Exclusivo para alunos

Bem-vindo ao Descomplica

Quer assistir este, e todo conteúdo do Descomplica para se preparar para o Enem e outros vestibulares?

Saber mais

O Governo de Napoleão

Neste módulo o professor William Gabriel fala sobre o expansionismo napoleônico e seu poderoso exército, que torna bem sucedido o golpe 18 Brumário.

Código Civil Napoleônico

Expedição ao Haiti

Bloqueio Continental

Invasões à Península Ibérica

Campanha sobre a Rússia

Queda de Napoleão

A era napoleônica (1799-1815)

O consulado (1799-1804)

Neste período, os desejos da alta burguesia de uma reorganização interna se consolidaram com a manutenção de um regime republicano, muito próximo aos militares e chefiado por Napoleão, Roger Ducos e Sieyés. Apesar dessa divisão inicial, Bonaparte passou a concentrar os poderes do consulado ao ser eleito primeiro-cônsul e, posteriormente, ao aprovar a Constituição do ano X, que ampliava ainda mais seus poderes. Assim, tinha domínio sobre o exército, sobre a criação das leis e das políticas externas.

Essa fase da chamada era napoleônica, portanto, ficou conhecida pela conquista de uma maior estabilidade política, econômica e social, realizada através da criação do Banco da França (o franco como nova moeda), da organização de obras públicas, da construção de liceus, da reaproximação à Igreja Católica (concordata com o papa Pio VII, mantendo a igreja submissa ao Estado), do financiamento da indústria e da agricultura francesa e com a própria elaboração das Constituições de 1799 (Ano VII), de 1802 (Ano X) e de 1804 (Ano XII).

Por fim, Napoleão, ainda no Consulado, também estabeleceu o chamado Código Civil Napoleônico (1804), que garantia diversas vitórias burguesas da revolução, como o direito à propriedade privada, ao casamento civil, a igualdade de todos perante a lei e o respeito às liberdades individuais. No entanto, apesar dos direitos conquistados e da liberdade, este governo ficou marcado também pela forte censura à imprensa, perseguição de opositores e pela proibição de greves.

 

O Império (1804-1815)

Com o aumento da popularidade e o sucesso das conquistas, Napoleão, em 1804, através de um plebiscito, foi coroado Imperador dos franceses com a aprovação de 60% da população e, agora, com a força da nova Constituição de 1804 (Ano XII). Napoleão, assim, distribuiu títulos nobiliárquicos e cargos públicos para familiares e beneficiou a elite militar, a alta burguesia e a antiga nobreza na formação de uma nova corte. O novo Estado francês, assim, iniciava um período de glórias, marcado por obras faraônicas, pela expansão territorial, por batalhas e pela disseminação dos ideais iluministas.

O rápido crescimento francês, as sucessivas vitórias e o poder do exército assustavam as nações vizinhas, sobretudo a Inglaterra, que temia a perda de seu posto como a grande potência mundial, e do Império Austríaco, que via ameaçado o modelo absolutista-monárquico. Logo, os conflitos pela Europa se ampliaram, dando início ao período das chamadas guerras napoleônicas.

Nesse contexto, territórios como o da Bélgica, Holanda, Espanha e as terras no norte da atual Itália foram conquistados pela Grande Armée (exército francês) e passaram ao controle de parentes ou pessoas próximas a Napoleão, como o caso de José Bonaparte, irmão do imperador francês, que foi Rei de Nápoles entre 1806 e 1808 e depois Rei da Espanha e das Índias, a partir de 1808.

Apesar das conquistas, a disputa com a Inglaterra pela hegemonia europeia ainda enfrentava a resistência da gigantesca marinha britânica, que havia vencido os franceses em 1805 na Batalha de Trafalgar. Assim, como resposta ao poderio inglês e a derrota francesa, Napoleão, em 1806, declarou o chamado Bloqueio Continental, visando isolar a ilha britânica do continente Europeu, impedindo que seus navios realizassem comércio e punindo as nações que abrissem seus portos aos ingleses.

O bloqueio continental, no entanto, não teve o sucesso esperado pelo império francês, que com uma indústria ainda incipiente não conseguiu ocupar o espaço deixado pela Inglaterra na exportação de bens manufaturados, levando, assim, muitos países a crises de abastecimento e outros a buscarem formas de furar o bloqueio, como Portugal e Rússia. Visto isso, a estratégia de Napoleão fracassou e o enfraquecimento do novo império francês teve início com a primeira grande derrota napoleônica, na Rússia, em 1812, que contou com a perda de milhares de soldados.

Assim, aproveitando o momento de crise da Grande Armée, uma nova coligação foi feita em 1813, sendo essa a grande responsável pela derrota de Napoleão na chamada Batalha de Leipzig (Batalha das nações), que tem como consequência a invasão de Paris das tropas rivais, a assinatura do Tratado de Fontainebleu (1814), a restauração da monarquia com Luís XVIII e o exílio de Napoleão na ilha de Elba.

 

O governo dos 100 dias.

 

Em fevereiro de 1815, com apoio de militares, Napoleão escapou do exílio e retornou à França com grande acolhimento da elite e do povo, prometendo restaurar o Império e as glórias francesas. No entanto, a nova fase de Napoleão Bonaparte como líder francês ficou conhecida como o governo dos 100 dias pelo curto período que durou. Napoleão foi derrotado pela coligação anglo-prussiana na Batalha de Waterloo, que marcou sua derrota definitiva e o exílio na ilha de Santa Helena, onde viveu até sua morte.

Por fim, a derrota napoleônica em Waterloo atingiu com força o fluxo de um processo revolucionário que se iniciou com a Assembleia dos Estados Gerais, em 1789 e teve seu auge na formação do Império francês. Essa derrota, apesar de representar o sucesso das potências absolutistas e da nobreza, não significava a morte dos ideais liberais da revolução. A ruína de Napoleão, no entanto, estava acompanhada pelo sucesso de um projeto de expansão dos ideais burgueses que havia atingido todo o mundo ocidental, provocando novos movimentos revolucionários por todo o século XIX.