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UFF – Dissertação

Nem tudo são flores na UFF… esta banca também pede dissertações! A sorte é que os critérios não são tão “rígidos” quanto os da banca da UERJ, por exemplo. Logo, se você fez uma dissertação na UFF e seguiu os padrões normais (estrutura, coerência, coesão, etc.), não fugiu ao tema e apresentou argumentos sólidos, não se preocupe. Provavelmente, sua nota será satisfatória.

Hoje mostro aqui a proposta 2 do vestibular de 2008. O tema era: O comportamento social de hoje, quanto aos modos de diversão, em comparação com o passado.

Confiram!

Entre festas, banquetes e princípios

A vida social de uma pessoa sempre foi um cartão de visitas de sua personalidade e, consequentemente, de sua aceitação pelos outros. Assim como na Roma Antiga, na qual um cidadão era valorizado pelo número de convites que recebia para banquetes e orgias, hoje alguém possui credibilidade na vida cultural de um lugar de acordo com o número de festas que frequenta e as pessoas que conhece. A imagem construída é, há anos, diretamente relacionada ao comportamento social de uma civilização. Entretanto, os tempos mudaram, e apesar de certos hábitos e comportamentos terem se mantido – com algumas nuances – a forma de encarar os modos de diversão mudaram de acordo com os valores estabelecidos.

O conceito do “Carpe Diem”, que se consagrou como um dos lemas do período árcade, preencheu a imaginação de poetas que defendiam a “colheita do dia”, o máximo aproveitamento do mesmo. No entanto, essa idéia é ainda mais antiga, fato comprovado pelos banquetes e orgias da Roma Antiga, nos quais não haviam restrições para o prazer. Basta o homem tomar conhecimento da efemeridade da vida e da transitoriedade do tempo para ele querer aproveitá-la. No entanto, se na atualidade essas festas de outrora são vistas como dados culturais daquela civilização, suas correspondências atuais são julgadas como futilidades, pelo simples fato de, hoje, os valores serem outros. Há muito mais imposições religiosas e morais, criadas e consagradas há anos, que dificultam a existência da mesma liberdade encarada de forma natural, como em outros tempos.

Além disso, a proliferação da informação hoje é tida como argumento para os pré-julgamentos. Os meios de comunicação de massa são uma realidade, e atingem um vasto número de pessoas em todo o mundo. Por meio deles, ficamos sabendo dos avanços médicos e tecnológicos, aprendemos sobre doenças e maneiras de tratá-las como, por exemplo, as sexualmente transmissíveis. É praticamente impossível um cidadão de uma cidade grande, com acesso aos meios midiáticos, não saber como se prevenir de certos males. Assim, embora o sexo sempre tenha exercido um importante papel, as orgias e devassidões de antigamente são, hoje, vistas somente como promiscuidade e falta de cuidado, pois elas implicam riscos e possíveis malefícios para a saúde.

Dessa maneira, é possível perceber que, embora os modos de diversão guardem semelhanças ao longo dos séculos, a maneira de encará-los mudou bastante. Se os valores morais e éticos mudam de uma sociedade e época para outra, é perfeitamente normal que os julgamentos também mudem. No entanto, é preciso dosar a análise crítica que fazemos de certas situações, para não nos tornarmos pessoas intransigentes e intolerantes. Embora determinadas regras tenham que ser seguidas, para o bem do convívio em sociedade, é necessária a percepção de que cada ser humano tem sua personalidade, que deve se adequar a essas leis, mas não, necessariamente, se restringir a elas, prejudicando sua liberdade. O comportamento social deve ser um dado cultural, e não uma ditadura.”

Até breve,