Reforma protestante e a Contra-Reforma (XVI)

10/10/2017 Isadora Bombonatti

Sejam bem vindos ao século XVI (1501-1600), período amplamente dominado pelo poder da Igreja Católica na Europa. As doutrinas e as decisões provenientes de Roma determinavam como as pessoas deveriam viver, em que acreditar, além de conferir legitimidade ao poder dos monarcas. Isso quer dizer que a Igreja (Católica) dominava quase todos os aspectos da vida no mundo ocidental europeu. Pois bem, acontece que isso não iria durar por muito tempo. No início dos anos 1500’s começaram a surgir diversos questionamentos sobre as crenças e práticas  endossados pelo Papa, terminando por romper a hegemonia da Igreja Católica. Desses movimentos, conhecidos conjuntamente como Reforma protestante, surgiram novas religiões como o Luteranismo, Calvinismo e Anglicanismo.

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Motivos

Cabe indagar quais fatores levaram a esse rompimento? Destaquemos cinco:

  • O movimento renascentista, colocando o homem no centro das preocupações (humanismo);
  • o surgimento da imprensa  (séc. XIV), que permitiu a distribuição de livros e a difusão das ideias protestantes por diversas partes da Europa;
  • o fator econômico. Basta lembrar que a Igreja Católica tinha uma riqueza incomparável, cobrando todos os tipos de taxas, como o dízimo e gerando a cobiça de diversos grupos que apoiariam as reformas;
  • a ampla corrupção que permeava as relações dos membros da Igreja, principalmente na questionável a venda do perdão pelos pecados cometidos na terra (indulgências) e pela venda de relíquias sagradas – em muitos casos, falsas (simonias);
  • O processo de centralização do poder real que levaria a consolidação do absolutismo pós-feudal. A autoridade do papa rivalizava com a autoridade real.   

Como tudo começou

Pronto. Está formado o contexto que levaria ao surgimento de idéias que, se não revolucionárias, ao menos reformadoras. Não surpreende o fato de que Martinho Lutero fosse um monge Católico, pertencente à ordem dos agostiniano, que, em 1517, patrocinado pelo Príncipe Frederico III da Saxônia, pregou na porta da catedral de Wittenberg (Alemanha) suas 95 teses. As teses questionavam a autoridade papal, ao criticar a venda de indulgências, que concediam o perdão pelos pecados cometidos e a garantiam salvação da alma – algo que, segundo ele, apenas Deus poderia conceder. Para Lutero a salvação era uma consequência da fé e boas ações, e não poderia ser “comprada”. Também defendeu que a Bíblia deveria ser traduzida para as línguas locais (havia apenas cópias em latim). Como resultado o Papa o excomungou, tendo sido proscrito e suas obras proibidas de circular (Edito de Worms). Mas Lutero receberia o apoio e a proteção de setores poderosos da aristocracia germânica. Príncipes que tinham muito a ganhar em romper com Roma e com o Papa. Esta não foi nada receptiva às novas ideias, contudo não pôde conter sua propagação, ocorrendo a movimentos similares em diversas partes da Europa.

Na Inglaterra a Reforma chegaria pelo Rei Henrique VIII, que insatisfeito com a recusa do Papa Clemente VII em lhe conceder o divórcio, para que pudesse se casar com Ana Bolena, rompeu com Roma e criou a religião Anglicana, autoproclamando-se o chefe da nova religião (1534). Posteriormente sua filha Elizabeth I fortaleceria o Anglicanismo e, com isso também, o absolutismo inglês. Na Suíça João Calvino formulou a Doutrina da predestinação, pela a qual o homem estaria predestinado ao nascer, a ser salvo, ou não. Essa decisão caberia unicamente a Deus, e um de seus sinais era a riqueza na terra. Essa doutrina foi amplamente acolhida pela burguesia, que tinha nela aval para a busca do lucro e facilitou sua disseminação. Esse, considerado pecado pela Igreja Católica, era sinal de salvação para os calvinistas. O calvismo espalhou-se rapidamente pela Suíça e pela França, onde seus praticantes receberam a denominação de Hugenotes.

Consequências

Como era de se esperar, a Igreja Católica não reagiu bem a todas essas ideias e movimentos questionadores de sua autoridade. De fato, excomungou diversos de seus doutrinadores e mandou queimar livros, publicou o Index (lista de livros proibídos), criou o Tribunal da Santa inquisição (1542), para julgar e condenar os Hereges. Contudo, em um segundo momento, percebendo a inevitabilidade do cisma, adaptou-se para retomar o espaço que havia perdido. Como forma de disseminar sua doutrina surgiu a Ordem dos Jesuítas (1491) e o Concílio de Trento (1545-1563) que se reuniu periodicamente para discutir como responder à Reforma. Terminou por condenar as doutrinas protestantes, todavia acabou com a venda de indulgências e buscou promover a moralidade nos quadros da Igreja Católica (Contra-Reforma).

O fim de uma era

O período em análise marcou o fim da hegemonia incontestável da religião católica, por mais que Roma tenha tentado conter o movimento reformador, inclusive com violência, as novas doutrinas acabaram por se estabelecer e ganhar espaço. Com a Paz de Augsburgo (1555) o luteranismo passou a ser aceito na Alemanha, assim como os Huguenotes ficaram livres para professar sua religião na França pelo Edito de Nantes (1598), demonstrando que o cisma foi, de fato, um caminho sem volta. No século seguinte milhões de pessoas morreriam nas chamadas guerras religiosas como a Guerra dos 30 anos na Alemanha, a revolução puritana na Inglaterra (que contribuiria para o fim do absolutismo inglês) e a Guerra civil francesa.

Agora que você já sabe sobre a Reforma Protestante e a Contra-Reforma, só falta arrasar na prova de Ciência Humanas do Enem! Vamos juntos nessa, rumo à aprovação? 😉

Isadora Bombonatti

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