Como ocorre o processo de formação das palavras?

16/09/2016 Má Dias

As palavras podem ser formadas, basicamente, por dois processos: a derivação e a composição. Enquanto no primeiro partimos de um mesmo radical para formar uma nova palavra, no segundo haverá sempre mais de um radical.

Exemplos:

  • Terreiro – Terr ( radical) + Eiro ( sufixo)  – Derivação
  •  Couve-flor – Couve ( Radical 1) + Flor ( radical 2)  – Composição

 

Derivação

O processo de derivação consiste na formação de uma nova palavra a partir de uma já existente, chamada de palavra primitiva.

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Podemos observar que “rosa” e “feliz” não se formam a partir de outra palavra já existente, mas permitem a formação de novas através do acréscimo de sufixos e prefixos ao radical.

 

Tipos de Derivação

  •  Derivação Prefixal ou Prefixação

Ocorre quando há acréscimo de prefixo à palavra primitiva, resultando na   alteração do seu significado.

Exemplos:

  • Ler – Reler
  • Mentir – Desmentir
  • Fazer – Refazer
  • Leal – Desleal

 

Derivação sufixal ou sufixação

Ocorre quando se acrescenta um sufixo à palavra primitiva. Esse processo pode resultar em alteração do significado da palavra e mudança de classe gramatical.

Observe:

Na palavra “Criação”, por exemplo, o acréscimo do sufixo ao radical do verbo “criar” produz um substantivo, ou seja, o processo de derivação deu origem a uma palavra de classe gramatical diferente da primitiva.

A derivação sufixal pode ser:

1. Nominal, formando substantivos e adjetivos:

  • Livro – Livraria (substantivo)
  • Terra – Terrestre ( adjetivo)

 

2.Verbal, formando verbos.

  • Claro – Clarear  ( verbo)

 

3. Adverbial, formando advérbios de modo.

  • Tarde – Tardiamente
  • Feliz – Felizmente

 

Derivação Parassintética ou Parassíntese

Consiste no acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo ao radical da palavra primitiva.

Observe:

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Repare que as duas palavras derivadas foram formadas a partir do acréscimo simultâneo de sufixo e prefixo ao radical das palavras primitivas. Durante o processo de formação os dois afixos foram acrescentados o mesmo tempo, isso significa que, caso se retire um dos dois, a palavra resultante não existirá.

Exemplo:  En ( prefixo) + Trist ( radical ) + Ecer ( sufixo)  – Se retirarmos o prefixo, por exemplo, resultará em “tristecer”. Sabemos que esta palavra não existe no léxico do português, o mesmo acontece se eliminarmos o sufixo, teríamos: “entriste”.

 

Derivação Prefixal e Sufixal

Esse processo de formação de palavras é parecido com a parassíntese, pois consiste em acrescentar prefixo e sufixo ao radical da palavra primitiva. Entretanto, deve-se ter muito cuidado para não confundir os dois processos. Na derivação prefixal e sufixal o acréscimo dos afixos não é simultâneo como na parassíntese.

Observe a palavra “desigualdade”.  Se analisarmos cada etapa do processo de formação, teremos o seguinte:

Desigualdade provém de igualdade, que provém de igual. Ou seja, se retirarmos o prefixo de “desigualdade”, teremos como resultado “igualdade”, uma palavra que pertence ao léxico do português. Portanto, o acréscimo dos afixos não é simultâneo. Já em palavras formadas pela parassíntese isso seria impossível. Repare:

Emudecer  provém de mudo.  Note que não podemos retirar apenas um afixo para descobrir qual seria a palavra primitiva, precisamos tirar os dois ao mesmo tempo, pois não existe “emude”ou “mudecer” em português.

 

Derivação regressiva

Até agora vimos processos de formação de palavras que consistem, basicamente, no acréscimo de afixos. Na derivação regressiva, como o próprio no me sugere, não há acréscimo, mas sim redução.

Falar (verbo)   ——>   Fala (substantivo)

Para formar o substantivo, foi necessário perder um afixo: a desinência verbal.

Outros exemplos:

Beijar (verbo) – Beijo (substantivo)

Comprar (verbo) – Compra (substantivo)

Cantar (verbo) – Canto (substantivo)

Importante: Para saber se o verbo é a palavra primitiva, ou seja, se veio antes do substantivo, basta observar se a palavra formada denota uma ação. Repare que, nos exemplos acima, todos os substantivos nomeiam ações ( fala; beijo; canto). Existem verbos, entretanto, que podem derivar de substantivos. Um clássico exemplo é o verbo “ancorar”. Repare que ele provém de “âncora”, que é uma palavra que nomeia objeto e não uma ação, logo, ela será a palavra primitiva e o verbo “ancorar” será formado por derivação sufixal, pois se acrescenta um sufixo verbal ao radical de âncora.

A derivação regressiva também é chamada de “deverbal”, pois formam-se substantivos através de verbos.

 

Derivação imprópria

Consiste na mudança da classe gramatical de determinada palavra, sem alterar a sua forma. Ou seja, não serão acrescentados ou retirados afixos. Entretanto, o significado da palavra primitiva será alterado. Por trabalhar apenas com o aspecto semântico das palavras, ela é chamada de imprópria, já que não altera, propriamente, a estrutura da palavra. Durante esse processo:

  • 1) Os adjetivos passam a substantivos

Os justos serão contemplados

 

  • 2) Os particípios passam a substantivos ou adjetivos

O maior feito dos portugueses foi descobrir o Brasil.

 

  • 3) Os infinitivos passam a substantivos

O cantar dos pássaros é lindo.

 

  • 4) Os adjetivos passam a advérbios

Falei alto para que todos me ouvissem .

 

  • 5) Palavras invariáveis passam a substantivos

Não compreendi o porquê da renúncia.

Observação: Na maioria dos casos, só será possível identificar a mudança da classe gramatical se a palavra estiver dentro de uma frase. Observe que, nos demais processos, conseguimos perceber as alterações apenas observando a palavra derivada.

 

Composição

Consiste em formar palavras a partir de dois ou mais radicais. Enquanto na derivação formamos palavras derivadas, na composição teremos as chamadas palavras compostas. Existem dois tipos de composição: justaposição e aglutinação.

 

Composição por Justaposição

Consiste em juntar duas ou mais palavras ou radicais, sem qualquer alteração fonética.

Exemplos:

Guarda-roupa

Passatempo

Pé de moleque

Sexta-feira

 

Composição por Aglutinação

Durante a união de duas ou mais palavras ou radicais, há a supressão elementos fonéticos.

Exemplos:

Embora (em boa hora)

Fidalgo (filho de algo – referindo-se à família nobre)

Hidrelétrico (hidro + elétrico)

Planalto (plano alto)

Obs.: ao aglutinarem-se, os componentes subordinam-se a um só acento tônico, o do último componente.

 

Outros processos de formação de palavras

Redução

Ocorre quando usamos a forma reduzida de alguma palavra.

Exemplos:

auto – por automóvel

cine – por cinema

micro – por microcomputador

Zé – por José

 

Hibridismo

Consiste em formar palavras unindo elementos de origens distintas.

Por Exemplo:

Auto (grego) + Móvel (latim)

 

Onomatopeia

Consiste em formar palavras com a finalidade de imitar sons.

Exemplos: 

Blá blá blá

Zum zum zum

Tique-taque

 

Sigla

As siglas são formadas a partir da união das letras iniciais que compõem nomes de organizações, instituições partidos, entre outros.

Exemplos:

ONU (Organização das Nações Unidas)

OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)

 

 

EXERCÍCIOS

1. (Fuvest 2011) As palavras do texto cujos prefixos traduzem, respectivamente, ideia de anterioridade e contiguidade são:

a) “persistente” e “alteridade”.
b) “discriminados” e “hierarquização”.
c) “preconceituosos” e “cooperação”.
d) “subordinados” e “diversidade”.
e) “identidade” e “segregados”

 

2. (Enem 2010)

Carnavália
Repique tocou
O surdo escutou
E o meu corasamborim
Cuíca gemeu, será que era meu, quando ela passou
por mim?

[…] ANTUNES, A.; BROWN, C.; MONTE, M. Tribalistas, 2002 (fragmento)

 

No terceiro verso, o vocábulo “corasamborim”, que é a junção coração + samba + tamborim, refere-se, ao mesmo tempo, a elementos que compõem uma escola de samba e a situação emocional em que se encontra o autor da mensagem, com o coração no ritmo da percussão. Essa palavra corresponde a um(a)

a) estrangeirismo, uso de elementos linguísticos originados em outras línguas e representativos de outras culturas.
b) neologismo, criação de novos itens linguísticos, pelos mecanismos que o sistema da língua disponibiliza.
c) gíria, que compõe uma linguagem originada em determinado grupo social e que pode vir a se disseminar em uma comunidade mais ampla.
d) regionalismo, por ser palavra característica de determinada área geográfica. e) termo técnico, dado que designa elemento de área específica de atividade.

Veja o passo-a-passo da resolução desta questão! 

 

3. UERJ (Língua Portuguesa instrumental – 2011)

Desencontrários

Mandei a palavra rimar,

ela não me obedeceu.

Falou em mar, em céu, em rosa,

em grego, em silêncio, em prosa.

Parecia fora de si,

a sílaba silenciosa.

 

Mandei a frase sonhar,

e ela se foi num labirinto.

Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.

Dar ordens a um exército,

para conquistar um império extinto.

PAULO LEMINSKI GÓES, F. e MARINS, A. (orgs.) Melhores poemas de Paulo Leminski. São Paulo: Global, 2001.

 

Considere a formação da palavra “Desencontrários”, título do poema de Paulo Leminski. Separe seus elementos mórficos. Em seguida, nomeie o primeiro morfema que a compõe e indique seu significado.

 

GABARITO

1. C

2. B

3. A palavra “ desencontrários” é formada por derivação, processo através do qual de uma palavra se formam outras, por meio da agregação de certos elementos que lhe alteram o sentido, mas sempre se referindo ao valor semântico da palavra primitiva. Assim, há duas possibilidades para a formação da palavra em questão, considerando o radical, prefixos e sufixos e desinências flexionais: des+en+contr+ ário+s;des+en+contr+ari+o+s. “Des” é um prefixo que indica negação.

 Fonte: http://www.profjorge.com.br/arquivos/questoescomentadasformacaoeestruturadaspalavras.pdf

Má Dias

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