CORONAVÍRUS nas favelas e Pandemias Históricas | DOSE DE ATUALIDADES

30/04/2020 Comunidades Descomplica

O que a historia pode nos ensinar sobre a Covid-19 e as favelas?

O que a História pode nos ensinar sobre a Covid-19 e as periferias?
por Lola Ferreira

Essa pergunta foi respondida em um papo super legal do professor do Descomplica Renato Pellizzari e o ativista Raull Santiago, que também é nosso embaixador no Descomplica Social. Raull é um dos principais nomes da articulação nas favelas do Rio de Janeiro para combater o avanço do novo coronavírus.

Morador do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, ele é integrante do gabinete criado pelos moradores para manter ações de conscientização sobre a doença. Entre as medidas, estão a circulação de carros de som com dicas de prevenção e incentivo à coletividade, além de faixas espalhadas pelo local.

Pellizzari chama a atenção para a conexão com o fato da necessidade dessa comunicação extra-oficial ter de existir mesmo em 2020. Ele retoma a realidade do Brasil em outra época, mais especificamente no Segundo Reinado e Primeira República, que era bem similar: “Ali nós temos claramente um projeto de embranquecimento da população brasileira. O que mostra a ausência de um projeto de inclusão da população negra e pobre nessas questões, é um afastamento. Você tem uma população que, de novo, fica à margem”.

O professor também relembra que o momento que grande parte da população mais pobre vai para os morros foi durante as reformas urbanas de Pereira Passos, no início do século XX. Essa marginalização da população pobre, portanto, tem efeitos até hoje. Raull aponta que o isolamento social, uma das medidas de prevenção úteis contra o novo coronavírus, é mais difícil dentro das favelas: “Há casas com 6 ou 7 pessoas e três cômodos”, exemplifica.

E Pellizzari complementa que a discussão sobre a vulnerabilidade de pessoas negras e pobres não é por qualquer distinção que o vírus faça no momento do contágio, mas na fragilidade dessa população de se prevenir e também de tratar a doença posteriormente. E adiciona mais um pouco de História: o surto de meningite de 1974, que foi censurado pelo governo, já que estávamos no meio de um regime ditatorial militar, atingiu principalmente as populações pobres.

“Quando o surto ficou restrito à população mais pobre da periferia de SP, o governo censurou o Ministério da Saúde. Temos, inclusive, entrevistas do ministro explicando sobre formas de evitar o contágio que foram censuradas. Havia toda uma dificuldade de obtenção de informações por causa da censura”, relembra.

Para quem quiser saber mais detalhes sobre a conversa, o papo está disponível no canal do Descomplica no Youtube. Além disso, vale se inscrever e acompanhar as próximas lives, conectando conhecimento ao momento atual.

  • Nota: Raull Santiago é um dos líderes do movimento Covid Nas Favelas, acesse para conhecer mais sobre o projeto e para ajudar!

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