Tudo o que você precisa saber sobre cidadania

11/10/2014 Camila Paula

Fala, povo meu, tudo em ordem? Pois é, o ENEM já está chegando e precisamos apertar nossos cintos rumo à aprovação. Em nosso resumo sociológico de hoje, conversaremos sobre um daqueles assuntos que aparentemente todo mundo conhece, mas que, na verdade, não é bem assim. O nosso tema de hoje é cidadania. Afinal, o que faz de alguém um cidadão? O que significa exercer a cidadania? No cotidiano, sobretudo em períodos assim, de campanha eleitoral, nós escutamos essas expressões com frequência, mas se nos pedissem para explicá-las com exatidão, seríamos capazes disso? Se a resposta é não, me acompanhe atento nesse resumo, pois esse é um daqueles temas queridinhos do ENEM.

Imagina o ENEM no lugar do Pikachu: ele morre de amores pelo tema “Cidadania”.

Em primeiro lugar, para entendermos a questão da cidadania, nós precisamos antes nos lembrar do que é política. De maneira simples, podemos dizer que a política é a arte da administração da sociedade, da vida humana em comum. Definição confusa? Bem, uma maneira simples de entendê-la é perceber que cada indivíduo humano é uma pessoa, um indivíduo com suas angústias, expectativas e problemas específicos e intransferíveis. São esses elementos particulares que fazem a vida de cada pessoa ser única. Porém, há também uma série de elementos que ultrapassam a mera existência de cada indivíduo e dizem respeito a todos aqueles que vivem em comum. Essas angústias, expectativas e problemas comuns são aquilo que constitui propriamente a ordem política. Aliás, é por isso mesmo que somente o homem faz política. Os outros animais que vivem em grupo, como as formigas e abelhas, são gregários, mas não formam sociedades. A diferença aí é que os animais, mesmo quando em grupo, movem-se puramente por instinto e não por uma deliberação racional. A estrutura de um formigueiro, por mais que nos seja espantosa, é fruto da natureza e não de uma decisão consciente das formigas. O homem, ao contrário, não apenas vive em comum, mas constrói sua vida em comum. Só ele é efetivamente social, pois somente ele é capaz de ser sócio de outros indivíduos, constituindo com eles a sociedade em que vive.    É aí, naturalmente, que entra o conceito de Estado. O Estado é a instituição social que possui e concentra o poder político de um território determinado. Ele não se confunde com o governo. O governo é o grupo que comanda o Estado em uma circunstância específica. Daí falarmos de Estado brasileiro.

É por isso que, às vezes, chamamos um governo pelo nome do presidente, como “Governo Dilma”,  por exemplo. 

“Mas, e a cidadania, o que é nisso tudo?” – você me pergunta. Ser um cidadão é ser um membro da comunidade política, é ser alguém que possui direitos políticos reconhecidos pelo Estado. Veja: cidadão não se confunde com habitante: habitante é um membro da sociedade de maneira geral; cidadão, repito, é um membro da sociedade política. Por exemplo, peguemos o caso dos escravos no Brasil Império. Os negros eram membros da sociedade brasileira? Sim, eles habitavam o Brasil. Mas eles eram cidadãos brasileiros? É evidente que não, pois não tinham direitos políticos. O mesmo acontece atualmente em nosso país com as crianças de cinco anos, que são habitantes da pátria, têm, inclusive, direitos civis e sociais e reconhecidos (direito à própria dignidade, à integridade física, à saúde, à educação, etc.), mas que não têm qualquer possibilidade de exercer o poder político, seja votando, se candidatando a cargos públicos ou se filiando a partidos. Diante disso tudo, não é difícil perceber o que significa exercer a cidadania. Trata-se de participar mais efetivamente das decisões e debates políticos, exercendo aqueles direitos que nos são concedidos pelo Estado.

cidadania

Uma última coisa: é engraçado perceber como, do ponto de vista literal, o termo “cidadão” é um tanto confuso. De fato, cidadão, como o próprio nome indica, indica originalmente o membro de uma cidade. É um pouco estranho então, literalmente falando, utilizar expressões como “os cidadãos brasileiros”, afinal, não vivemos em uma cidade, mas em um país. Na verdade, todo o vocabulário político é permeado por um linguajar citadino, urbano. A própria política vem de “pólis”, que é “cidade” em grego.

Gostou do resumo? Deixe um comentário e dê sua sugestão sobre temas que você quer ver aqui no blog! 🙂

Camila Paula

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7 Comentários para este artigo

  • Eduardo Toscano
    11/10/2014

    Muito bom!!!!

  • Pedro 'Zicadabalada' Fagundes
    11/10/2014

    Muito bom!

  • Lucas Vinícius
    12/10/2014

    Entao quer dizer que uma pessoa só é considerado um cidadão partir dos 18 anos (falando só do Brasil) ou aos 16 (se tirar o titulo de eleitor)? Ou qualquer pessoa que participe de algum movimento de cunho político (seja por reivindicação a algo) mas não vote e nem nada do das 3 coisas que foram citadas é considerada cidadã?

  • 14/10/2014

    Achei interessante e informativo. Gostaria de ver sobre direitos humanos e mais sobre as instituições sociais 🙂 .

  • Matheus
    14/10/2014

    Muito bom, Pedro! Pode fazer um sobre direitos humanos? Obrigado!

  • Lúcia
    19/11/2014

    Eu achei ótimo, além do que, agora aprendi o que é ser cidadão e exercer a cidadania.
    Cidadão: Membro de uma cidade.
    Exercer a cidadania: Participar das decisões e debates…
    Eu ñ sabia distinguir…boa…boa mesmo

  • Lúcia
    19/11/2014

    Muito bom…adorei

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