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Redação: O Bom Uso da Coletânea de Textos

Separe papel, lápis e borracha porque hoje, terça-feira, você vai aprender tudo o que precisa sobre O Bom Uso da Coletânea de Textos para mandar muito bem nos vestibulares e ENEM! icon biggrin Matemática: Estudo dos Polígonos icon biggrin Matemática: Estudo dos Polígonos
Para te ajudar nessa difícil missão, você poderá contar com o professor Eduardo Valladares!
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Redação: O Bom Uso da Coletânea de Textos
Turma da Manhã:
9:00 às 10:00, com o professor Eduardo Valladares

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Material de Aula ao Vivo

MATERIAL DE AULA AO VIVO

Já dissemos que as mudanças estruturais na educação brasileira, sobretudo na última década, têm tido enorme influência nos modelos de vestibular. Uma das consequências mais evidentes diz respeito à forma de apresentação das propostas de redação. Antes limitados a duas ou três frases, muitas vezes enigmáticas, os temas passaram a incluir fragmentos de textos teóricos, trechos de leis, letras de música, poemas, charges e fotografias, enfim, uma coletânea de ideias e informações para ajudar o aluno a construir seu texto.
Dessa maneira, o ato de redigir propriamente dito é antecedido de um ato de leitura. A rigor, é com o material fornecido pela Banca que o aluno saberá orientar sua redação sem se perder nos inúmeros caminhos que lhe ocorrem ao ler o tema. Ao mesmo tempo, ele deverá exercer — e demonstrar — sua capacidade de absorver o conteúdo apresentado, adaptando-o a seu projeto de texto, como que numa atividade de reciclagem criativa.
Com frequência, porém, os candidatos confundem uso com cópia ou citação literal. A esse respeito, cumpre lembrar que os fragmentos fornecidos precisam ser interpretados para que se aproveite deles apenas o essencial. Com essa compreensão, o aluno passa a associar as informações e ideias apresentadas, somando-as às suas. Só assim, ele terá utilizado de forma inteligente e ativa a coletânea. Mais uma vez, portanto, não existe uso fácil; por outro lado, para quem não tem medo de pensar, eis uma excelente oportunidade de enriquecer a redação.
Coletânea I

1) “Meu partido / é um coração partido / e as ilusões estão todas perdidas / os meus sonhos / foram todos vendidos / tão barato que eu nem acredito / que aquele garoto que ia mudar o mundo / frequenta agora as festa do ‘grand monde’”

(CAZUZA, Ideologia)

2) “Não sou de São Paulo, não sou / japonês. / Não sou carioca, não sou português. / Não sou de Brasília, não sou do Brasil. / Nenhuma pátria me pariu. / Eu não tô nem aí. / Eu não tô nem aqui.”

(ANTUNES, Arnaldo e outros. Lugar nenhum.)

3) “Eu sei / que a vida devia ser bem melhor / e será”

(GONZAGA JR., Luiz. O que é o que é?)

4) “Qualquer que seja o modelo de desenvolvimento, independentemente de sua ideologia, ele se fará através das pessoas e daquilo que elas forem capazes de realizar a partir de si próprias.”

(SOUZA, Herbert de. / Betinho. Escritos indignados. RJ. Ed.IBASE, 1991)

5) “De todas as coisas desse mundo tão variado, a única que me exalta, me afeta, me mobiliza é o gênero humano. São as gentes (…) minha amada gente brasileira, que é minha dor, por sua pobreza e seu atraso desnecessários. É também meu orgulho, por tudo o que pode ser, há de ser”.

(RIBEIRO, Darcy. O Brasil como problema. 2ª ed. RJ: Francisco Alves, 1995).

6) “Individualista dos pés à cabeça. (…) Sem ídolos, descrente nos políticos e preocupada com o mercado de trabalho, a juventude do estado do Rio lista sonhos resumidos à primeira pessoa do singular: eu.
(…)
Ajudar o próximo, ser feliz, viver numa sociedade mais justa, paz na terra? Não é por aí. Eles não estão interessados em mudar o mundo.”

(VENTURA, Mauro, CÂNDIDA, Simone. “Jovem troca ideais por ambição”.
In: JB. Caderno Cidade. 06/07/97.)

Levando em consideração os textos acima, disserte sobre o tema Individualismo e compromisso coletivo. Lembre-se de fundamentar suas afirmações com argumentos que evidenciem a coerência de seu raciocínio.
Coletânea II

Os textos a seguir expõem diferentes aspectos da relação amorosa. Leia-os atentamente.
1) “Os anos 60 e 70 estão mesmo distantes. Os jovens de hoje querem emprego fixo e valorizam o casamento de papel passado. E um terço acha importante a mulher casar virgem.”

(VENTURA, Mauro, CÂNDIDA, Simone, “Jovem troca ideais por ambição”. In: JB, 06/07/97).

2) “Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! É de colher… — não tem nenhum valor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se fora com uma espada – para viver um grande amor.”

(MORAES, Vinícius. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. SP:
Companhia das Letras, 1991.)

3) “Mudei de roupa: Lee, camisa vermelha, um mocassim legal. Apanhei o livrinho de endereços, acendi um cigarro, prendi o telefone entre a cabeça e o ombro, disquei. Glorinha está? Não estava. Disquei de novo, Kátia está? Não estava. De novo, Ana Maria está? Não estava. Ainda, Gilda está? Não estava. Larguei o telefone, desconsolado. Liguei o rádio. Não podia ficar sentado. Dei uma olhada para o livro de química, para a capa, e saí.”

(FONSECA, Rubem. Contos reunidos. SP: Companhia das Letras, 1994.)

4) “Carta de namorado / é a felicidade mais pura! / Prazer intenso, emoção que dura, / certeza de ser amada / por escrito e por extenso.”

(TELLES, Carlos Queiroz. Sonhos, grilos e paixões. SP: Moderna, 1990.)

5) “Dizes que brevemente será a metade de minha alma. A metade? Brevemente? Não: já agora és, não a metade, mas toda. Dou-te a minha alma inteira, deixa-me apenas uma pequena parte para que eu possa existir por algum tempo e adorar-te.”

(RAMOS, Graciliano. Cartas de amor a Heloísa. SP: Record, 1994.)

6) “Tenho ciúmes deste cigarro que você fuma / Tão distraidamente.”

(CESAR, Ana Cristina, Inéditos e dispersos. SP: Brasiliense, 1985.)

7) “Por ser exato, o amor não cabe em si / Por ser encantado, o amor revela-se / Por ser amor / Invade / E fim”

(DJAVAN, Pétala.)

Tomando os textos acima como motivação, discuta o tema proposto – Relações amorosas na atualidade, construindo um texto dissertativo. Lembre-se de fundamentar suas afirmações com argumentos que evidenciem a coerência de seu raciocínio
1) Interprete as seguintes coletâneas, buscando inferir qual a temática a ser abordada.

Proposta 1

Leia com atenção os seguintes textos:

Texto I

ANDORINHA
“Andorinha lá fora está dizendo:
— ‘Passei o dia à toa, à toa!’
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa…”

Manuel Bandeira

Texto II

“O romance (São Bernardo), na verdade, é a narração de Paulo Honório, em retrospectiva, da vida que levou. Ele sente uma estranha necessidade de escrever, numa tentativa de compreender, pela escrita, não só os fatos de sua vida, como também sua própria mulher, suas atitudes, seu modo de ver as coisas e as pessoas. À medida que a narrativa avança, aumenta sua consciência em relação ao significado de sua vida e o balanço que faz é trágico: ‘Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Comer e dormir como um porco! Como um porco! Levantar-se todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?’”

(Extraído de TUFANO, Douglas. Estudos de língua e literatura.
Vol. 3. São Paulo: Moderna)

Texto III

BRANCAS NUVENS
Quem passou pela vida em brancas nuvens
e em plácido descanso adormeceu.
Quem nunca bebeu das fontes da alegria,
da paz, do amor, do silêncio e da harmonia.
Quem nunca se deitou com a meditação.
Quem nunca experimentou o êxtase interior.
Vegetou. Se arrastou do útero à cova…
Foi um espectro de homem, não foi homem.
Só passou pela vida, não viveu.

Francisco Otaviano

Proposta 2

(…) o inferno são os Outros.

(Jean-Paul Sartre)

(…) padecer a convicção de que, na
estreiteza das relações da vida, a alma
alheia comprime-nos, penetra-nos,
suprime a nossa, e existe dentro de nós,
como uma consciência imposta, um
demônio usurpador que se assenhoreia
do governo dos nossos nervos, da
direção do nosso querer; que é esse
estranho espírito, esse espírito invasor
que faz as vezes de nosso espírito, e que
de fora, a nossa alma, mísera exilada,
contempla inerte a tirania violenta dessa
alma, outrem, que manda nos seus
domínios, que rege as intenções, as
resoluções e os atos muito
diferentemente do que fizera ela própria
(…)

(Raul Pompéia)

“Os outros têm uma espécie de
cachorro farejador, dentro de cada um,
eles mesmos não sabem. Isso feito um
cachorro, que eles têm dentro deles, é
que fareja, todo o tempo, se a gente por
dentro da gente está mole, está sujo ou
está ruim, ou errado… As pessoas,
mesmas, não sabem. Mas, então, elas
ficam assim com uma precisão de judiar
com a gente…”

(João Guimarães Rosa)

(…)
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas
[entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

(Carlos Drummond de Andrade)

O filósofo e psicólogo William James
chamou a atenção para o grau em que nossa
identidade é formada por outras pessoas:
são os outros que nos permitem desenvolver
um sentimento de identidade, e as pessoas
com as quais nos sentimos mais à vontade
são aquelas que nos “devolvem” uma
imagem adequada de nós mesmos (…)

(Alain de Botton)

Redações de vestibulares anteriores
Redação 1

Tema – Identidade da música brasileira

Antropofagia musical

Historicamente, a cultura brasileira sempre foi criticada por não ter uma identidade própria, sendo um misto adaptado das culturas indígena, européia e africana. No entanto, esta crítica mostra-se inválida, visto que uma evolução cultural ocorre pelo contato entre diferentes costumes alimentares, religiosos e musicais. A música brasileira é um exemplo da consolidação da identidade cultural do Brasil, uma vez que essa constitui o espelho dos acontecimentos do país e as características de seu povo.
Na era da globalização, em que as fronteiras foram eliminadas, verifica-se um fenômeno curioso, que primeiramente, pareceria paradoxal. O acesso à internet permitiu um intenso intercâmbio entre culturas, o que promoveu uma verdadeira “invasão” de bandas de rock e cantores “pop” no seio musical brasileiro. Entrementes, o surgimento e a disseminação de ritmos como o funk e o forró mostram uma reação da música brasileira a esse processo.
Esse nascimento de estilos genuinamente brasileiros, como o funk, corrobora o fato de que a música é o reflexo das transformações sociais. Vítimas de um déficit educacional abissal e do abandono governamental, os criadores do funk retratam, por meio da música, as consequências do descaso que assola grande parte da população. Embora, não seja um protesto, como ocorreu na Tropicália, percebem-se os efeitos da crise moral vigente por meio desse estilo musical e consolidação efetiva de nossa identidade cultural.
Nessa perspectiva, em que a música brasileira está sentada em bases sólidas, toda a nossa cultura é contaminada por essa valorização do que é nacional. O movimento modernista foi o grande responsável por esse acontecimento. Com esse, o povo brasileiro passou a ser retratado tal como ele é, e com isso, passamos a apreciar a vasta riqueza deste “caldeirão” de raças e culturas que se chama Brasil.
O fato de nossa cultura ser resultado de uma experiência antropofágica não faz dela melhor ou pior que outras, mas especial por ser tão diversificada. Sem a conotação hiperbólica usada pelos românticos para caracterizar o Brasil e sua cultura, podemos, ainda assim, dizer que somos privilegiados e temos o imensurável regozijo de sermos donos de um acervo musical abastado e consolidado, único no mundo.
Redação 2

Tema – Identidade da música brasileira

Beleza sim, nacionalismo não

Quem vai à História descobre logo que o samba não seria o mesmo sem os ritmos africanos e as danças latinas, o mesmo valendo para outros estilos “tipicamente” brasileiros. Por isso, acaba vendo como histeria o alarme diante da música americana nas rádios e lojas de CDs. Entretanto, a velocidade das influências, hoje, é realmente motivo de preocupação. Afinal, embora as trocas estejam na base de qualquer cultura, a globalização econômica as torna excessivas, exigindo mecanismos de “filtragem”.
Ainda que existam pessoas que idealizem a ideia de pureza cultural, a análise histórica sempre revela intercâmbios nas mais diversas manifestações. Não seria diferente com a música brasileira, criada em um país marcado pela convergência de raízes étnicas diversificadas. Nessa perspectiva, parece razoável afirmar que a riqueza dos ritmos e melodias nacionais seja diretamente proporcional à multiplicidade dessas fontes, todas misturadas de modo singular.
Entretanto, essa “singularidade múltipla” também não deve ser idealizada. Nem todas as influências externas são positivas, sobretudo quando as “trocas” culturais são rápidas demais. É exatamente isso que vem ocorrendo hoje, no contexto da globalização. A música estrangeira, principalmente norte-americana, impõe-se como um gosto único, massificado, dentro de uma lógica que inclui gravadoras, emissoras de rádio e TV, além do cinema e da Internet.
Embora não se trate de uma ameaça extrema, esse panorama precisa de atenção. Mais do que perder a identidade da música brasileira, corre-se o risco de perder sua qualidade. Nesse sentido, “filtros” inteligentes podem ter um papel decisivo. Em vez de criar leis para impedir as influências, faz mais sentido educar musicalmente as pessoas. Se a expressão musical nacional tiver mesmo qualidade, basta apurar os ouvidos do público. O resto é natural.
Dessa forma, valorizando o contato do público com as expressões culturais de qualidade, a identidade musical brasileira pode manter sua riqueza. A esse propósito, Tom Jobim costumava afirmar que a música é exatamente nossa maior qualidade, aquilo que nos torna 1º mundo. Resta seguir a lição de mestre e olhar para o que aqui se produz, não por simples nacionalismo, mas principalmente por admiração do belo.
Redação 3

Tema – A valorização do corpo humano

Corpo são, mente insana

Basta uma hora diante da televisão ou em um shopping para perceber que a valorização do corpo faz parte da visão de mundo atual. Academias, tratamentos, cosméticos — tudo isso reflete uma lógica cultural tão difundida quanto ilusória. Embora tenha raízes históricas, o culto ao corpo constitui hoje uma distorção, cujos efeitos têm sido bastante negativos para a maior parte das pessoas.
Um olhar para a história nos mostra que as mais diversas sociedades e épocas tiveram seus padrões de beleza associados a formas físicas. Sobretudo nos períodos em que o homem se colocou como centro do universo, o corpo teve papel cultural de destaque. O Renascimento, em especial, representa esse conceito, que sempre esteve baseado na relação orgânica entre aparência e essência. Assim, a beleza externa seria a expressão desejável de uma essência completa.
É justamente essa relação que parece ter sido perdida pelo homem contemporâneo, que se baseia na falsa premissa de que corpo e alma constituem dimensões distintas. Sem dúvida, as pessoas passam a se preocupar com uma aparência dita perfeita, que não reflete seu modo de ser. Para os modelos da publicidade, essa beleza padronizada parece bastar; para uma pessoa real, ela nunca será suficiente.
Em virtude dessa ilusão, criam-se efeitos perversos para dois grupos de pessoas. O menor deles, com acesso a essa indústria da beleza, compromete a saúde do corpo e nunca estará em harmonia consigo mesmo. O segundo, formado pela maior parte da sociedade, encontra-se excluído dessa lógica, não porque queira, mas porque não tem poder aquisitivo para nela se integrar por completo.
Pode-se perceber, portanto, que não há por que colocar o corpo em um plano inferior à mente, uma vez que dele também dependemos para viver bem. Nesse sentido, a valorização do corpo, por si só, não chega a ser um mal. O problema é imaginar que a harmonia, a beleza e a felicidade possam ser alcançadas exclusivamente pela ida a shoppings e academias. Eis a ilusão a ser superada.

PRINTS DA AULA – Professor Rafael Cunha

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PRINTS DA AULA – Professor Eduardo Valladares

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