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O Conflito Ideológico e a Bipolaridade Mundial

Estados Unidos e União Soviética saíram da Segunda Guerra Mundial como as duas superpotências. Ambas destacaram-se no combate ao fascismo europeu, porém, com ideologias completamente diferentes e antagônicas.

Guerra Fria - Antecedentes

Bloco Capitalista x Bloco Socialista

A Busca por Áreas de Influência

A Crise de Berlim

Guerra Civil e Revolução Chinesa

O Governo Dutra e a Guerra Fria

A guerra fria e o governo Dutra

 

O mundo bipolar.

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, em 1945, o surgimento de duas potências globais construiu uma nova configuração geopolítica, a de um mundo bipolarizado. No entanto, nos primeiros anos pós-45, as bombas nucleares lançadas pelos E.U.A ainda se mostravam como armas inigualáveis pelo resto do mundo, mas, em 1949, a URSS também conseguiu construir sua própria bomba nuclear, criando assim um equilíbrio entre as duas potências e a possibilidade de negociações de igual para igual. Tendo em vista essa conjuntura de equilíbrio de forças e a necessidade de manter as próprias zonas de influência construídas durante a Guerra, os dois blocos desenvolveram, enfim, todo um sistema político, econômico e militar para garantir que as ideologias inimigas não penetrassem nas suas esferas de poder.

 

A construção do bloco capitalista.

Pelo lado capitalista, um conjunto de práticas passou a ser adotado a partir do discurso do presidente dos Estados Unidos Harry S. Trumman, em 1947. O discurso em defesa do capitalismo e dos ideais de liberdade acreditavam na necessidade da construção de um aparato de defesa desses ideais no mundo contra a expansão socialista. Esse projeto, assim, ficou conhecido como a Doutrina Trumman, que deu início a montagem de um complexo sistema de defesa do bloco capitalista.

Apesar dos E.U.A representarem a principal potência desse bloco, havia também a participação de países democráticos, sobretudo os europeus, como a Inglaterra, a França e a Alemanha Ocidental. Esses países, devastados pelas Guerras, receberam apoio financeiro dos E.U.A através do Plano Marshall (1948), que tinha como objetivo recuperar a economia europeia e afastar o espectro socialista com empréstimo a juros baixos e investimentos públicos.

Na Ásia também houve um planejamento semelhante, conhecido como o Plano Colombo, no entanto, o apoio econômico à Ásia foi muito menor que o destinado à Europa e só se iniciou em 1951, após a explosão da Revolução Comunista de Mao Tsé-Tung, na China (1949), e o início da Guerra da Coreia (1950). Assim, o Japão passou a se tornar um grande aliado das potências ocidentais e do bloco capitalista nesse continente.

Na América, enfim, a presença capitalista e norte-americana se consolidou não através da ajuda econômica, mas da interferência política direta e das atividades militares. Desde o século XIX, com a Doutrina Monroe (1823) e durante o século XX, com a política do Big Stick (1903) e o corolário Roosevelt (1904), os Estados Unidos detinham a hegemonia econômica e militar na América, evitando a interferência europeia e atuando diretamente nas manipulações políticas regionais, com apoio de golpes, ditaduras e intervenções militares.

Assim, a criação do Tratado Interamericano de Ajuda Recíproca (TIAR-1948) tinha como objetivo construir uma aliança militar, sob domínio norte-americano, capaz de combater as ameaças socialistas e os possíveis ataques soviéticos aos países da América. No ano seguinte, de forma semelhante, os E.U.A também se envolveu na criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-1949) que seria responsável por consolidar uma aliança militar entre as potências do norte e, também, combater possíveis ataques socialistas.

Ainda que um aparato militar estivesse pronto para defender o bloco capitalista de quaisquer ameaças socialistas, no final da década de 1940, com a circulação das notícias de espiões soviéticos infiltrados nos E.U.A e com o suposto roubo dos planos da bomba atômica em 1949, uma paranoia coletiva se instalou nos dois blocos, gerando uma guerra muito mais oculta. Essa nova forma de atuação dos países propiciou a criação nos Estados Unidos de um serviço secreto capaz de garantir a segurança nacional com o uso da inteligência e de espionagem, conhecido como Central Intelligence Agency (CIA), criada em 1947 pelo presidente Trumman.

A atuação de espiões socialistas e de cidadãos americanos pró-União Soviética, movimentaram ainda mais a guerra ideológica interna que os países viviam. Nos E.U.A, por exemplo, a paranoia da espionagem foi tão intensa que, em 1950, o senador Joseph McCarthy declarou que tinha uma lista com nomes de funcionários do Departamento de Estado Norte-Americanos que seriam, na realidade, espiões soviéticos infiltrados.

A “lista negra” de McCarthy iniciou um período de “caça às bruxas” nos Estados Unidos, que visava perseguir, prender e até mesmo torturar indivíduos suspeitos de espionagem ou de ligação com o comunismo. As ações de McCarthy renderam diversas prisões durante a década de 1950 e chegaram a dar origem ao Comitê de Investigação de Atividades Antiamericanas do Senado dos Estados Unidos, responsável por receber denúncias e investigar cidadãos acusados de “práticas socialistas”. A ideia base do McCarthismo se espalhou pelo ocidente como uma perseguição geral aos partidos comunistas e seus simpatizantes.

 

A construção do bloco socialista.

Enquanto no lado capitalista a Doutrina Trumman orientou todo um sistema de defesa e consolidação dos ideais capitalistas e liberais, no lado oriental, a ocupação do Exército Vermelho e o Stalinismo garantiram a presença do socialismo com base no autoritarismo. Assim, uma linha de fronteiras conhecida como Cortina de Ferro separava os países do bloco capitalista da zona de influência soviética, que contava com os Estados satélites da Alemanha Oriental, Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária e Romênia e com as repúblicas soviéticas da Ucrânia, Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Estônia Lituânia, Letônia e Cazaquistão.

No lado asiático, alguns países também fizeram parte da zona de influência soviética, demarcando a menos conhecida Cortina de Bambu, que contou com alguns governos socialistas como Laos, Mongólia e Vietnã. Vale destacar que, nesta esfera, as alianças socialistas ao longo do século XX foram muito mais instáveis, visto que o sucesso da revolução de Mao Tsé-Tung (1949) permitiu o surgimento de uma nova força socialista na região que atraiu regimes descontentes com a política soviética.

Assim, para consolidar a ideologia comunista nessas zonas de influência, além do autoritarismo, também houve o apoio econômico. A União Soviética possuía um desenvolvimento econômico e industrial muito inferior aos Estados Unidos, logo, o Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON-1949), apesar de apoiar economicamente os países socialistas, não alcançou as mesmas proporções da versão capitalista, o Plano Marshall.

Pela perspectiva militar, se o bloco capitalista investiu em alianças como o TIAR e a OTAN, a União Soviética, por sua vez, criou em 1955 o exército do Pacto de Varsóvia. A aliança contava com a participação da Alemanha Oriental, da Polônia, da Tchecoslováquia, da Albânia, da Romênia, da Bulgária e da Hungria, sob comando da URSS. O Pacto de Varsóvia foi criado como uma ferramenta de defesa dos ideais socialistas contra possíveis ataques do bloco capitalista, no entanto, sua maior atuação foi na opressão de revoltas e cisões internas, como na Primavera de Praga (1968) com a ocupação militar da cidade.

Essas cisões e as ameaças norte-americanas também geraram a necessidade, por parte dos soviéticos, de institucionalizar ainda mais os seus aparatos de espionagem. Visando assim descobrir os planos dos inimigos e dos opositores internos, para executar ações rápidas, a União Soviética, em 1954, criou oficialmente o serviço de inteligência e espionagem da KGB (Comitê de Segurança do Estado).

A crise de Berlim.

Na Conferência de Potsdam (1945), os chefes de Estado da URSS, da Inglaterra e dos EUA concordaram com a desnazificação da Alemanha e com a divisão de seu território em quatro zonas de influência, dividida entre os três países e a França. A União Soviética, que dominava o leste europeu com seu Exército Vermelho, acabou ocupando a maior parte, ficando com Berlim dentro de seu próprio território.

Os conflitos entre os países nas fronteiras das zonas de influência e na própria Berlim aumentaram ao longo dos anos e, em 1948, o ditador soviético Josef Stálin realizou uma estratégia conhecida como o Bloqueio de Berlim, que fechou todas as vias de acesso para a cidade, impedindo que as potências ocidentais entrassem ou saíssem da capital alemã. O bloqueio causou uma crise diplomática entre as potências e a morte de pessoas por fome em Berlim.

Entretanto, em 1949 o bloqueio foi superado graças aos esforços de missões aéreas que conseguiam enviar suprimentos para as pessoas presas em Berlim. Por fim, essa crise foi resolvida com a divisão alemã em dois Estados, a República Federal da Alemanha (ocidente-capitalista) e a República Democrática Alemã (oriente-socialista). Com a grande quantidade de pessoas que migravam da parte ocidental para a oriental, em 1961, a URSS iniciou mais um bloqueio radical, mas, desta vez, com a construção de um muro de 66,5 km, dividindo Berlim e a Alemanha e simbolizando, enfim, a própria divisão global.

O Muro de Berlim se tornou um símbolo tão importante para o mundo bipolar da Guerra Fria que a sua queda, em 1989, tornou-se um marco da própria crise desse momento geopolítico e considerado, para alguns historiadores, como o fim da Guerra Fria. Apenas alguns anos depois, em 1991, a Guerra Fria teria seu fim definitivo com a própria queda da URSS e o início de uma nova ordem mundial, globalizada e multipolar.

O governo Dutra.

As principais ações tomadas por Dutra, durante o seu governo, estavam diretamente relacionadas com o contexto da Guerra Fria. Com a bipolarização do mundo em dois blocos hegemônicos, o governo brasileiro alinhou-se incondicionalmente como aliado dos Estados Unidos e do bloco capitalista. Assim, internamente, iniciou-se uma forte repressão contra organizações políticas e de trabalhadores que se alinhavam com a esquerda e o comunismo.

As ações de Dutra nesse sentido levaram ao rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e União Soviética em 1947. Posteriormente, o governo brasileiro colocou o Partido Comunista do Brasil na ilegalidade a partir de um dispositivo da Constituição contra partidos “antidemocráticos”. Por fim, no começo de 1948, os políticos eleitos pelo PCB tiveram seus mandatos políticos cassados. 

 A política de perseguição aos comunistas também foi utilizada pelo governo como justificativa para intervenções nos sindicatos e repressão aos movimentos trabalhistas. Ao todo, o governo Dutra interveio em 143 sindicatos e estipulou condições extremamente rígidas para a realização de greves.