• Aumentar Fonte
  • Diminuir Fonte
  • Trocar contraste

Ninguém te contou sobre os dois tipos de redação exigidos no vestibular? Entenda esse “babado”

Você sabia que, nos vestibulares da vida, há dois tipos de temas completamente diferentes? Sabia que dá pra planejá-los de forma que seu texto fique completamente amarrado, ainda que a proposta seja a mais difícil do mundo? Nós descomplicamos pra você! Duvida?

Em primeiro lugar, cabe diferenciar tema de assunto. Quando estamos tratando de uma questão mais ampla, algo menos direto, estamos discutindo um assunto. Você não vai encontrar assuntos no ENEM. Lá, a banca cobra discussões em cima de temas. E temas são tópicos mais específicos, debates montados em cima de assuntos. Eu dou um exemplo: o tema do ano passado foi Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil. Quando você sai da prova, todo feliz – já que sabia escrever tudo sobre ele -, sua mãe sempre pergunta “qual foi o tema?”, não é? Se você responde “Lei Seca!”, você disse o assunto da redação. Há grandes chances, inclusive, de você ter fugido da discussão ao redigir. É sempre bom fazer essa diferenciação, visto que as fugas são muito comuns. Um tema limita a sua argumentação ao que está sendo pedido, no caso, aos efeitos, consequências da implantação da Lei. Entendeu a diferença? 😀

Agora tudo faz sentido, né? 😛

1. Temas denotativos

Este é o tipo de tema que você vai encontrar no ENEM. Os temas denotativos são aqueles que apresentam as palavras em seu valor de face, em seu sentido literal, dicionarizado. Você já aprendeu a diferença de denotação e conotação, né? Ah!, boas técnicas para a interpretação de temas como esse são a identificação do comando, a percepção de limites e contextos e dos pressupostos. Vamos aos exemplos?

  • ENEM 2009: “O indivíduo frente à ética nacional”. Note que “o indivíduo” é a limitação Você não está falando sobre qualquer coisa, qualquer ação, qualquer comportamento, mas sim da reação do indivíduo, que pode ser de passividade, de combate e até de contaminação. A “ética” é o assunto a ser pesquisado para se falar do tema. Vê como fica fácil?
  • ENEM 2013: “Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil”. O comando aqui é a palavra “efeitos”, que pede que você fale sobre as consequências da implantação. “Lei Seca”, obviamente, é o assunto. “No Brasil”, nesse tema, fica sendo a limitação. Não queremos que você trate de leis, acidentes e alcoolismo nos Estados Unidos ou na Suécia. Você pode utilizar outros lugares como exemplos e até em comparações, mas seu foco argumentativo deve estar no Brasil.
  • ENEM 2004: “Como garantir a liberdade de informação e evitar os abusos nos meios de comunicação?”. Aqui, além do “como garantir” e o “evitar”, que são nossos comandos, e do “meios de comunicação”, que é o nosso assunto, é valido destacar o conectivo “e”, que exige soluções em comum, simultaneidade. Não basta falar da garantia da liberdade de informação. É preciso que se fale, também, de como evitar os abusos nesses meios, ainda que haja a garantia da liberdade. É uma discussão amarrada. Entende? 🙂

“Nós entendemos”: Ok, então, vamos para o próximo!

 

2. Temas conotativos

Os temas conotativos, por sua vez, trazem empregos de palavras em seu sentido figurado. Podem conter, também, textos híbridos (com imagens) e não-verbais. Sabe aquele tema que você fica horas tentando entender sobre o que a banca quer que você fale? Esse tema, com certeza, é conotativo. Técnicas interessantes para o seu entendimento são a identificação de indícios, a associação de tais indícios e um pouquinho de esforço de abstração. Você, esperto, que já assistiu aos eixos temáticos, que já fez milhares de provas com textos super abstratos, não vai ter dificuldade nisso, né? Vamos ver alguns exemplos.

A PUC, certa vez, trouxe uma frase de Mário Quintana como proposta temática (é muito comum, inclusive, que vestibulares tragam temas conotativos assim, com frases conhecidas). O tema: “O mais triste de um passarinho engaiolado é que ele se sente bem”. Parece difícil, né? Mas vamos pensar: quando o autor utiliza “mais triste”, ele está dizendo que o que acontece não é apenas triste, mas tão triste que chega a ser o mais triste de qualquer situação. A condição em que o passarinho (o indivíduo) se encontra é a de estar engaiolado, ou seja, preso a perdas e a problemas (a perda da liberdade, por exemplo). E o mais triste, como o próprio autor diz, é que ele “se sente bem”, ou seja, aceita a condição a que é submetido. Agora ligue os pontos, associe os indícios! Entendeu o tema? A proposta pede que você disserte sobre o conformismo. O esforço de abstração é grande, né? Mas com o tempo você consegue fazer isso fácil!

Sim, eu sei, parece loucura. Mas vamos treinando com calma, ok?

A UNIRIO também trouxe um tema conotativo quando tinha um vestibular. O tema foi “O melhor está nas entrelinhas”. Esse é fácil: estamos tratando de tudo aquilo que não está explícito, visível, mas sim subentendido. E, pelos textos de apoio, você pode entender se, por exemplo, a banca está falando sobre a vida, o vestibular, as tristezas da vida. Tudo depende de uma boa interpretação da coletânea. Provas com temas mais conotativos costumam relacionar sua temática à da prova de Língua Portuguesa. Ou seja, você tem uma coletânea bem rica para consultar. Se não tiver, obviamente, o contexto utilizado é uma opção sua. Se a UNIRIO quisesse limitar sua argumentação a um determinado contexto, com certeza deixaria indícios. O esforço de abstração, aqui, precisa ser um pouco menor, já que a interpretação é muito mais pessoal. Mas ainda assim precisamos de um pouquinho de esforço, né?

“Eu entendi aquela referência”: A não ser que você só faça o ENEM, fique sempre atento aos outros textos da prova.

Descompliquei? 😛 Os temas que você vai encontrar no ENEM, como eu já disse, são os denotativos. Entretanto, grande parte dos vestibulares costumam cobrar temas mais conotativos, então é melhor estar sempre preparado. Aqui você se prepara pra tudo! 🙂

Deu até vontade de fazer uma redação, né? Temos vários temas aqui no resumo. Por que não pegar um e dissertar? Já tá tudo mastigadinho, é só escrever! 😛

Vambora!

Bom texto e bom 1000!

Por: Bernardo Soares