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Vídeo aula: Revolta da Chibata – introdução

Fala, pessoal! =D

A aula que a equipe do Desconversa escolheu pra essa semana dos professores Monty e Zé Paulo, gravada diretamente do centro do Rio. Isso especialmente pra aula sobre Revolta da Chibata, matéria que também é cobrada no ENEM. Então atenção =) E pra continuar a estudar essa matéria, é só clicar aqui!

Vamos lá? o/

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=YQqq0hJ_Y4I[/youtube]

Transcrição:

00:00 – História

Centro antigo do Rio: Região da Praça XV. Introdução/Revolta da Chibata – Parte 1.

Professores: Monty e Zé Paulo

00:15 Bom dia a todos. Eu sou o professor Monty e esse aqui é meu amigo, o professor Zé Paulo. A gente está aqui no centro da cidade, mais exatamente na Praça XV, para começar a fazer um trabalho sobre os principais sítios históricos do centro da cidade do Rio de Janeiro. Esse nosso trabalho começou justamente por a gente perceber a grande dificuldade que nossos alunos tinham em ter referência e conhecer lugares importantes da construção da história do Rio de Janeiro desde o período colonial. E a gente faz esse convite agora para que vocês nos acompanhem conhecendo alguns desses lugares.

00:55 Em relação a esse passeio, ele é um projeto que demorou um pouco para amadurecer. Eu e o Monty nós encontramos várias vezes, discutimos muito sobre os roteiros e essas questões todas e a principio o que a gente achou muito interessante, como parte conceitual do trabalho, é que a gente poderia discutir abordagens históricas de uma maneira diferenciada em relação a sala de aula. A gente está muito acostumado a tratar do ensino da história a partir das fontes documentais, do documento, e não existe nada mais natural do que isso, uma vez que a gente reconhece que o documento é uma palavra que tem origem no grego, e que significa ensino. Ou seja, basicamente a gente usa esses materiais, esses documentos, como fontes pedagógicas para entender a história. Quando a gente sai da sala de aula e propõe essa abordagem nova, a gente não está necessariamente mais buscando os documentos, embora a gente não abandone eles de maneira geral, mas a gente está muito mais interessado em discutir a questão dos monumentos. Monumento também é uma palavra que deriva do grego e que significa busca do passado. Quando a gente fala e discute esses monumentos, a gente está necessariamente remetendo ao passado. Não ao passado de uma maneira exata e reconstruída como memória fixa, mas como construções de discursos que se impõem no nosso meio e se relacionam com a atualidade. A gente pode, de alguma maneira, construir um paralelo entre o que a gente percebe hoje, como esse discurso do passado, e a aplicação atual dele e acho que talvez isso seja muito interessante para gente discutir uma história não mais centrada naquele meio da sala de aula, das carteiras, dos exercícios, e sim em alguma coisa um pouco mais diferenciada.

02:45 A gente está aqui em um lugar bastante interessante para discutir essas questões das análises dos monumentos, como a gente estava falando. Talvez o grande negócio desse espaço em que a gente está, e a gente está na Praça XV, e o que está aqui ao redor da gente, isso é, a estação das barcas, o Paço Imperial, a própria Praça XV, a perimetral passando, ou seja, a gente tem diversos espaços completamente diferenciados e construídos em diversos momentos. E é exatamente isso que torna tão característica a nossa análise dos monumentos da cidade do Rio de Janeiro, essa convivência entre diversas construções e diversos discursos.

03:30 Aqui atrás a gente tem um exemplo perfeito para falar disso, dessas construções que convivem e não necessariamente são harmônicas. Essa estátua aqui atrás é a de um contra mestre da marinha chamado João Cândido. Esse cara a principio teve uma participação muito importante em uma revolta que ocorre na primeira república do Brasil. João Cândido era negro, não podia pertencer ao corpo de oficiais da marinha, obviamente, e por isso era considerado um marinheiro. Essa revolta, liderada por ele, é conhecida como revolta dos marujos, pela marinha, e a gente discute muito isso em sala aula como a Revolta da Chibata.

04:20 Essa estátua não foi construída para ficar aqui. Ela a principio foi construída para ficar em um outro palácio do Rio de Janeiro, onde funciona hoje o museu da república, lá no Catete, e foi trazida para cá justamente pelo sentido que ela toma. A gente consegue observar que a principio o João Cândido não pertence a um corpo de oficiais e a principio também é considerado como um insurgente pela marinha. Quando a gente fala de um insurgente da marinha, é lógico que a historiografia tradicional vai observar esse cara como um rebelde. Mas o grande negócio é que a imprensa da época vai registrar essa revolta liderada pelo João Cândido como uma revolta liderada por um cara que fazia parnasianismo de manobras na Baía de Guanabara, ou seja, um excelente marinheiro, e um cara capaz de conduzir um navio como um oficial. É lógico que é por isso que a gente conhece muitas vezes esse cara como o Almirante Negro, mas não necessariamente toda historiografia vai reconhecer dessa maneira, e é exatamente por isso que a gente teve, recentemente agora, uma homenagem ao João Cândido, pelos cem anos da Revolta da Chibata, na qual a Petrobrás nomiou um navio de João Cândido. Me diz um negócio, amigos; Almirante João Cândido? É lógico que não! A marinha fez questão e exigiu que o nome da embarcação fosseMarinheiro João Cândido, e não Almirante Negro ou coisa parecida, até porque, desse último modo, apresentaria uma visão que a principio desconstroí toda a autoridade e hierarquia da marinha.

Se quiser praticar, temos muitos testes no Descomplica pra você! E se ficou dúvida, também temos uma equipe de monitores pra tirar suas dúvidas aqui =)

Bons estudos e conte com a gente =D

fonte Canal Descomplica