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Conflito na Península Coreana

O professor Ricardo Marcílio fala sobre o conflito na península coreana. Confira!

Breve resumo das tensões entre as Coreias

A divisão na Península Coreana teve início durante a Guerra Fria. Em 1950, iniciou-se a Guerra da Coreia (1950-1953), quando as tropas norte-coreanas atacaram, de surpresa, o sul, invadindo e ocupando a capital Seul. Os sul-coreanos responderam ao ataque com tropas enviadas pelo general Douglas McArthur, batalha na qual conseguiram a vitória e a desocupação da capital. Com a ofensiva sul-coreana, a China interveio no combate, ajudando diretamente a Coreia do Norte e seu ditador, Kim Il-Sung. Em 27 de julho de 1953, foi assinado um armistício na cidade de Panmunjom, divisa entre os dois países, em que foi acordado o cessar-fogo e o fim de uma guerra que deixou muitos mortos e nenhum vencedor. Dessa forma, ficou estabelecida a divisão das Coreias nos limites do paralelo 38º.

Localização do paralelo 38º.

 

Programa nuclear norte-coreano

Com o armistício de Panmunjom e uma indefinição de um acordo de paz entre as Coreias, o futuro era incerto. Nesse sentido, com essas incertezas, a Coreia do Norte buscou desenvolver seu programa nuclear na década de 1960, com o apoio da União soviética, recebendo novos aportes na década de 1970. Porém, com o enfraquecimento da União Soviética na década de 1980, os Estados Unidos buscaram uma aproximação com a Coreia do Norte. Assim, em 1985, é assinado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. No final dos anos 90, Kim Jong-il, que sucedeu seu pai, começou a desenvolver um míssil balístico de longo alcance, fundamental para viabilizar a utilidade de uma arma nuclear, o que aumentou as tensões com os Estados Unidos.

Depois do atentado de 11 de setembro, em 2002, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, incluiu o país no que classificou de “Eixo do Mal”, com Iraque e Irã. A Coreia do Norte não possuía relação com células terroristas, mas isso revelava uma desavença entre os governos. A partir desse momento, a Coreia do Norte avança com seu projeto de desenvolver um míssil balístico capaz de transportar uma ogiva nuclear e sai do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

  

Tensões com os Estados Unidos e aproximação com a Coreia do Sul

Segundo o governo da Coreia do Norte, o país fez 5 lançamentos experimentais de mísseis entre 2006 e 2016. No início de 2017, o presidente Kim Jong-un afirmou que o país também fez testes com armas nucleares. Porém, um desses testes chegou ao território marítimo japonês, o que aumentou a tensão entre os países da Ásia Oriental. O míssil em questão é um projeto de armamento que poderá atravessar o Oceano Pacífico.

A preocupação é ainda maior por conta da política internacional extremamente fechada da Coreia do Norte. O país não costuma prestar contas à comunidade internacional, independentemente do quão perigosa sejam as suas ações. Os testes são próximos a países vizinhos, como Japão e Coreia do Sul. Porém, essas e outras nações do Leste Asiático não podem revidar, por não terem o mesmo armamento nuclear que o país de Kim Jong-un. Outros países são contrários ao posicionamento da Coreia do Norte. Um deles é os Estados Unidos, que poderia proteger o Japão diante de um ataque mais grave. Essa tensão generalizada faz com que os países que se sintam ameaçados de alguma forma também procurem desenvolver seu próprio armamento nuclear.

Porém, algo surpreendente aconteceu em 2018. No dia 27 de abril, o líder da Coreia do Norte (Kim Jong-un) e o presidente da Coreia do Sul (Moon Jae-in) encontraram-se na zona desmilitarizada. É a primeira cúpula intercoreana em 11 anos e resultou em um acordo de paz, declarando não haver mais guerra na península. Todavia, esse acordo, em 2020, ainda não está definido e finalizado.

Após um ano de 2018 marcado por diálogos e alguns pontos de tensão, em junho de 2019, após o G-20, Donald Trump encontrou-se com Kim Jong-un na zona desmilitarizada da Coreia do Norte, sendo o primeiro presidente norte-americano a visitar o país. Tal feito mostra uma significativa reaproximação entre os países, embora ainda existam alguns focos de tensão.