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Dualismo platônico

Discípulo mais importante de Sócrates, responsável por quase tudo que sabemos sobre seu mestre, Platão é tido por muitos como o maior filósofo de todos os tempos. De fato, produziu ele uma obra imensa, da qual nos restaram cerca de 28 livros, abrangendo e todos os temas possíveis para a investigação filosófica. Não obstante toda essa variedade, porém, a obra platônica possui uma unidade, um eixo central:  a chamada Teoria das Ideias.

Elaborada basicamente como um esforço de síntese entre o mobilismo de Heráclito e o imobilismo de Parmênides, a Teoria das Ideias de Platão era dualista: segundo ela, a realidade se encontra dividida em dois níveis: o mundo sensível e o mundo inteligível. No que diz respeito ao mundo sensível, Heráclito estaria correto, ao assinalar o devir e o conflito; no que diz respeito ao mundo inteligível, Parmênides seria o correto, ao ressaltar a permanência e a identidade.

Teoria das ideias

De acordo com Platão, o mundo sensível, realidade mais imediata e aparente, é o conjunto de tudo aquilo que percebemos com os cinco sentidos, através de nosso corpo; por sua vez, o mundo inteligível, realidade mais profunda, invisível aos sentidos, só é captável pela razão, pela inteligência, através da alma. Para esta divisão platônica, no mundo sensível se encontram as coisas, realidades concretas, palpáveis, determinadas; já no mundo inteligível se encontram as Ideias, essências abstratas das coisas. Enquanto as Ideias são eternas e imutáveis, as coisas são mutáveis e passageiras; enquanto as Ideias são unas e espirituais, as coisas são múltiplas e corpóreas; enquanto as Ideias inteligíveis são modelos perfeitos e acabados, as coisas sensíveis são cópias imperfeitas e corruptíveis. Em suma, neste mundo sensível em que vivemos se encontra apenas o reflexo imperfeito do mundo inteligível (ou mundo das Ideias) que só pode ser acessado pela alma. Lembre-se sempre, é claro, que entre as próprias Ideias há uma hierarquia ontológica, e a Ideia suprema é a ideia do Bem. 

Esta diferença ontológica é que serve de base para a teoria do conhecimento de Platão. De fato, uma vez que o mundo inteligível é superior ao sensível, sendo perfeito e servindo de base para ele, apenas a razão, apenas a alma, que é capaz de alcançar o mundo das Ideias, pode efetivamente obter conhecimento genuíno, alcançar a verdade absoluta. Por sua vez, preso que é ao mundo sensível, o corpo, dotado dos cincos sentidos, só pode obter opinião, alcançar verdade relativa. Não à toa, para Platão, o método que dá ao homem condições de alcançar as Ideias é a dialética, isto é, a discussão racional - influência de Sócrates. Aliás, a diferença fundamental entre o filósofo e o homem comum, de acordo com Platão, é justamente que, enquanto o primeiro se guia por sua alma e, portanto, pelo que é eterno, o segundo se guia por seu corpo, sendo escravo de impulsos passageiros.

Alegoria da Caverna

Preocupado em expor sua teoria não apenas através de argumentos lógico-racionais, mas também por meio de imagens apropriadas, Platão elaborou uma história, uma fábula que representasse a Teoria das Ideias: a chamada alegoria ou mito da caverna.

No mito da caverna, Platão nos pede para imaginarmos uma série de homens presos em uma caverna desde a sua infância. Tais homens, porém, encontram-se presos de um modo especial: estão algemados de uma maneira com que jamais conseguem olhar para entrada da caverna, mas apenas para o seu fundo. Do lado de fora da caverna, por sua vez, há uma mureta e, atrás dela, alguns transitando com objetos nas mãos. Mais além da mureta, há uma fogueira. Ora, a fogueira, projetando luz sobre os homens da mureta, gera sombras no fundo da caverna. Os prisioneiros, algemados desde a infância, capazes apenas de ver o fundo da caverna, naturalmente consideram as sombras, única realidade que conseguem ver, a única realidade verdadeira.

Diz Platão: imaginemos, porém, que um dos prisioneiros se liberte, perceba que aquela realidade de sombras é apenas o reflexo imperfeito de uma realidade superior, se livre das algemas e saia da caverna. Obviamente, tal prisioneiro terá dificuldade, a princípio, de adaptar-se ao ambiente externo: a luz do Sol tenderá a cegá-lo, uma vez que ele estava acostumado à escuridão. Com o tempo, porém, ele se adaptará, diz Platão, verá com nitidez os homens da mureta e poderá enfim ver o próprio Sol de frente. Depois, alegre e satisfeito, sentindo-se na obrigação de esclarecer seus amigos, voltará à caverna para revelar o engano dos demais prisioneiros. Estes, porém, inteiramente acostumados às sombras, não o compreenderão, o verão como louco e o matarão.

Como se deve imaginar, como um dos elementos deste mito é um símbolo. Os prisioneiros da caverna somos nós, seres humanos. As sombras representam o mundo sensível. A mureta e os homens da mureta, original do qual derivam as sombras, são o mundo inteligível ou mundo das Ideias. As algemas que aprisionam os homens e só os permitem ver as sombras são os sentidos. O homem que se liberta da caverna e volta para esclarecer os demais é o filósofo (sua morte pelos demais prisioneiros é uma referência à Sócrates). O exercício e a dificuldade do homem em adaptar-se à luz do ambiente externo é a dialética. O Sol é a Ideia suprema, a Ideia do Bem.

Como se vê, tanto no mito da caverna quanto na Teoria das Ideias propriamente dita, Platão sempre apresenta o filósofo como uma figura superior e mais sábia do que o homem comum. Isto tinha implicações políticas. Com efeito, para o pensador grego, uma sociedade justa não seria uma sociedade democrática, onde todos têm igualmente acesso ao poder político, mesmo que não tenham capacidade de fazer bom uso dele. Não. Uma sociedade justa seria aquela em que apenas aqueles que têm competência para exercer o poder político, isto é, os sábios, teriam acesso a ele. Por isso, Platão defendia uma sociedade hierárquica, dividida em três classes: os trabalhadores, responsáveis pela subsistência da sociedade; os guerreiros, responsáveis pela proteção da sociedade; e os filósofos, responsáveis pelo governo da sociedade.