola.

Foi, além disso, fundamental o contato com as ideias liberais do Iluminismo, assim como a influência da independência das treze colônias e a formação dos Estados Unidos, primeiro país soberano do Novo Mundo.

Quando o rei Felipe VII foi deposto pelas tropas napoleônicas, os criollos formaram juntas insurrecionais em apoio aos Bourbon. Essa manifestação de apoio e lealdade à monarquia de Felipe VII tinham como objetivo que ele futuramente reconhecesse as colônias como Reinos Unidos, lhes garantindo maior autonomia, sobretudo comercial.

No entanto, como não era coesa, a elite criolla logo se dividiu em distintas propostas políticas. Ainda que alguns líderes – como Simón Bolívar – tentassem preservar a unidade territorial através da formação de uma grande federação, as especificidades regionais impediram a formação de um bloco coeso.

Para fins didáticos, podemos dividir as lutas coloniais contra a Espanha em duas fases:

  • Entre 1810 e 1816: A primeira etapa foi marcada por alguns sucessos iniciais, como a independência do Paraguai (1811), da Venezuela (1811) e da Argentina (1816). Nesse período ficou evidente a falta de coesão dos colonos e as dificuldades encontradas para consolidar as independências. Havia, além disso, a falta de apoio externo. A Inglaterra, por exemplo, embora tivesse interesse nos mercados americanos, enfrentava ainda os exércitos napoleônicos e tinha que lidar com as dificuldades causadas pelo bloqueio continental. Com a derrota de Napoleão, Fernando VII voltou ao trono na Espanha e buscou ampliar a repressão aos movimentos de emancipação.
  • Entre 1817-1824: Após 1817 os movimentos conquistaram cada vez mais vitórias. De um lado, houve cada vez mais adesão popular nas lutas por libertação e, de outro, a Inglaterra passou a prestar auxílio efetivo aos movimentos.

Além da Inglaterra, os Estados Unidos – através da Doutrina Monroe – ou seja da ideia de “América para os americanos”, também se colocou em favor dos processos de independência. Os Estados Unidos se opuseram a qualquer tentativa de intervenção militar, imperialista ou colonizadora da Santa Aliança (criada durante o Congresso de Viena) no continente americano.

É importante destacar que o movimento de independência contou com dois líderes que tiveram destaque: José de San Martín e Simón Bolívar, ambos criollos. José de San Martín nasceu em 1778 em Yapeyú (atual Argentina) e teve papel importante nas lutas de libertação na região do Prata. Suas posições monárquicas, no entanto, entravam em choque com as ideias republicanas de Bolívar.

Nascido na atual Venezuela, Bolívar teve papel de destaque na emancipação política das colônias espanholas e, devido a isso, ficou conhecido como o libertador. Seu sonho era unificar a América em uma grande confederação republicana, ou seja, defendia ideais pan-americanistas.  As ideais de Bolívar foram sintetizadas na Carta de Jamaica, escrita em 1815:

“É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o mundo novo uma só nação com um só vínculo, que ligue suas partes entre si e com o todo. Já que tem uma mesma origem, uma mesma língua, mesmos costumes e uma religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que considerasse os diferentes Estados que haverão de formar-se […].”

(A Carta de Jamaica)

A proposta do Pan-americanismo foi discutida no Congresso do Panamá (1826), no entanto,  os esforços de Bolívar não foram suficientes para manter as regiões que ajudou a libertar unidas. Seus ideais se chocaram com os interesses das oligarquias locais e com a oposição da Inglaterra e dos Estados Unidos, que não consideravam interessante a formação de uma confederação que garantisse a união e força às regiões recém independentes. Após o fracasso da Conferência do Panamá, a América Latina fragmentou-se politicamente em pequenos Estados soberanos, governados pela aristocracia criolla.