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Por uma leitura mais livre

Não é novidade que, em ano de vestibular, o tempo torna-se curto e as atribulações, variadas. Contudo, uma prática que jamais deve ser abandonada – e, em muitos casos, requer, inclusive, ser criada – é aquela que diz respeito à formação do tão famoso hábito da leitura. Pode parecer que estou aqui falando do óbvio, de algo que, desde que você nasceu, é repetido à exaustão, mas parece que a maior parte dos alunos não consegue perceber que, antes de saber escrever, é preciso saber ler. E sim, eu sei que isso está longe de ser uma tarefa fácil. No entanto, de verdade, também não deveria ser uma atividade tão penosa.

De maneira simplista, poderiamos entender ler como ser capaz de associar significados a determinadas palavras. De forma mais complexa, deveríamos saber que ler é, principalmente, atribuir valores de compreensão e de interpretação ao que está sendo assimilado, de preferência usando, para isso, o que chamaremos de visão crítica. Esses últimos conceitos, porém, vou deixar para explorar no próximo post, quando falaremos da importância do olhar consciente. Por agora, prefiro que pensemos na leitura como uma atividade lúdica, capaz de despertar prazer e ser absolutamente natural no seu cotidiano.

Para isso, é preciso corrigir um erro histórico, o de definir o que é uma boa leitura. Essas verdades absolutas que afirmam que Paulo Coelho é ruim, Machado de Assis é bom, Harry Potter é bobo, jornal é sempre tendencioso e quadrinhos são idiotices constituem, no fundo, mais uma forma de preconceito do que, propriamente, um cuidado com a qualidade do que é lido. Não é o caso, claro, de dizermos aqui que Machado de Assis não tem valor (quem me conhece sabe da minha absoluta predileção pelo mestre), mas de vermos que, no fundo, o simples fato de se estar em contato com o universo das palavras já constitui um aprendizado. Afinal, quem há de negar, por exemplo, que a retomada da paixão juvenil pela leitura por meio das histórias de Harry Potter, em plena era da internet, representa um sopro de esperança em uma geração que não quer perder tempo lendo? Talvez seja o caso de saber estimular exatamente aí, onde se encontra o interesse específico, em vez de forçar um tradicionalismo que traz a leitura das obras balizadas pelo tempo e pela crítica especializada como parte das obrigações de um bom leitor.

No fundo, estamos deixando de perceber o óbvio: o tempo passa, os interesses mudam e o público-leitor agora apresenta uma outra forma de relação com a leitura, mais personalizada. Acompanhar isso é, acima de tudo, manter viva a idéia de que ler é essencial por si só, sem uma cartilha do que é imprescindível e do que é descartável. “A César o que é de César”, meus amigos. Formar bons leitores significa formar leitores cientes de que podem escolher seu próprio caminho e encontrar seu próprio espaço. Sejamos a favor de uma leitura mais livre. Se o hábito for instaurado, o restante virá com o tempo. Pode apostar.

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Ô, meu querido! Adorei o espaço, achei a idéia do site fantástica, continuarei acompanhando as novidades. Bela apresentação.
Beijooo

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Fala Marcelo…
Tive aula com você no pensi itaipu e,no pouco que estive lá-apenas um semestre-aprendi baste com você….com suas visões críticas e interessantes sobre qualquer tema do cotidiano e de redação!
venho aqui agradecer por aqueles momentos e,sem dúvida, elogiar o texto sobre a leitura.
Penso ,porém, que comigo o hábito pela leitura ainda não acontece naturalmente e tenho que muitas vezes me forçar a ler pela importância que este ato representa!
Infelizmente a “formação do tão famoso hábito da leitura” comigo ainda não ocorreu totalmente,teria algumas dicas?!?!?
Grande abraço!

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