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França

O professor João Daniel fala sobre a França. Confira!

A França era um país muito rural, com uma sociedade repleta de desigualdades sociais dividida em três classes: 1º, 2º e 3º Estado. O 1º e o 2º Estados representavam o clero e a nobreza respectivamente. Eram a privilegiada aristocracia francesa. Depois de um tempo, esse modelo desigual gerou uma baita crise orçamentária na França. Tanta tensão começou a ferver os nervos da maioria dos franceses, que exigiam mudanças drásticas na sociedade. A solução do governo foi iniciar uma série de Assembleias, começando pela Assembleia dos Notáveis, em 1787.

Tinha somente um probleminha com esse plano: o peso dos votos era contabilizado de um para um. Os representantes do 3º Estado fizeram, então, duas reivindicações do Rei: o aumento do número de deputados, e que a votação não fosse por Estado, e sim, por cabeça. Mas o rei demorou muito a tomar sua decisão. Insatisfeitos, os deputados do 3º Estado se separaram e se auto proclamaram em Assembleia Nacional Constituinte, datada de (1789), sujeitando à monarquia a uma Constituição.

Paralelamente ao processo político ocorre a revolta popular em 14 de julho de 1789, quando a população tomou às ruas e promoveu a Queda da Bastilha. Algo muito simbólico já que a Bastilha era uma cadeia com presos políticos, e, portanto, havia se tornado uma grande marca da força do regime Absolutista. Foram elaborados os Direitos do Homem e do Cidadão, que aboliu os direitos feudais e dividiu os poderes do governo. 

A Constituição, entrou em vigor no ano de 1791, pouco antes do confisco dos bens do clero. Em 1792, uma tentativa franco-prussiana de devolver os poderes da monarquia francesa falhou, pois os revolucionários com sua guarda nacional derrotaram os invasores. Luis XVI foi julgado, considerado um traidor da França e decapitado na guilhotina, um dos maiores símbolos da Revolução. 

Depois disso, começou a República Jacobina. Este período foi marcado por algumas conquistas populares: fim da escravidão nas colônias, fim dos direitos feudais sobre a terra e fim do voto censitário. Mas a instabilidade política e o medo da contrarrevolução, levou os jacobinos à radicalização. O chamado “Período do Terror” durou de 1792 a 1795 e levou milhares de perseguidos políticos a guilhotina. Um grande nome que surgiu nessa época foi Robespierre, ele foi membro do 3º Estado e um líder importante da Revolução Francesa. No entanto a ditadura e o terror levaram a derrubada dos jacobinos e a decapitação desse líder.

Assim, em 1795, no Diretório, quem assumiu o poder foi um governo controlado por girondinos, ou seja, burgueses, que tiveram de enfrentar muitos levantes populares e uma crise econômica. O fim da revolução só chegou em 1799, quando um jovem general mudou novamente o destino dos franceses, Napoleão Bonaparte deu o Golpe do 18 Brumário e assumiu a França! 

Vale a pena lembrar que os legados da Revolução Francesa vão além dos valores de igualdade, fraternidade e liberdade. Foi ela que derrubou o Antigo Regime, o Absolutismo, sistema político baseado num modelo aristocrata. Através dela deu-se início ao mundo contemporâneo, criando um novo modelo de sociedade que afetou não só a França, mas o Ocidente como um todo. 

Após essa contextualização histórica é importante destacar o que está acontecendo na França em 2019. O início desse ano foi marcado por uma série de protestos populares nos subúrbios e cidades periféricas devido, principalmente, ao aumento dos combustíveis. Esses protestos surgiram de forma espontânea e ficaram conhecidos como movimento dos coletes-amarelos. Eles criticavam o aumento progressivo dos impostos sobre os produtos energéticos de origem fóssil, além das reformas fiscais e sociais propostas pelo governo de Emmanuel Macron. Tais movimentos gerou um grande debate nacional. No geral, foi um movimento difuso e sem lideranças claras.